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Enquanto Bolsonaro fala em derrubar uso de máscara, Brasil passa de 171 mil mortos

27 novembro, sexta-feira, 2020 às 1:48 pm

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Teste de covid2

Teste de covid2

Mesmo com o Brasil contabilizando 171.497 vidas perdidas para a Covid-19 e 6.204.570 pessoas contaminadas até as 8h da manhã desta sexta-feira (27), com vários estados registrando um surto da doença, com aumento dos números de casos e mortes, possivelmente alguns já vivendo a segunda onda da pandemia, o governo federal ainda não tem um plano nacional de combate ao novo coronavírus.

Pior que isso, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), continua zombando da tragédia sanitária e do drama das famílias enlutadas, ignorando – e estimulando seus seguidores a fazer o mesmo – as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a disseminação do vírus, como evitar aglomerações, usar máscaras e álcool em gel.

Nesta quinta (26), ele disse que o uso de máscaras é "o último tabu a cair".

"A questão da máscara, ainda vai ter um estudo sério falando sobre a efetividade da máscara… é o último tabu a cair", afirmou.

No dia em que o presidente estimulou o fim do uso das máscaras, o Ministério da Saúde divulgou, às 20h, que o país tinha registrado 698 mortes em 24 horas, elevando a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias para 479. Desde o dia 15 de novembro o país vem registrando altas consecutivas no número de mortos em consequência da Covid-19.  

Nas 24 horas entre quarta e quinta-feira, foram confirmados 37.672 novos casos de pessoas contaminadas. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 31.640 novos diagnósticos por dia, a maior desde 16 de setembro.

Rio Grande do Sul

Pelo segundo dia consecutivo, o Rio Grande do Sul registrou recorde de pacientes internados em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) por covid-19, desde o início da pandemia. Na tarde desta quinta, a Secretaria Estadual da Saúde registrava 770 pessoas internadas em estado grave, superando a marca de 755 de ontem, que já havia sido maior que os números registrados no inverno.

Somados os 147 casos suspeitos da doença em leitos de UTI, o número chega a 917 pacientes. O agravamento da pandemia também é verificado pelo novo recorde de pacientes diagnosticados com covid-19 em leitos clínicos no estado, que chegou a 1.178 . Além disso, há 619 casos suspeitos nessa situação.

A taxa de ocupação de leitos de UTI, que ontem estava em 75,8%, alcançou 79,2% de ocupação na tarde desta quinta. A ocupação na rede pública está em 75,5% e na privada em 98.9%. Das 21 regiões covid, 7 estão com mais de 80% dos leitos ocupados: Uruguaiana, Cachoeira do Sul, Canoas, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Taquara e Capão da Canoa.

Em Porto Alegre, a taxa de ocupação também subiu se comparado com o dia anterior, chegando a 91,95% na tarde de hoje. Dos 697 leitos sob uso, 262 são de pacientes com diagnóstico confirmado para covid-19 e 16 com suspeita da doença. Nesta quarta, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) solicitou a representantes de hospitais da Capital a reabertura de leitos de UTI Covid. Inicialmente, serão mais oito leitos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e 20 no Hospital Vila Nova.

Foram registrados 47 óbitos registrados nas últimas 24 horas, conforme boletim da SES divulgado nesta quinta-feira (25). Com isso, sobe para 6.686 o número de vítimas por covid-19 no Rio Grande do Sul.

As vítimas fatais registradas hoje foram em Porto Alegre (12), Canoas (5), Viamão (3), Ijuí (3), Erechim(2), Tramandaí (2), Rosário do Sul (2), Lagoa Vermelha (2), Novo Hamburgo, Gravataí, Pelotas, Alvorada, Rio Grande, Cachoeirinha, Campo Bom, Santo Ângelo, Taquara, Charqueadas, Palmeira das Missões, São Lourenço do Sul, Estação, Arroio do Sal, Jaguari e Paraíso do Sul. 

O estado também já registra 308.647 infectados pela doença, com a confirmação de 2.491 novos casos pela SES. Dos confirmados, 284.992 (92%) são considerados recuperados.

Outros estados

O Rio de Janeiro, segundo estado mais afetado pela pandemia, que tem 346.024 casos confirmados e 22.394 óbitos desde o início da pandemia, vem registrando alta na média móvel de contaminações e mortes há dez dias.

O novo surto já preocupa médicos e autoridades da saúde do Rio. Somente nesta quinta-feira (26), foram registradas 138 mortes – aumento de 20% em relação ao dia anterior -, e 2.029 novos casos. A taxa de ocupação de leitos também subiu e em algumas cidades 97% dos leitos para Covid estão ocupados

Em São Paulo, estado mais afetado pela pandemia, com 1.229.267 casos e 41.773 mortes, as notícias sobre novo surto começaram com médicos de hospitais privados alertando que os leitos estavam lotados, depois a rede pública também admitiu o aumento, mas o governador João Doria (PSDB) não anunciou medidas mais duras de isolamento social.

Ele decidiu analisar os indicadores só na segunda-feira (30), um dia depois do segundo turno das eleições municipais. O candidato do PSDB, Bruno Covas, concorre com o candidato do PSOL, Guilherme Boulos no próximo dia 29.

O comitê de saúde que assessora o governo de São Paulo no combate à Covid-19 até recomendou, na terça-feira (24), um aumento nas restrições de circulação no estado para combater o avanço do coronavírus, mas não teve jeito.

Em SP, as internações por Covid-19 apresentaram alta pela segunda semana seguida, segundo dados divulgados na segunda-feira (23). Houve um aumento de 17% nas internações entre os dias 15 e 21 de novembro, após aumento de 18% na semana anterior, de 8 a 14 de novembro. Estados.

Médias de mortes no Brasil

Em comparação aos últimos sete dias, a média móvel de mortes subiu em dez estados: RS, SC, ES, MG, RJ, SP, AC, AM, CE e SE.

Ficou estável, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente, em outros sete estados: MS, PA, RO, BA, MA, PB e PE

E está em queda em 9 estados mais o Distrito Federal: PR, DF, GO, MT, AP, RR, TO, AL, PI e RN.

Confira percentuais de aumento feitos pelo G1:

 Sul

  • PR: -24%

  • RS: +42%

  • SC: +62%

Sudeste

  • ES: +51%

  • MG: +24%

  • RJ: +88%

  • SP: +44%

Centro-Oeste

  • DF: -23%

  • GO: -33%

  • MS: -12%

  • MT: -68%

Norte

  • AC: +20%

  • AM:+51%

  • AP: -26%

  • PA: +12%

  • RO: -8%

  • RR: -64%

  • TO: -53%

Nordeste

  • AL: -19%

  • BA: -1%

  • CE: +119%

  • MA: +6%

  • PB: -6%

  • PE: +3%

  • PI: -32%

  • RN: -63%

  • SE: +16%

 

Fonte: CUT-RS com CUT Brasil e Brasil de Fato