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Enquanto Paim vota contra o impeachment no Senado, Ana Amélia e Lasier são golpistas

12 maio, quinta-feira, 2016 às 10:30 am

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senadores gaúchos

senadores gaúchos

A abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que representa um golpe contra a democracia brasileira, foi aprovada na manhã desta quinta-feira (12) por 55 votos favoráveis, 22 contrários e 2 abstenções. Entre os senadores gaúchos, o placar foi 2 a 1, com Ana Amélia (PP) e Lasier Martins (PDT) a favor do golpe em curso e Paulo Paim (PT) contra.

“Parabenizamos o senador Paim pelo voto contrário ao golpe, mostrando assim, mais uma vez, toda a coerência, firmeza e compromisso com a defesa da democracia e dos direitos sociais e trabalhistas, que estão ameaçados pelo golpe parlamentar, jurídico e midiático em curso contra a presidenta Dilma, eleita com 54 milhões de votos de brasileiros e brasileiras”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

“Repudiamos com veemência o comportamento golpista e os votos favoráveis da senadora Ana Amélia e do senador Lasier, que nunca se aproximaram das pautas da classe trabalhadora e que vivem representando os interesses e as pautas conservadoras das elites dominantes e da RBS no Senado”, disparou Claudir.

Antes da votação, os três utilizaram o direito de falar por 15 minutos.

Confira o que cada um disse a seguir, conforme edição do portal Sul21.

Ana Amélia Lemos

A senadora do PP teve a responsabilidade de ser a primeira oradora da sessão plenária na manhã de quarta-feira (11). Ao abrir seu discurso, ela disse estar convencida da existência de provas para que se dê prosseguimento ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“São graves os fatos imputados contra a senhora presidente da República. Diante de todo o material probatório produzido até aqui, há sim enquadramento típico e lastro de provas suficientes para admissibilidade do processo de impeachment, para que a presidente da República se defenda, com todas as garantias previstas na Constituição e asseguradas pelo Supremo Tribunal Federal”, disse.

A senadora fez críticas a gestão da economia no governo de Dilma Rousseff, lembrou do papel das redes sociais na mobilização do impeachment e ressaltou a responsabilidade do Senado ao assumir o papel de tribunal político. “Nós aqui não temos nenhuma alegria, não é feliz o momento de hoje, mesmo sabendo da responsabilidade que paira sobre o nossos ombros e da cobrança da sociedade, que tem pressa”, afirmou.

Ela ainda ponderou que o exame da denúncia que embasa o pedido de impeachment tem sido conduzido no Senado com respeito às leis, seguindo rito que assegura o amplo direito de defesa e de manifestação do contraditório.

Lasier Martins

O senador do PDT justificou sua posição de apoiar a abertura do processo de impeachment com a argumentação de que Dilma Rousseff cometeu crimes políticos e administrativos. Lasier afirmou que a presidente eleita não roubou pessoalmente, mas foi negligente em relação àqueles que roubaram e manteve “vínculos comprometedores”. “Sobram razões de cunho político para o exame que estamos fazendo, no governo Dilma, aliado ao governo Lula, tivemos a ruína da Petrobras. Se fosse uma empresa privada hoje estaria falida”, disse.

Lasier também acusou Dilma de se valer de uma “propaganda sedutora” na campanha para reeleição ao prometer superávit econômico, mas que, segundo ele terminou frustrando as expectativas do eleitorado, ao esconder a realidade financeira e “lançar o país no descrédito”. Ele citou o desprestígio internacional, o desemprego e a inflação como motivos para o impeachment.

“Dilma aniquilou a economia nacional. A presidente hoje não tem credibilidade, não tem apoios no Congresso Nacional, não tem planos, só coleciona déficits. E ainda há quem queira sua continuação. Ora, só se for para sepultar o país na sua decadência”, afirmou.

Paulo Paim

Já durante a madrugada desta quinta, o senador do PT fez um discurso emocionado em que destacou seus 30 anos de atividade parlamentar e disse que nunca viveu um momento “tão constrangedor”. Ele criticou o processo para afastar de “forma truculenta” uma presidente que foi eleita pelo voto popular. Para o parlamentar, o impeachment atenta contra a democracia.

O senador questionou a quem interessa o impeachment quando, segundo ele, a juventude, as mulheres, os artistas e até representantes dos empresários são contrários ao afastamento da presidente Dilma. O parlamentar também fez críticas ao programa do PMDB para a retomada do crescimento, chamado “Uma Ponte para o Futuro”. Paim alertou para as reformas previstas na Previdência, que devem elevar a idade mínima para a aposentadoria.

Paim ainda acusou os ex-aliados do governo de desrespeitar acordos, partidos que “até ontem estavam desfrutando do poder” e que no outro dia “fazem uma oposição ferrenha como se nada tivessem a ver aquilo”. “Eu não consigo de jeito nenhum aceitar o que está acontecendo. A democracia é a causa que dirige a liberdade, a igualdade, a justiça, os direitos humanos. É pela democracia que eu tenho a saúde, que eu tenho a educação, que eu posso estar nessa tribuna. Eu sou um amante da democracia e pela democracia eu dou a minha própria vida”, afirmou Paim.

 

 

Fonte: CUT-RS com Sul21 e Agência Senado