Central Única de Trabalhadores

Lançada Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social

20 março, quarta-feira, 2019 às 7:16 pm

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Frente com Paim

Frente com Paim

Prestes a receber o texto que altera as regras de aposentadoria dos militares, a oposição no Congresso Nacional se organiza para barrar a reforma da Previdência do governo Bolsonaro. Foi relançada nesta quarta-feira (20) a chamada Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, que reúne representantes da Câmara e do Senado.

Trinta senadores e noventa deputados assinaram o texto até agora, além de mais de 100 entidades de classes. Esse número deve aumentar nas próximas horas, já que os interessados podem formalizar o apoio ao longo do dia.

Coordenam a iniciativa o senador Paulo Paim (PT) e o deputado André Figueiredo, líder do PDT na Câmara – o partido fechou questão contra a reforma. O grupo deve apresentar uma proposta alternativa.

“Nós precisamos levar para todos os brasileiros, que isso é o fim da previdência pública brasileira”, alertou o deputado.

“Esse governo tem que entender que a previdência brasileira não é do sistema financeiro, é do povo brasileiro”, disse o senador Paim, que coordenou os trabalhos. “Sistema de repartição é cláusula pétrea”, acrescentou.

Não passará

Ele ainda desafiou os governistas a mostrarem, como fez no Senado, quais os privilégios que estão sendo atacados na reforma. “Não mostraram. Eles atacam mesmo é o interesse mais sagrado quando a gente envelhece, que é o direito de se aposentar”, criticou.

Paim disse também que num evento semelhante no passado, quando o Governo Temer enviou uma PEC no mesmo sentido, mandou-se um recado: “Não passará! E essa reforma também não passará porque é contra o povo brasileiro”, afirmou sob aplausos dos presentes.

“Da forma como está agora, essa reforma destrói a Previdência. Somos contra o desmonte da solidariedade entre gerações”, avalia o deputado Alessandro Molon (PSB), líder da oposição na Câmara.

Movimento cívico

Líder da Minoria na Câmara dos Deputados, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), defendeu “um grande movimento cívico” a exemplo das Diretas Já em defesa do estado de proteção social e da previdência pública.

Feghali propôs envolvimento de entidades como a CNBB, OAB e os evangélicos. “Os cristões precisam se preocupar com os pobres”, afirmou.

Segundo ela, é necessário também descontruir o discurso do privilégio. Explicou que do anunciado R$ 1 trilhão em economia, que vão tirar do contribuinte para mandar para os bancos, R$ 800 bilhões, ou seja 80%, sairão das pessoas que ganham até dois salários mínimos.

A organização já havia sido lançada em 2016, quando a PEC foi apresentada pelo governo Temer. Nessa nova roupagem, os parlamentares criticam principalmente o regime de capitalização e as diferenças entre a proposta dos militares e do regime geral.

Na legislatura anterior, o total de apoiadores chegou a 270 na Câmara e 23 no Senado.

 

 

Fonte: CUT-RS com Carta Capital e Vermelho