Central Única de Trabalhadores

Greve da educação no RS já é uma das maiores na história do estado

29 novembro, sexta-feira, 2019 às 5:39 pm

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Bonitinho (2)

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A greve da educação pública estadual do Rio Grande do Sul, iniciada no dia 18 de novembro, já é considerada uma das maiores na história da categoria no estado. De acordo com levantamento do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato), até esta sexta-feira (29), eram 1.556 escolas em greve, sendo que 788 totalmente fechadas.

Estudantes, pais e mães de alunos e até o comércio das cidades manifestaram apoio ao movimento. Em diversas cidades do estado foram realizadas passeatas, com presença dos próprios estudantes, que levaram cartazes com frases de protesto contra o governador Eduardo Leite (PSDB).

Mesmo em pequenos municípios, onde nunca houve greve, escolas estão sem aulas e a população está participando dos protestos.

A greve tem como motivo principal o pacote de medidas do governo do estado que desmonta o plano de carreira dos professores. Uma das propostas é de incorporação de gratificações aos salários o que, segundo o sindicato, nada mais é do que “fazer de conta que o piso nacional da categoria está sendo cumprido”.

Os projetos incluídos no pacote, que atingem todos os professores do ensino público, inclusive os aposentados, com a cobrança de alíquota previdenciária, foi enviado à Assembleia Legislativa, em caráter de urgência, e devem ser votados até o dia 17 de dezembro.

Além de protestar contra as medidas de Eduardo Leite, os professores e funcionários de escolas também pararam porque não têm reajustes salariais há cinco anos e os salários estão sendo pagos com atrasos e em parcelas há 47 meses. Já há relatos, segundo a assessoria do sindicato, de suicídio de trabalhadores.

A presidenta do Cpers Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, diz que o governo, de forma irresponsável, afirma que a greve não tem justificativa. “Se a vida estivesse fácil, essa greve não teria essa proporção. É uma greve diferenciada que recebe apoio da sociedade gaúcha.”

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A dirigente sindical ainda reforça o aviso ao governador Eduardo Leite de que a categoria não vai se calar diante dos ataques aos direitos dos professores e que não aceitará que o governo tire salário de quem já não tem, se referindo ao corte do ponto dos educadores anunciado pelo ocupante do Palácio Piratini.

Apoios

A greve tem o apoio da sociedade na capital e no interior e de diversas entidades, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), filiada à CUT. Em nota, a CNTE afirmou que é rígida a medida que põe fim às progressões de carreiras e que ao acabar com as gratificações o governador criará uma distorção sem precedente na organização de carreiras do estado.

Outras entidades como sindicatos de professores, do funcionalismo público e de outras categorias, além de associações de pais de alunos também se manifestaram solidários aos trabalhadores da educação do Rio Grande do Sul.

Também houve manifestações favoráveis por parte da  Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), que divulgou nota de apoio ao magistério público estadual, enquanto vereadores de 217 municípios aprovaram moções de repúdio aos projetos de Leite.

Paralelamente, a bancada do MDB, a maior da base governista com oito deputados, divulgou nota manifestando contrariedade às propostas e que, diante da pressão da greve, os oito deputados do partido não votarão a favor do pacote.

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Negociação

Ainda de acordo com informações do Cpers Sindicato, Eduardo Leite já fala em “atenuar” as medidas, mas o Comando de Greve confirma que qualquer perspectiva de negociação com o governador depende da retirada dos projetos da pauta da Assembleia Legislativa.

“Nenhum diálogo é possível sem, antes, tratar das reivindicações urgentes da categoria: salário em dia, reajuste já e nenhum direito a menos. A educação merece respeito”, afirma a presidente do sindicato.

Na próxima terça-feira, 3 de dezembro, será realizado um ato estadual em Pelotas, terra do governador.

 

 

Fonte: André Accarini – CUT Brasil