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Marchezan sanciona aumento abusivo da tarifa de ônibus para R$ 4,30 e fim da gratuidade da segunda passagem

9 março, sexta-feira, 2018 às 8:43 pm

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Estudantes protestam

Estudantes na rua

O prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB) sancionou na tarde desta sexta-feira (9) o aumento abusivo de 6,17% na tarifa de ônibus da Porto Alegre, que passará dos atuais R$ 4,05 para R$ 4,30 a partir da próxima terça-feira (13). O reajuste foi aprovado nesta manhã pelo Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), por 13 votos favoráveis, 4 contrários e 2 ausências, em reunião que acabou em briga e agressão física (confira o vídeo abaixo). A tarifa da lotação subirá para R$ 6,05.

O Comtu também aprovou a volta da cobrança de 50% na segunda passagem, que até agora era gratuita para quem tomasse o segundo coletivo em até 30 minutos, exceto os estudantes.

O aumento bem acima da inflação de 2017 vai na contramão dos preços praticados em outras capitais brasileiras, como São Paulo (R$ 4,00), Rio de Janeiro (R$ 3,60) e Salvador (R$ 3,70).

Além disso, o aumento ocorre após os patrões concederem somente 1,87% de reajuste salarial para os empregados das empresas de ônibus.

Ônibus1

CUT-RS votou contra

Integrante do Comtu e representada pelo diretor do Semapi-RS, Paulo Rocha, a CUT-RS foi um dos quatro votos contrários, ao lado da Umespa, Fetapergs e Brigada Militar. Atualmente o Conselho tem 20 assentos, sendo a maior parte ocupada por entidades patronais e órgãos do governo municipal.

O reajuste penaliza duramente a população da Capital que precisa usar o transporte coletivo, especialmente os pobres, os trabalhadores e as trabalhadoras que dependem da utilização de duas linhas para chegar e voltar do serviço.

Reunião do Comtu

“Mais uma vez estamos vendo a aliança entre a ganância dos empresários e a cumplicidade do Marchezan, o que resulta em novo aumento da passagem dos ônibus e na retirada de um direito conquistado pela classe trabalhadora, como é a isenção da segunda passagem, encarecendo ainda mais a mobilidade das pessoas”, afirma o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Para ele, antes de qualquer aumento, o prefeito tucano e o Comtu deveriam aguardar o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde existe um expediente de investigação em andamento para verificar os últimos reajustes ocorridos.

Nespolo lembra ainda que no ano passado, com a diminuição das linhas e tabelas de horários, as empresas acumularam um significativo ganho de produtividade.

Falta transparência e controle público

“Vamos percorrer todos os caminhos para buscar evitar mais um brutal ataque à já combalida renda das trabalhadoras e dos trabalhadores”, destaca Nespolo, alertando que os dados que compõem o preço final da passagem trazem um problema de fundo. “Esses dados são repassados pelos próprios empresários, donos das empresas de ônibus, ou seja, a parte mais interessada no aumento”, denuncia ao frisar ser necessário haver transparência e controle público para impedir manipulações e favorecimentos privados. ”Trata-se de concessões públicas”, enfatiza.

Claudir e o piso

A alegação dos empresários de que o aumento se faz necessário porque o sistema vem perdendo anualmente passageiros não condiz com a realidade, pois as empresas continuam lucrando, nenhuma delas pediu falência e nenhum dono de ônibus mudou de ramo, o que demonstra que o trasporte público continua ser um excelente negócio.

“O problema é que os empresários não oferecem qualidade de atendimento. Ao contrário, os usuários sofrem com a precarização dos serviços e a redução de linhas e horários, além de veículos sucateados e poucos deles com ar condicionado”, salienta o funcionário da Carris e diretor da CUT-RS, Alceu Weber.

Mobilização dos estudantes contra o aumento e o fim da segunda passagem gratuita

Algumas horas antes da reunião, estudantes de diversas escolas se renuíram em frente à Escola Técnica Estadual Parobé para se manifestar contra o aumento da passagem e o possível fim da gratuidade da segundo passagem.

Depois, eles saíram em passeata pelas ruas da Capital e foram até a prefeitura, onde protestaram contra as políticas nefastas de Marchezan, que visam retirar direitos e vender patrimônio público.

“Eu pago, não deveria. Transporte público não é mercadoria”, gritaram os jovens.

Manifestação contra o aumento da passagem tomou a Avenida Loureiro da Silva em direção à Prefeitura. Foto: Joana Berwanger/Sul21

“Talvez eu pare de estudar. É um absurdo eu e muitos outros sairmos da Restinga, pegarmos ônibus velhos, quentes, e termos que nos virar com esse rombo no orçamento”, disparou a jovem Tuellem Silva, de 15 anos, que estuda no Colégio Estadual Inácio Montanha. Ela mora na Restinga, passa quase duas horas por dia nos ônibus de Porto Alegre – considerando que pega de quatro a seis coletivos por dia.

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Assista ao vídeo do Correio do Povo!

 

 

Fonte: CUT-RS com Sul21 e Correio do Povo