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Manifestações de junho de 2013 completam cinco anos e mostram disputa de ideias na sociedade

13 junho, quarta-feira, 2018 às 9:25 am

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Junho de 2013

Junho de 2013

RBA – Junho de 2013 entrou para a história do Brasil como um momento de ebulição da insatisfação popular que eclodiu em uma série de manifestações. Milhões de pessoas tomaram as ruas de todo o país, não apenas nas capitais, em protestos com pautas difusas, sem ordem clara ou comando definido.

Os resultados dessas mobilizações são os mais diferentes possíveis. Da ampliação do uso do espaço público e dos pedidos por maior efetividade da democracia, até a ascensão de movimentos fascistas que chegaram a derrubar uma presidente eleita sem o cumprimento dos critérios legais.

As contradições das chamadas “jornadas de junho” foram tema de um debate nesta segunda-feira (11) na livraria Tapera Taperá, região central de São Paulo. A ONG Artigo 19 divulgou estudo sobre um dos resultados mais cruéis das mobilizações: a ampliação da repressão do Estado contra a liberdade de protestos. Também na roda de conversas, o cientista político Rudá Ricci, autor de obras sobre o tema, e Daniela Haj Mussi, doutora em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Junho de 2013 fissurou a normalidade institucional, ele sincronizou insatisfações. Isso não significa que o processo confluiu para um programa concreto. Vivemos neste ano um processo similar com a greve dos caminhoneiros. Foram explosões de insatisfações sociais. Não podemos negar as contradições das ruas. Tudo que vem da rua é movimento político e, se é político, é campo de disputa”, resumiu Daniela.

Ricci apresentou um panorama histórico que construiu o caldo necessário para a ebulição social de junho de 2013. “Vimos neste século, em todo o mundo, uma cultura anti-sistema. Um ideário que acabou possibilitando a argumentação de que junho pode ter aberto as portas para a extrema-direita que ai está. Mas, mais do que isso, o que junho faz é romper com todas as estruturas modernas dos séculos 19 e 20″, disse.

“Tínhamos estruturas verticalizadas, em que todos os membros de organizações tinham seus espaços preenchidos e, de forma unificada, seguiam decisões. O que temos agora, são organizações lacunares, com buracos. As pessoas não se identificam mais com organizações, mas com os impactos delas. s organizações são mais afetivas e as pessoas são movidas por situações espetaculares que atingem não pela organização em si, mas em função do impacto que causou o chamamento. Quase sempre não vão as mobilizações em função a um chamamento. Ao contrário, vou porque alguém que conheço chamou. É mais afetivo, emocional do que racional”, completou.

Para o pensador, essas rupturas influenciam negativamente nas antigas organizações de luta de classes. “Partidos, sindicatos. O Brasil tem um dos maiores índices de sindicalização do mundo. Mas agora há uma corrosão da legitimidade. As lideranças, desse sistema, não conseguem sobreviver por mais de dois anos. Talvez a última figura nacional estável com autoridade pública seja o Lula. De alguma maneira, junho inaugura essa fase de corrosão das instituições.”

Assista ao vídeo “Junho de 2013: Rebeldia ou Golpismo?” do jornalista Breno Altman!

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual (RBA)