Central Única de Trabalhadores

Greve de 54 dias dos educadores do RS trouxe avanços e demonstrou a força da categoria

12 julho, terça-feira, 2016 às 9:07 pm

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Greve Cpers1

Greve Cpers1

A intransigência e o descaso do governo Sartori (PMDB) e seus aliados com os educadores e a educação pública fizeram com que professores e funcionários de escola realizassem uma das mais longas greves dos últimos 25 anos. Foram 54 dias de paralisação. Desde 1991, quando o Magistério público gaúcho parou por 74 dias, os educadores não realizavam uma mobilização tão extensa e forte.

Do dia 13 de maio, após o encerramento da Assembleia que decretou a greve da categoria, até o dia 13 de junho, foram realizadas quatro reuniões entre o Comando de Greve do CPERS e representantes do governo sem que em nenhuma delas o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, comparecesse e sem nenhuma proposta por parte do governo. Após um mês de greve e sem que o governo abrisse a Mesa de Negociação, os educadores ocuparam o CAFF por cinco dias.

Essa ação impulsionou ainda mais as mobilizações, que já estavam sendo realizadas por todo o Estado. Enquanto o Comando de Greve permanecia no CAFF, do lado de fora crescia a solidariedade à luta dos educadores. No interior do Estado, os Núcleos do CPERS realizaram diversas ações em apoio ao Comando e para denunciar o descaso do governo com estudantes, professores, funcionários, pais e comunidade escolar.

Apoio histórico dos estudantes e da comunidade escolar

Dois dias antes dos educadores decretarem greve, os estudantes gaúchos deram início a uma manifestação nunca vista antes no Estado: a ocupação das escolas pelo direito a uma educação pública de qualidade. No total, foram quase 200 escolas ocupadas em todo o Estado. Diante da intransigência do governo, os estudantes também realizaram a ocupação da Assembleia Legislativa.

A força dos estudantes fez com que o governo atendesse algumas de suas reivindicações, através de uma carta compromisso.

Os estudantes, além de apoiar a greve dos educadores, trouxeram à tona os problemas que ficavam escondidos entre as quatro paredes das escolas e escancaram o sucateamento das escolas públicas. Pais e comunidade levantaram-se e juntaram-se à causa, engrossando as fileiras em defesa da educação.

Resistência trouxe avanços e abertura da Mesa de Negociação

A resistência dos educadores fez com que o governador José Ivo Sartori manifestasse publicamente que iria negociar com os educadores. Após permanecerem cinco dias no local, dois desses sem água (cortada a mando do governo), enfrentando ameaças como a entrada de forte aparato policial no CAFF, os educadores saíram do local com a garantia de uma reunião que apresentaria, finalmente, propostas concretas.

Na ocasião, foi entregue um documento ao Comando de Greve com respostas à pauta de reivindicações da categoria. Após inúmeras solicitações de reformulação do texto, pelo Comando de Greve, para que as garantias que o governo apontava ficassem mais claras, a categoria aprovou o documento na Assembleia realizada no dia 7 de julho.

“A união estabelecida entre pais, alunos, professores e funcionários foi o principal ganho da nossa mobilização.  Houve capacidade de diálogo sobre a importância da greve, sobre o direito de greve. Colocamos a educação no centro das discussões do Estado, denunciamos a situação caótica em que nos encontramos e mostramos nossa busca incessante pela negociação e nossa garra em lutar pelos nossos direitos. Avançamos, demos passos importantes. Continuaremos firmes para buscar todos os nossos direitos. Já dissemos claramente ao governo que não abrimos mão de discutir a nossa questão salarial”, afirma a presidenta do CPERS Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, ressaltando que a paralisação também se tornou possível pelo diálogo da direção com a base.

— Acredito que qualquer movimento tem que ser construído no chão da escola — acrescenta Helenir.

Avanços

- Abertura da Mesa de Negociação com o governo;
- Fim do Reenquadramento do Difícil Acesso;
- Pagamento dos dias parados aos grevistas;
- Repasse das verbas para a merenda e a manutenção das escolas;
- Prorrogação dos prazos de validade dos concursos vigentes (funcionários de escola);
- Comprometimento do governo em nomear professores e funcionários de escola nas escolas em que houver necessidade;
- Adiamento das discussões sobre o PL 44, que privatizaria escolas e setores do serviço público estadual;
- Garantia da não criminalização de educadores e estudantes que participaram da greve e das ocupações.

 

 

Fonte: Cpers Sindicato