Central Única de Trabalhadores

Manifestantes retornam às ruas de Porto Alegre após tarifa de ônibus voltar a R$ 3,75

4 abril, segunda-feira, 2016 às 10:47 pm

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O Bloco de Luta pelo Transporte Público fez, no começo da noite desta segunda-feira (4), um novo protesto em Porto Alegre devido ao aumento da passagem de ônibus para R$ 3,75. Depois de uma batalha judicial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a liminar que barrava o reajuste, e, desde o dia 30 de março, a tarifa de R$ 3,75 está em vigor. Também ficou mais cara a tarifa de táxi-lotação, que foi para R$ 5,60.

O grupo se concentrou em frente à Prefeitura,  de onde partiu em caminhada por ruas centrais da capital gaúcha. Com faixas como “R$ 3,75, o povo não aguenta” e “Estudantes contra o aumento”, os manifestantes cantaram no trajeto: “É tri caro, é tri demorado, ainda por cima é tri lotado.”

Além da crítica à falta de qualidade do serviço prestado, o prefeito José Fortunati (PDT) foi alvo do grupo: “Dança Fortunati, dança até o chão, vamos mais uma vez barrar o aumento do busão”. Ao passarem por paradas lotadas, os manifestantes convidavam os usuários a se juntar ao protesto contra o aumento.

Esse foi o sexto ato do Bloco de Luta neste ano. Os manifestantes caminharam até o Largo Zumbi dos Palmares. O trânsito ficou lento nas avenidas Salgado Filho e Borges de Medeiros, mas logo foi liberado.

Modelo de transporte e papel da Prefeitura

O diretor da CUT-RS e representante da entidade no Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu), Alceu Weber, que foi um dos quatro votos contrários ao reajuste abusivo de 15,38% na reunião do Comtu, afirmou que é preciso debater o modelo de transporte público e o papel da Prefeitura com os trabalhadores e a população. “Sem discutir o sistema de transporte é vã a luta por mudanças”, destacou ele, que é também delegado sindical na Carris.

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Para Weber, que participou da caminhada,  ”o que encarece a tarifa, além do lucro exorbitante dos empresários, é a má distribuição da frota operante, por causa da insistência contínua de manter este modelo tronco-alimentador”.

Representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da comissão organizadora do protesto, Júlio Câmara afirmou que, talvez, o bloco tenha de avaliar o método de manifestações de rua para evitar o desgaste e pensar em outras alternativas, como debate em escolas e ocupações, para questionar o reajuste da tarifa e a melhoria do transporte público.

“Esse é um debate que tem de continuar, o novo sistema de transporte é uma lorota. A nova tarifa não reflete melhorias no serviço. Os ônibus novos nem todos têm ar-condicionado”, argumentou o estudante, que também é integrante do coletivo Juntos.

Em fevereiro, entrou em vigor o novo sistema de transporte público da Capital, a partir da primeira licitação que previa melhorias, contudo o serviço é prestado pelas mesmas concessionárias que operacionalizavam o sistema antes do processo e continua sendo alvo de reclamações dos usuários. Câmara afirmou, ainda, que a discussão tem de ser permanente, já que a nova tarifa não “foi amplamente discutida com a comunidade.”

Recurso judicial

O deputado estadual Pedro Ruas (PSol), um dos autores da liminar que barrou o reajuste da passagem de ônibus por 35 dias na Capital, irá protocolar nesta terça-feira (5) um Agravo Regimental no STJ. A intenção é reverter a decisão que autorizou a cobrança da tarifa de R$ 3,75 a partir do dia 30 de março.

Ruas pretende alegar que a decisão foi unilateral e também reforçará a questão de o Comtu não ter sido ouvido antes da autorização do reajuste das tarifas. No dia 22 de fevereiro, a passagem de ônibus pulou de R$ 3,25 para R$ 3,75, valor que acabou sendo suspenso por liminar a partir do dia 25 daquele mês.

Na semana passada, no entanto, o STJ decidiu favoravelmente à Prefeitura de Porto Alegre, que já havia perdido recursos nas outras duas instâncias jurídicas. Além do Agravo Regimental, corre também na Justiça a ação principal do PSol para suspender definitivamente o aumento das passagens. Essa ação deverá ser analisada pelo Judiciário em até seis meses.

Confira mais fotos da caminhada:

O ato desta segunda-feira foi o sexto realizado este ano|Foto: Guilherme Santos/Sul21

O ato desta segunda-feira foi o sexto realizado este ano|Foto: Guilherme Santos/Sul21

04/04/2016 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Ato do Bloco de Lutas contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Guilherme Santos/Sul21

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Fonte: CUT-RS com Jaqueline Silveira – Sul21 e Correio do Povo