Central Única de Trabalhadores

Escritor Fernando Morais e jornalista Audálio Dantas deixam PMDB. “Acabou!”

21 maio, sábado, 2016 às 6:30 pm

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Morais

Morais

“Acabou!”, exclamou o jornalista e escritor Fernando Morais aos rasgar em público a sua ficha de filiação ao partido. Morais revelou que sua adesão foi abonada em 1974 pelo ex-deputado Airton Soares. “Na época, militávamos numa legenda democrática, generosa, que deu proteção a grupos políticos”, afirmou Morais.

Entre 1964 e 1980, a ditadura impôs ao Brasil um regime de bipartidarismo. A Arena reunia os apoiadores do regime e o MDB funcionava como uma frente, abrigando de conservadores liberais a militantes de partidos clandestinos, como PCB e PCdoB.

Os principais expoentes do PMDB são Michel Temer, Eduardo Cunha, Wellington Moreira Franco, Eliseu Padilha e Romero Jucá. São também os principais articuladores do golpe legislativo que afastou a presidenta Dilma Rousseff. E os principais condutores do governo interino a uma onda de retrocessos – políticos, sociais, institucionais – que põe em xeque a democracia brasileira.

O também jornalista Audálio Dantas também anunciou sua desfiliação. “As conquistas que vieram das ruas não poderão ser eliminadas por um bando de aproveitadores. O povo brasileiro mais uma vez repele a tentativa de supressão de seus direitos e de sua liberdade”, disse o veterano jornalista, de 87 anos.

Dantas foi o primeiro presidente eleito por voto direto da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e chegou a ser eleito deputado federal pelo MDB nos anos 1970.

Os dois jornalistas participaram do Grito pela Democracia, evento que ocorreu na tarde deste sábado (21) na Casa de Portugal, bairro paulistano da Liberdade.

Foto de Roberto Parizzotti

ficha de filiação

Ficha de filiação rasgada por Fernando Morais era de 1974

Novas manifestações

O coordenador da Central de Movimentos Populares Raimundo Bonfim, um dos líderes da Frente Brasil Popular (FBP), informou um novo dia nacional de protestos e paralisações foi marcado para o próximo 10 de junho, juntamente com a Frente Povo sem Medo. As duas frentes reúnem mais de 80 entidades da sociedade civil.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da reunião com a FBP na tarde de hoje. Segundo Bonfim, quem acha que os movimentos que resistem ao golpe estão desanimados está enganado. “Nós acreditamos que é possível reverter o golpe e resistir aos ataques desse governo golpista transitório”, disse.

Também presente ao Grito pela Democracia, o poeta Sérgio Vaz, idealizador do Sarau da Coperifa, na zona sul da capital, declamou um poema e encerrou sua fala dizendo que um país sem democracia é ilegal. “O Brasil está hoje na ilegalidade.”

 

Fonte: Rede Brasil Atual