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Facebook – Moisés Mendes: Precisamos saber mais de Teori

22 junho, sábado, 2019 às 6:20 pm

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Teori

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Teori Zavascki morreu como uma figura controversa. Muitos, e não só políticos mas também juristas, entendem que ele poderia ter sido mais duro com os desmandos de Sergio Moro.

Tantos outros entendem que foi lento e muitas vezes omisso em relação às provocações da Procuradoria-Geral da República. Teori determinou, por exemplo, o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara quando o golpe contra Dilma já estava em andamento e quase consumado. 

O pedido do Ministério Público foi feito em dezembro de 2015, e Teori concedeu a liminar em maio de 2016. Um mês antes Cunha havia comandado a sessão que acolheu o processo de impeachment.

É Teori quem, como relator da Lava-Jato, repreende Sergio Moro por ter grampeado e divulgado o diálogo de Dilma Rousseff com Lula. Mas Moro continua agindo como bem entende na Lava-Jato, sem muitas restrições. O juiz nunca foi punido.

Mas o que os diálogos revelam agora é que de alguma forma Moro e Dallagnol temiam Teori e adoravam Fux. O que as conversas não explicitam é que o ministro estava sozinho no enfrentamento do poder do juiz que mandava no procurador e pretendia mandar no Supremo.

Teori foi até onde achava que poderia ir, para confrontar Moro com seus delitos, mas sabia que não poderia ir adiante. Se fosse, poderia ficar sozinho, como ficou em Porto Alegre o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ao conceder o habeas a Lula.

Pelo que já foi revelado, talvez nem seja o caso de se perguntar mais uma vez se a morte de Teori foi mesmo um acidente, como muitos estão fazendo. Mas parece ser a hora da imprensa resgatar a figura de Teori como o juiz mais atormentado do Supremo durante a Lava-Jato, pela tarefa que assumiu, pelas afrontas de Moro, pela omissão dos colegas.

A memória de Teori merece mais do que sabemos dele. É de se esperar que um jornalista inspirado nos últimos movimentos do Intercept se dedique a saber o que Teori passou no Supremo que nós não ficamos sabendo. Que ouça assessores, familiares, amigos e confidentes do único juiz que pelo menos tentou frear Sergio Moro.

Se ainda estivesse aqui, Teori Zavascki talvez tivesse evitado que a Lava-Jato se transformasse no que acabou virando, um reduto de arbitrariedades e conluios agora denunciados. Quanto mais passa o tempo, mais aprendemos a entender e respeitar a figura de Teori.

 

 

Moisés Mendes é jornalista e colunista do Extra Classe.

 

 

Fonte: Facebook