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Indignados com falta da água, moradores da Lomba do Pinheiro protestam contra Marchezan

11 fevereiro, segunda-feira, 2019 às 7:51 pm

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Cadê nossa água

Cadê nossa água

Sul21 – Cansados dos constantes problemas de falta no abastecimento de água, moradores da Lomba do Pinheiro organizaram nesta segunda-feira (11) uma carreata por diversas ruas de Porto Alegre e um protesto diante da Prefeitura para cobrar uma solução do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB).

Os moradores, que levaram baldes vazios para o ato diante do Executivo municipal, falam que a falta da água costuma se estender por vários dias seguidos e, para piorar, eles sequer seriam avisados sobre os momentos em que o abastecimento é cortado e retomado.

Composta por três ônibus e dezenas de veículos, a carreata teve início por volta, das 15h30, na Lomba do Pinheiro. A primeira parada do protesto foi diante da sede do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), localizado na Av. 24 de outubro.

Após um abraço coletivo ao departamento, a carreata se dirigiu ao Paço Municipal, onde chegou pouco antes das 17h com um buzinaço. Logo em seguida, moradores desceram dos ônibus e iniciaram um ato com o apoio de um carro de som, onde lideranças comunitárias relataram a precariedade da situação vivida pela região neste verão.

Uma das participantes do protesto, Isabel Adriana Klein, que há cerca de 20 anos mora na Vila Mapa (uma das diversas comunidades que compõe a Lomba), diz que a falta de água na Lomba do Pinheiro é um problema recorrente nos verões, mas que tem piorado nos últimos anos. “A cada ano começa mais cedo a falta da água e vai aumentando os dias que vão ficando sem”.

Isabel Adriana relata situação precária vivida pelos moradores | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Ela descreve uma situação em que a falta da água é praticamente diária. “Falta água pela manhã e, geralmente, volta de madrugada, mas tem vezes que só volta no dia seguinte e, logo depois, já falta de novo”, diz. Segundo ela, o problema afeta principalmente os moradores das regiões mais altas da Lomba do Pinheiro. “Quando vem a água, vem só um fiozinho”.

“A água é uma necessidade básica de qualquer ser humano e quando elas nos é negada acaba nos atrasando em todos os aspectos. É filho que tu não consegue mandar para o colégio porque o colégio fechou por falta de água, é o morador que sai para trabalhar e não consegue tomar o seu banho, a casa fica atulhada de louça, o banheiro que fica com um fedor insuportável. É desagradável em todos os aspectos”, diz. “Não tendo água, a tua vida para. Como tu vai sair de casa sabendo que o teu filho está sem água, que tu vai voltar e continua na mesma situação, que vai continuar por dois, três dias? Então, é uma coisa horrível, só quem vive sabe”.

O DMAE afirma que a origem do problema está concentrada na Estação de Tratamento de Água Belém Novo, na Zona Sul, que chegou ao limite devido ao elevado consumo. Segundo o departamento, a falta de recursos fez com que a autarquia não pudesse realizar reparos identificados já em 2012.

Francisco Geovani entregou ao prefeito um documento com alternativas para ajudar a solucionar o problema | Foto: Joana Berwanger/Sul21

No dia 1º de fevereiro, o prefeito Marchezan disse que a solução do problema passa pela construção da Estação de Tratamento (ETA) da Ponta do Arado, uma obra estimada em R$ 230 milhões e que a Prefeitura espera obter financiamento do governo federal para realizar.

Na ocasião, Marchezan reconheceu que trata-se de uma situação desumana, mas disse que, sem a ETA, a Prefeitura pode apenas fazer pequenos investimentos para tentar solucionar demandas pontuais dos moradores. “A única solução definitiva que se verifica hoje é a construção da ETA, cujo projeto foi apresentado em 2017 e a gente espera que neste primeiro semestre seja assinado”, disse.

Nesta segunda, o prefeito recebeu uma comissão de moradores que participavam do protesto no Paço Municipal. Coordenador do Conselho Popular da Lomba do Pinheiro, Francisco Geovani de Souza foi um dos participantes da reunião. “A gente não suporta mais ficar nessa situação de falta da água. Chega de noite para tomar banho e não tem água, de manhã para trabalhar também não tem”, diz.

Ele entregou um documento apontando alternativas para ajudar a solucionar o problema da falta de água. “Nós precisamos imediatamente que o prefeito faça a ativação dos reservatórios de água que estão parados, desativados. É uma região que cresce e, em vez de aumentar a capacidade do abastecimento de água, ele reduz.

A barragem da Lomba do Sabão, que era uma alternativa que a gente tinha de água potável que abastecia 30% da população, ele desativa. Aumenta o número de moradores porque, nos últimos dez anos, pelo menos 12 grandes condomínios foram aprovados e a população cada vez mais, no verão, fica sem a dignidade de ter o direito à água potável”.

Nelson Cunico diz que a falta de água também é comum na região do Partenon | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Morador do bairro São José, Nelson Cunico foi ao protesto com um cartaz (acima) indicando que a Lomba não é a única região da cidade a sofrer com constantes cortes no abastecimento. “Não é tantos dias seguidos como na Lomba. Um dia falta e no outro vem, mas inclusive está faltando água lá nesse momento”, disse Nelson durante o protesto.

Decisão judicial

Também nesta segunda, o juiz de direito Vanderlei Deolindo determinou em caráter liminar que a Prefeitura é obrigada a restabelecer o fornecimento de água nas regiões da Lomba do Pinheiro e Pitinga, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento. A

decisão responde a uma ação ajuizada pelo vereador Mauro Zacher (PDT), que participou do ato diante da Prefeitura, assim como a ex-vereadora Sofia Cavedon (PT), agora deputada estadual, e a deputada federal Maria do Rosário (PT).

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Confira mais imagens do protesto de  Joana Berwanger/Sul21:


Foto: Joana Berwanger/Sul21

Foto: Joana Berwanger/Sul21

Fonte: Luiz Eduardo Gomes – Sul21