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FEE-RS aponta que emprego fica estável em 10,2% em novembro, mas renda cai em Porto Alegre

23 dezembro, quarta-feira, 2015 às 8:56 am

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Economia

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O número de ocupados na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) reduziu em 18 mil pessoas em novembro, enquanto o volume de trabalhadores que saíram do mercado foi de 17 mil no mesmo período, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego da RMPA, divulgada nesta terça-feira (22). Com isso, o contingente de pessoas em busca de emprego na Grande Porto Alegre aumentou de 188 mil em outubro para 189 mil em novembro, e a taxa de desemprego passou de 10,1% para 10,2% entre um mês e outro.
“Fizemos o trabalho mapeando por faixa etária, e foi constatado que praticamente a metade (9 mil) das pessoas que saíram do mercado neste período tem mais de 60 anos”, detalha a economista e pesquisadora da Fundação de Economia e Estatística do Estado (FEE-RS), Iracema Castelo Branco. De acordo com a pesquisadora, o mesmo aconteceu em outubro.
“Nós atrelamos isso à aposentadoria. É bem possível que isso esteja ocorrendo por conta da mudança da regra dos 85/95, em que as pessoas com mais anos de contribuição acabam se beneficiando, comparativamente ao fator previdenciário”, avalia Iracema. A economista observa que “faz sentido” que trabalhadores com idade suficiente e muitos anos de contribuição estejam optando por se aposentar neste período, com receio que ocorram outras mudanças nas regras da Previdência.
Dos 18 mil postos de trabalho fechadas em novembro, 14 mil foram no comércio. “Comparando com o mesmo período de 2014, a redução de vagas neste setor foi de 49 mil”, destaca Iracema. “Observando o cenário econômico de 2015, com crise política e econômica, é natural que as pessoas tenham receio de comprar”, completa a economista. Além disso, a redução da renda também afetou o desempenho do comércio, refletindo na redução do nível ocupacional deste setor. “A massa de rendimentos da RMPA em 2015 é muito inferior à dos anos anteriores (2014, 2013, 2012)”, aponta a pesquisadora.
A massa de rendimentos reais reduziu em 2,6% para ocupados em novembro – sendo que os assalariados perderam em 2,3%, e os autônomos sofreram com queda média de 4,9% da renda. “A política econômica adotada a partir de 2014 – com o ajuste – acabou intensificando a desaceleração da economia, que chegou ao estágio de recessão, com reflexo direto no mercado de trabalho”, avalia Iracema.
Para a pesquisadora da FEE, a relativa estabilidade da taxa de desemprego dos últimos três meses de 2015 não deixa de ser um bom sinal, apesar de estar “bem acima da média” do último trimestre de 2014. “Ainda é cedo para fazer estimativas, porque o cenário político não está resolvido, o que deixa os dados da economia instáveis”, pondera.
Iracema destaca que também a economia gaúcha teve uma redução de 3,4% do PIB do terceiro trimestre, e que isso se refletiu em uma baixa contratação de temporários para o comércio no final de ano. “Outro setor que sofreu ao longo do ano foi a indústria, que perdeu 31 mil trabalhadores no período”, lembra a pesquisadora. Já o setor de serviços teve comportamento positivo, tendo absorvido nove mil pessoas entre outubro e novembro deste ano.
Fonte: Jornal do Comércio