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Há 18 anos, no governo Britto, Bradesco comprava seguradora que pertencia ao Banrisul por R$ 50,1 milhões

27 novembro, sexta-feira, 2015 às 5:08 pm

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União de Seguros

União de Seguros

Hoje, ao analisar a entrega da Companhia União de Seguros Gerais ao Bradesco, cujo controle acionário pertencia ao Banrisul, se tem ainda mais certeza do péssimo negócio feito há 18 anos, no governo Antonio Britto (PMDB). O caso volta à tona com a possível votação, na Assembleia Legislativa, no dia 1º de dezembro, dos PL 208/2015 e 304/2015, que criam duas subsidiárias do Banrisul, uma de seguros e outra para emissão de cartões, sem qualquer medida protetiva de venda. Um outro fato faz a luz vermelha ficar ainda mais forte: o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Mota, estava à frente da seguradora na época de sua venda.

No dia 20 de novembro de 1997, o Bradesco confirmava a compra da Companhia União de Seguros Gerais, empresa responsável por quase 13% do mercado gaúcho de seguros, o que representava vendas anuais de R$ 100 milhões. O que impressionou na época não foi somente o baixo valor pago pelo Bradesco – apenas R$ 50,1 milhões. As críticas repudiavam a necessidade de se desfazer de uma empresa que exploraria um mercado em potencial.

“Com o plano real, a inflação estava estável e a tendência do mercado de seguros era crescer”, lembra a diretora da Fetrafi-RS, Denise Correa. Já para a diretora de Comunicação do SindBancários, Ana Guimaraens, a venda da empresa indicava uma iminente privatização do Banrisul. “O Bradesco queria comprar o banco, só não conseguiu graças à pressão exercida pela sociedade e entidades organizadas, como o SindBancários. De consolação, ficou com o embrião da Bradesco Seguros no Rio Grande do Sul”, analisa.

A venda levou o Bradesco para dentro do Banrisul, dando acesso ao cadastro de clientes, por exemplo. Mas a tentativa de privatização do banco dos gaúchos seria brecada logo em seguida, com a eleição de Olívio Dutra (PT) como governador do Estado. Em 2002, foi aprovada, pela Assembleia Legislativa, a PEC protetiva que só permite a privatização do Banrisul após um plebiscito com a população.

Dia 1º de dezembro pode ser decisivo

O SindBancários pede que os bancários e a sociedade em geral enviem e-mail para os deputados estaduais, cobrando a aprovação das emendas protetivas que impedem a venda das subsidiárias e que asseguram a administração das novas empresas pelo próprio banco. Há perigo de venda assim que as empresas forem criadas.

Em outubro, em plena Campanha Salarial, o governador José Ivo Sartori (PMDB) e o presidente do Banrisul, Gonzaga Mota, se reuniram com o presidente do Santander Brasil, Jesus Zabalza, e o presidente do Conselho de Administração e futuro presidente do Santander, Sérgio Rial.

Conforme notícia publicada no site do governo do Estado, a audiência no Palácio Piratini teve como tema a trajetória do Banco Santander e os futuros projetos do Banrisul, que tramitam na Assembleia Legislativa, como a Banrisul Cartões e a Banrisul Seguradora. Esses foram assuntos da reunião, assim como “cooperação entre as duas instituições financeiras que possam favorecer o desenvolvimento de ambas”, diz a matéria.

 

Fonte: CUT-RS com SindBancários