Central Única dos Trabalhadores

Lava Jato violou Constituição, soberania nacional e democracia, aponta live da CUT-RS

6 agosto, quinta-feira, 2020 às 5:19 pm

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Live - 05.08-3

Live - 05.08-3 

A Constituição do Brasil, a soberania nacional e a democracia foram violadas pela Operação Lava Jato, cujas ilegalidades, abusos, farsas e armações, com o apoio da mídia tradicional, foram debatidas na live da CUT-RS, realizada no início da noite desta quarta-feira (5), com transmissão ao vivo também na página da CUT Brasil pelo Facebook.

Participaram o jornalista Luiz Nassif, a jurista e professora de Direito da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), Carol Proner e o presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. A mediação foi do presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci.

Interesses dos EUA

“Toda a Lava Jato está ligada a um interesse geopolítico norte-americano em se apossar das reservas de pré-sal”, afirmou Nassif, que é editor do Jornal GGN. Para ele, a operação foi montada como um “cavalo de Tróia” para se apoderar do petróleo brasileiro.  

“Nós fomos os primeiros a denunciar quando ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi prestar contas da Operação Lava-Jato e entregar segredos de Estado para o Departamento de Justiça norte-americano. Isso demonstra o comprometimento de parte do Judiciário com um projeto entreguista e de dependência internacional”, relatou o jornalista. Segundo ele, ali já havia uma flagrante ilegalidade. “Quem deveria estar representando a Petrobrás era a Advocacia-Geral da União”, disse.

Guerra híbrida

Para Carol Proner, a Lavo jato é um desdobramento da guerra híbrida jurídica sofrida pelo governo de Dilma Rousseff, desde 2013 até a consumação do golpe em 2016.

“O direito é um dos elementos da guerra híbrida travada no cenário geopolítico internacional e que ameaça as democracias latino-americanas. Passou pelo Brasil, Argentina e agora se consolida na Bolívia. Todos esses países enfrentam elites que tentam manipular a legislação para perseguir opositores publicamente”, destacou a jurista.

“Esses grupos políticos manipulam a legislação sob o argumento de combate à corrupção, mas o que escondem é o caráter extraterritorial. Hoje, a legislação norte-americana garante o direito de punir pessoas físicas e empresas de outros países que possuam ações na Bolsa de Valores e que possam ‘comprometer’ os interesses dos EUA. Dessa forma, essas elites cooperam com a Justiça dos EUA para sabotar economias nacionais que possam representar riscos para os planos da maior potência mundial”, apontou Carol Proner.

Espionagem e destruição da Petrobras

“Desde as eleições de 2010, temos declarações do senador José Serra (PSDB), prometendo para a petrolífera internacional norte-americana, Chevron, acabar com o monopólio internacional do petróleo por parte da Petrobrás. É aí que nasce o interesse golpista dos EUA na queda da Dilma, como demonstram os vazamentos sobre grampos em conversas da presidenta”, ressaltou Deyvid Bacelar.

“A Petrobrás foi espionada desde muito tempo antes da Lava jato. Houve transações do corpo do Judiciário brasileiro, que ganhou muito dinheiro vendendo segredos da Petrobrás com organismos internacionais. O fim da operação única da Petrobrás é fruto disso, desses interesses que vão resultar no questionamento do fundo soberano. O plano deles é privatizar tudo o que é público e estatal para entregar às multinacionais”, acusou o presidente da FUP.

Tirar Lula das eleições de 2018

O presidente da CUT-RS chamou a atenção para o papel da Lava Jato e do Judiciário para impedir a candidatura do ex-presidente Lula nas eleições de 2018, quando ele liderava todas as pesquisas. “Não foi só a chamada República de Curitiba, que foi conivente com o atropelo da Constituição de 1988, mas também os magistrados do TRF-4 que fingiram ler mais de 2.500 páginas de um processo em tempo recorde.”

“Apenas para tirar Lula do jogo eleitoral de 2018, como reconheceu nesta semana o STF ao retirar do processo contra o ex-presidente o trecho da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci, utilizado ilegalmente pelo ex-juiz Sergio Moro para alavancar a candidatura de Bolsonaro e, por consequência, a sua própria indicação a ministro da Justiça”, frisou Amarildo.     

Assista à transmissão da CUT

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Fonte: CUT-RS