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Governo Sartori recua ao anunciar adiamento da venda de ações do Banrisul

6 dezembro, quarta-feira, 2017 às 4:49 pm

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Banrisul prédio

Banrisul prédio

A tendência que vinha se consolidando, desde que o governo Sartori (PMDB) anunciou a intenção de vender ações do Banrisul e que o movimento sindical vem avisando, se confirmou nesta terça-feira (6). O Palácio Piratini anunciou que não irá mais colocar à venda as ações do Banrisul. Isso porque a avaliação dos papéis na Bolsa de Valores está bem abaixo do valor patrimonial.

Nesta terça, às 16h43, as ações estavam cotadas a R$ 14,22, segundo o site Infomoney, muito abaixo do valor patrimonial, que é de R$ 17.

A queda no valor das ações fechou o dia no pregão de -0,21%, mas chegou a acumular perdas de 1,4% na abertura dos negócios. O valor de fechamento é 17,6% inferior ao valor patrimonial.

A notícia foi publicada pela jornalista Taline Oppitz, do jornal Correio do Povo. Segundo a jornalista, o governo do Estado teria recuado, mas não desistido. A informação do governo Sartori é de que irá esperar o valor das ações subir para tentar nova oferta.

Venda de ações é mau negócio

“Estamos dizendo desde o começo que vender as ações seria um mau negócio para o Banrisul. Já havia uma tendência de queda e uma reação quase que indiferente do mercado. Certamente, esse valor de R$ 14 não dá nem para pagar uma folha de pagamento dos servidores públicos. O Banrisul tem que ser fortalecido e não entregue a troco de banana por um governo, que só falou em crise e não teve nenhum projeto para tirar o Estado da crise financeira”, avaliou o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Everton Gimenis.

Desde outubro, o mercado sinalizou para uma certa indiferença à oferta de ações. O governo pretendia arrecadar cerca de R$ 3 bilhões. Mas a expectativa de especialistas e de agências de avaliação de risco era de que o negócio ficasse entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. Além de ser um mau negócio, o volume de venda de ações preferenciais e não preferenciais deixaria o governo com apenas 25,5% do capital do Banrisul.

Um alto risco para a autonomia do banco. Qualquer grande comprador que aceitasse comprar os papéis poderia buscar mais adiante ações com pequenos investidores e ficar com a maior parte do banco. Além disso, a venda das ações abriria duas vagas no Conselho de Administração do Banrisul para representantes do “mercado”, o que poderia comprometer as decisões estratégicas.

Coleta de assinaturas não pode parar

Se vender não tem mais volta

O SindBancários alerta que os banrisulenses precisam ficar atentos para os desdobramentos desse negócio. A mobilização em defesa do Banrisul público é permanente. Os mercados costumam ser muito voláteis e, a qualquer momento, poderá haver condições favoráveis.

É preciso ter atenção para os chamados do Sindicato e continuar buscando assinaturas para a campanha do Projeto de Lei de Iniciativa Popular, o PLIP. São necessárias 70 mil assinaturas para que possa ser apresentado na Assembleia Legislativa. O PLIP pretende alterar a Constituição Estadual e incluir artigo que impeça o governo do Estado de ficar com menos de 51% das ações totais do Banrisul.

 

Fonte: SindBancários