Central Única dos Trabalhadores

Greve vitoriosa de duas horas dos aeroviários e aeronautas reforça luta por reajuste de 11%

3 fevereiro, quarta-feira, 2016 às 2:03 pm

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Aeronautas e aeroviários realizaram uma greve vitoriosa de duas horas na manhã desta quarta-feira (3) contra a intransigência das empresas aéreas nas negociações salariais. Eles paralisaram, das 6h às 8h, um total de 12 aeroportos do país, incluindo o Salgado Filho, em Porto Alegre, como forma de pressionar as empresas aéreas a avançar no diálogo com as entidades sindicais e conquistar o reajuste de 11%. A data-base das duas categorias é 1º de dezembro.

Na capital gaúcha, nenhum voo decolou nesse período. A consequência da greve, em todo país, será o atraso da maioria dos voos, num efeito em cascata, afetando toda a malha aérea.  De acordo com os dirigentes sindicais, todas as exigências legais foram cumpridas, inclusive em relação à liminar despachada nesta terça-feira (2), que limitou a paralisação a 20% do efetivo.

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Após a greve, os aeronautas reuniram-se em assembleia e definiram suspender o movimento de greve até o próximo dia 11. A expectativa é de que, até lá, seja possível evoluir nas negociações com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA).

A decisão foi tomada após contato do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) com o TST e o Ministério Público do Trabalho (MPT), quando os trabalhadores solicitaram aos órgãos que realizem nova audiência de mediação com as empresas aéreas, até o dia 10, visando um acordo que evite novos protestos nos aeroportos.

Se não houver avanços, já está programada assembleia de aeronautas e aeroviários no dia 11 para determinar nova greve no dia 12. A campanha salarial é unificada e coordenada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil, que reúne os sindicatos cutistas de aeroviários e o SNA.

O objetivo dos trabalhadores é garantir a reposição da inflação do período (de dezembro de 2014 a dezembro de 2015), retroativa à data-base (1º de dezembro), através de um reajuste de 11%. As empresas aéreas, no entanto, oferecem reajuste parcelado (que ficaria abaixo da inflação, levando-se em consideração as datas propostas) e desconsideram a data-base, o que não é aceito por nenhuma das duas categorias.

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A mobilização no Salgado Filho contou com o apoio da CUT-RS e vários sindicatos e federações. “Não existe crise no setor aéreo. Milhões de brasileiros continuam viajando de avião. O que existe é a ganância das empresas aéreas que querem baixar a remuneração dos trabalhadores para aumentar os seus lucros”, criticou o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr. “Os aeroviários e os aeronautas estão de parabéns pela força da mobilização, que foi um duro recado aos patrões de que exigem respeito, valorização e dignidade e de que não aceitam a precarização do trabalho e a volta do arrocho salarial”, salientou.

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Nesta manhã, além de Porto Alegre, houve greve em Congonhas, Campinas e Guarulhos (SP), Santos Dumont e Galeão (RJ), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Recife (PE), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Brasília (DF). Os tripulantes não assumiram seus postos nas aeronaves e reuniram-se com os aeroviários (que atuam em terra) nos saguões dos terminais, onde permaneceram unidos e mobilizados, e comunicaram à população o motivo da greve.

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Fonte: Sindicato dos Aeroviários de POA-RS