Central Única dos Trabalhadores

Moradores da Lomba do Pinheiro e Partenon protestam contra liquidação da Ceitec

30 junho, terça-feira, 2020 às 1:15 pm

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Ceitec parou

Ceitec parou

Apesar do frio do inverno gaúcho, o Conselho Popular da Lomba do Pinheiro fez uma manifestação no início da manhã desta segunda-feira (29) contra a extinção da Ceitec, o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em frente ao prédio da instituição, em Porto Alegre. Trata-se de uma empresa pública federal que está prestes a ser liquidada pelo governo Bolsonaro.

A empresa foi incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) pelo ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. Com base num parecer meramente financeiro, sem ouvir os funcionários e a sociedade gaúcha, sem avaliar a importância da Ceitec para a microeletrônica e a tecnologia nacional, a Ceitec se encontra em processo adiantado de liquidação, estando na iminência da assinatura do presidente que trata com descaso a vida da população em meio à pandemia do coronavírus.

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A Ceitec é nossa

Aos gritos de “A Ceitec é nossa”, houve protestos de moradores da Lomba do Pinheiro e do Partenon, funcionários, dirigentes sindicais e representantes da associação dos trabalhadores (Acceitec). O trânsito foi interrompido, chamando a atenção dos motoristas, abrindo espaço na mídia comercial e ganhando o apoio da comunidade.

Os participantes usaram máscaras de proteção à Covid-19 e procuraram manter o distanciamento social, evitando aglomeração de pessoas e respeitando as recomendações sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Conselho Popular

Desde a concepção da empresa no início dos anos 2000, o Conselho Popular da Lomba do Pinheiro esteve presente, especialmente na definição do local, na transferência e localização de um terreno para a Escola Estadual Onofre Pires (que estava localizada no espaço onde a fábrica está sediada). “A Lomba do Pinheiro está unida com os funcionários em defesa da Ceitec”, afirmou o coordenador do Conselho Popular, Francisco Geovani Sousa.

“A Ceitec é uma construção coletiva regional e nacional e que surgiu com interesse de discutir a soberania nacional. O que não pode é um governo, que nem sabe o que ela produz e como contribui para a sociedade, querer extinguir a empresa sem nem ao menos ouvir os trabalhadores”, disse o coordenador do Conselho Popular do Partenon, Nelson Cúnico.

Estratégica para a tecnologia nacional

“Ela é a única empresa pública da América Latina que produz microchips e semicondutores. O prejuízo para a ciência e tecnologia brasileira será enorme, caso a extinção se concretize”, denunciou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre e funcionário da Ceitec, Edvaldo Muniz.

“Não vimos empresários do ramo participarem da discussão sobre a extinção da Ceitec. O debate é muito superficial. Nós temos estudos que contrariam a visão do ministro da Economia e que mostram a viabilidade de uma empresa pública de desenvolvimento tecnológico.  São mais de 80 patentes que serão perdidas com o fim da companhia. Isto representa anos de pesquisa e de dedicação de equipes universitárias. Não podemos compactuar com isso”, ressaltou.

Muniz

Para Muniz, “o prejuízo para a economia da região será enorme. São dezenas de trabalhadores que constituíram negócios no entorno da empresa, centenas de famílias que ali conseguem seu sustento. O pessoal da USP, UFRGS e Unicamp tem a Ceitec como referência. Muitos pós-graduandos não terão como desenvolver pesquisas importantes para o país, inclusive envolvendo a Covid-19”.

Barrar a sanha privatista de Bolsonaro e Guedes

A mobilização contou com a participação do diretor da FeteeSul e ex-presidente da CUT-RS, Celso Woyciechowski, que criticou a política de destruição do patrimônio público de Bolsonaro e destacou a importância da Ceitec para o desenvolvimento da indústria e a geração de emprego e renda.

Para o vereador Marcelo Scarbosa (PT), “o ato foi importante para barrar a sanha privatista de Bolsonaro e Guedes. A Ceitec é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, desempenha um papel estratégico no desenvolvimento da indústria de microeletrônica do Brasil. Não podemos aceitar que mais um patrimônio da população seja privatizado”.

“A Ceitec é tecnologia de ponta e é estratégica para a soberania nacional. Não abrimos mão e não vamos deixar privatizar essa empresa”, disse a ex-vereadora e líder comunitária da Lomba do Pinheiro, Maristela Maffei.

Ceitec é nossa

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Assista ao vídeo da manifestação

 

Fonte: CUT-RS