Central Única de Trabalhadores

Encontros no Uruguai definem ações internacionais de trabalhadores na Gerdau e na siderurgia

20 maio, sexta-feira, 2016 às 7:00 pm

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Rede Gerdau1

Rede Gerdau1

Foi encerrado nesta quinta-feira (19), em Montevidéu, capital do Uruguai, a 4ª Reunião dos Trabalhadores no Setor Siderúrgico da América Latina e Caribe, que debateu estratégias sindicais comuns e solidárias, a partir de um diagnóstico sobre a conjuntura do segmento.

A atividade foi precedida de uma reunião internacional da Rede de Trabalhadores na Gerdau, entre os dias 16 e 18, que reuniu representantes do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Canadá e Estados Unidos, e teve participação – via Skype – de representantes da Espanha.

Os dois eventos foram promovidos pela IndustriALL Global Union, a federação internacional dos trabalhadores na indústria, que foi representada pelo secretário geral adjunto, Fernando Lopes, e pelo coordenador para a América Latina e Caribe, Marino Vani.

Loricardo

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) foi representada pelo secretário-geral em exercício, Loricardo de Oliveira. Ele apresentou dados sobre a siderurgia no Brasil e também um panorama geral sobre a Gerdau e os as ações sindicais conjuntas que os trabalhadores têm feito nas plantas da empresa.

Loricardo, aliás, foi escolhido por unanimidade para dividir, nos próximos dois anos a coordenação do Comitê Mundial dos Trabalhadores na Gerdau com o atual coordenador Jorge García, que é do United Steel Workers (USW), sindicato dos trabalhadores em siderurgia dos EUA e Canadá.

“A escolha mostra o reconhecimento do trabalho da CNM/CUT e suas entidades para fortalecer a organização dos metalúrgicos na Gerdau e a sua rede sindical”, avaliou o dirigente da Confederação.

Seis sindicatos de metalúrgicos da CUT estiveram representados no encontro da Gerdau: Sorocaba e Pindamonhangaba (SP), São Leopoldo (RS) e Pernambuco.

Eles também participaram do evento do segmento siderúrgico. E a eles se somaram o presidente da Federação dos Metalúrgicos da CUT de Minas Gerais, José Wagner, e Osvair de Oliveira, coordenador da Rede Sindical Arcelor Mittal e da base dos metalúrgicos de Juiz de Fora (MG).

Loricardo apresentou os dados sobre as plantas da Gerdau no Brasil e as perspectivas dos trabalhadores.

Já os representantes dos sindicatos falaram sobre as realidades locais e o não-cumprimento das convenções coletivas, particularmente no que se refere ao reajuste salarial de 2015, assim como a intenção atual da empresa de cortar benefícios em todas as plantas. Fizeram relatos também sobre as mobilizações que têm sido feitas no Brasil.

Na avaliação do coordenador da Rede Sindical dos Trabalhadores na Gerdau no Brasil, Anderson Gauer (o Sorriso), o encontro foi muito positivo para que os participantes pudessem conhecer a realidade das plantas espalhadas pelo mundo. “Vimos que a prática da Gerdau de não respeitar direitos é comum em vários países, particularmente na América Latina, e que, diante disso, é fundamental a troca constante de informações entre nós para articular ações sindicais mais efetivas”, destacou Sorriso, que é metalúrgico na Gerdau de Sapucaia do Sul (base sindical de São Leopoldo).

Como gesto de união e solidariedade, os participantes do encontro da Rede também fizeram uma assembleia na portaria da Gerdau em Montevideo, que também serviu como protesto pelo fato da direção da empresa naquele país se recursar a receber a representação da IndustriALL para conversar. “Neste ato, foi reforçado a necessidade de solidariedade entre as plantas e a construção de um acordo marco internacional da Gerdau, a exemplo dos existentes em outras multinacionais do ramo metalúrgico”, afirmou Loricardo.

Metal1

Encontro do setor siderúrgico decidiu apresentar propostas ao Mercosul e ao Brics

Eles decidiram também que o próximo encontro do Comitê Mundial será em Minas Gerais, em data a ser definida. Entre as deliberações, os participantes aprovaram a elaboração de documento sobre as práticas antissindicais da Gerdau e propostas sobre o segmento siderúrgico a serem encaminhadas aos governos dos países integrantes do Mercosul. Além disso, serão feitos levantamentos detalhados sobre a situação dos trabalhadores em todas as plantas, com dados sobre a presença de jovens e mulheres, sindicalização e incidência de acidentes de trabalho.

José Wagner

Setor siderúrgico

No encontro do setor siderúrgico, foram debatidos os impactos no segmento da chamada indústria 4.0 (novo processo de automação, que também é considerado uma nova revolução industrial) e a conjuntura setorial dos países.

“O momento político brasileiro mereceu destaque, porque as consequências do que estamos vivendo causam reflexo nos demais países latino-americanos. Assim, as consequências de retrocessos nas relações de trabalho podem chegar nas plantas das siderúrgicas em todo o continente. O ataque aos direitos também se globaliza”, assinalou o presidente da FEM-CUT/MG, lembrando que a Gerdau, por exemplo, usa da mesma prática antissindical em vários países.

Loricardo de Oliveira apresentou na reunião as propostas entregues pela CNM/CUT ao governo brasileiro em fevereiro último (leia aqui). Os participantes decidiram que elas servirão de base para que os trabalhadores apresentem propostas aos governos de seus países.

Também definiram que Comitê dos Trabalhadores proporá uma reunião com a coordenadoria da indústria do Mercosul para apresentar a proposta de desenvolvimento visando a proteção da indústria do aço e os direitos dos trabalhadores. “Decidiu-se também que devemos propor um diálogo com os sindicatos dos trabalhadores no segmento dos países que integram o Brics (além do Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), para unificar e apresentar nossas propostas no debate sobre a indústria do aço entre governos e empresários desses países”, contou o dirigente da Confederação.

E, a exemplo do que vem acontecendo em outros eventos, ao final os participantes se manifestaram contra o golpe em curso no Brasil.

 

Fonte: CNM/CUT