Central Única dos Trabalhadores

Intransigência dos empresários trava negociação sobre mínimo regional e centrais cobram audiência com Sartori

16 dezembro, quarta-feira, 2015 às 11:08 am

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Piso 1612

Piso 1612

A novela do reajuste do salário mínimo regional ainda está longe do final. No capítulo da manhã desta quarta-feira (16), a intransigência dos empresários travou a negociação com a CUT-RS e as centrais sindicais, durante a terceira rodada de mediação promovida pelos secretários estaduais Cristiano Tatsch (Planejamento, Mobilidade e Desenvolvimento Regional), Fábio Branco (Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia) e Miki Breier (Trabalho e Desenvolvimento Social).

Os representantes das federações empresariais se posicionaram contra a reposição integral da inflação do período, propondo descontar a previsão negativa do PIB do Rio Grande do Sul. Segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE), o PIB gaúcho caiu 3,4% no terceiro trimestre do ano. “Desta forma, o índice de reajuste ficaria em torno de 7%, abaixo da inflação, o que é inaceitável”, protestou o secretário de Relações de Trabalho da CUT-RS, Antônio Guntzel.

A CUT-RS e centrais reivindicam aumento de 11,55%. O índice significa a reposição da inflação projetada no período e ganho real. O INPC acumulado dos últimos 12 meses, entre 1º de dezembro de 2014 e 30 de novembro de 2015, foi de 10,97%.

Os trabalhadores repudiaram o arrocho da proposta patronal e saíram indignados do encontro, cobrando uma audiência com o governador José Ivo Sartori (PMDB) para resolver o impasse e enviar um projeto de lei, com a reposição total da inflação, para a Assembleia Legislativa, para que seja debatido e votado pelos deputados ainda este ano, antes do recesso de fim de ano.

“Os patrões, que no início defenderam reajuste zero para o mínimo regional, querem agora um índice abaixo da inflação do período, arrochando os salários, no momento em que vários preços de produtos estão subindo acima do INPC”, afirmou o dirigente da CUT-RS. “Essa proposta é ruim para os trabalhadores e péssima para a economia gaúcha, porque não estimula o consumo e a produção e aprofunda a recessão”, avaliou.

“Não abrimos mão, mas de jeito nenhum, da reposição integral da inflação do período, como forma de recuperar o poder de compra dos salários”, defendeu Antônio. “Também queremos construir uma política permanente de reajuste do mínimo regional, procurando estabelecer uma fórmula, a exemplo da lei federal que trata do aumento do salário mínimo nacional”.

A regra já apresentada pelas centrais, elaborada com a assessoria do Dieese, prevê a reposição anual da inflação medida pelo INPC e a média entre o crescimento positivo do PIB nacional e o PIB gaúcho.

“Já estamos em contato com vários deputados estaduais, pedindo que intercedam junto ao governo para que a audiência com Sartori seja agendada dentro da maior brevidade possível”, conclui Antonio.

Além da CUT, estiveram também presentes dirigentes da CTB, Nova Central, Força Sindical e UGT, bem como o supervisor técnico do Dieese-RS, Ricardo Franzói.

ADESIVO piso regional

Próxima audiência pública regional em Passo Fundo

Uma nova audiência pública regional será realizada na próxima segunda-feira (21), às 19h, na Câmara de Vereadores de Passo Fundo. Será a quinta reunião para debater o mínimo regional com a sociedade. Os anteriores ocorreram em Santa Maria, Novo Hamburgo, Caxias do Sul e Pelotas.

“Conclamamos desde já os sindicatos e as federações, especialmente da região de Passo Fundo, a participarem ativamente do encontro, mostrando a necessidade do reajuste de 11,55% para o chamado piso regional, que beneficia cerca de 1,5 milhão de trabalhadores gaúchos”, ressaltou Antônio.

 

Fonte:  CUT-RS