Central Única de Trabalhadores

Empregados da Caixa protestam contra reestruturação e defendem banco público

13 fevereiro, quinta-feira, 2020 às 7:13 pm

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Ato da Caixa (3)

Ato da Caixa (3)

Em todo o Brasil, milhares de empregados da Caixa Econômica Federal vestiram preto da campanha #aCaixaétodasua nesta quinta-feira (13), Dia Nacional de Lutas, e protestaram contra a reestruturação e o fatiamento do banco público, que vem sendo promovidos pela atual gestão da empresa. Em Porto Alegre, foram realizados dois atos: um em frente ao Edifício Querência, na Praça da Alfândega, e outro na agência Marcílio Dias, ambos com boa participação de colegas da Caixa.

Fatos importantes antecederam o protesto. Na terça (11), a 6ª Vara do Trabalho de Brasília concedeu liminar suspendendo por 15 dias a reestruturação no banco, até que haja negociação com os empregados. Na quarta (12), houve a primeira reunião entre a direção da Caixa e empregados, que durou 11 horas. Não se pode chamar de negociação, porque a única coisa que a direção da Caixa fez foi dizer não.

Marcílio (3)

O que acontece na Caixa não é isolado

O representante dos gaúchos na Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Gilmar Aguirre, convocou os colegas para descerem e participarem do ato. “É muito importante a participação de todos os empregados nesses atos. O que está acontecendo na Caixa não é isolado, é um projeto nacional. Estão desmontando o Banco do Brasil, o INSS. As pessoas não conseguem mais se aposentar”, analisou Gilmar, que é também diretor da Contraf-CUT e da Fetrafi-RS.

A empregada da Caixa, diretora da Fetrafi-RS e do SindBancários, Caroline Heidner, pediu que todos os colegas leiam a liminar concedida pela Justiça, suspendendo a reestruturação. “O juiz diz que a Caixa não está respeitando os nossos direitos, que o banco precisa negociar com os empregados e que nem mesmo há tempo hábil para os bancários compreenderem e tomarem uma decisão. O pior é que, mesmo com decisão judicial dizendo que a empresa precisa negociar, seus representantes não negociaram, foram na mesma apenas dizer não”, observou.

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Já o empregado da Caixa e diretor do SindBancários, Guaracy Padilha, lembrou que a Caixa não é importante apenas para seus clientes, mas para todos os brasileiros. “O enfraquecimento da Caixa vai refletir no bolso de todos, nas condições das nossas famílias. Nossa luta é uma luta de toda população”.

Guará (2)

A empregada da Caixa, diretora de Juventude da Fenae e do SindBancários, Rachel Weber, observou que a Fenae está recebendo muitas fotos de empregados de todo o Brasil, vestindo preto e mostrando seu descontentamento com os rumos que a Caixa está tomando.

“Pedro Guimarães não é nosso presidente por acaso. Ele foi nomeado por Paulo Guedes, que quer privatizar tudo o que pode. Enquanto a direção da Caixa faz publicações internas dizendo que o banco está sendo fortalecido, vemos eles fatiando, preparando a venda das áreas mais lucrativas. Estão enfraquecendo a Caixa”, disse Rachel.

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Juntos em defesa da Caixa e dos bancos públicos

Além dos empregados da Caixa, funcionários de outros bancos e dirigentes de centrais sindicais estiveram presentes, apoiando a manifestação e defendendo as empresas públicas ameaçadas pela política de privatização dos governos Bolsonaro, Eduardo Leite e Marchezan.

O funcionário do Banrisul e secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, lembrou que o banco dos gaúchos também convive com reestruturações, que na verdade são desmontes. “Estão liquidando com as empresas públicas e com os serviços que o Estado presta à população. Com isso, estão também acabando com o Estado”, analisou. "Não podemos virar colônia", protestou.

As funcionárias do Banrisul e diretoras da Fetrafi-RS, Denise Correa e Ana Betim, ressaltaram também a importância da Caixa, que cumpre papel fundamental para o atendimento da população. Elas observaram que há espaço de atuação para todos os bancos estatais no mercado e defenderam a manutenção da Caixa 100% pública.

Povo da Caixa (3)

Luta contra sucateamento da Previdência

O secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, disse que "é preciso resistir e reagir nas mídias sociais, nas ruas e nas urnas em outubro, assim como já estão fazendo os petroleiros e as petroleiras que, apesar do silêncio da mídia tradicional, estão em greve nacional há 13 dias, lutando contra as demissões e em defesa da Petrobrás e da soberania nacional".

Ademir convocou os presentes para engrossarem o ato das centrais sindicais que será realizado nesta sexta (14), das 7h às 10h, em frente ao INSS, na Travessa Mário Cinco Paus, no centro da Capital. "Vamos nos manifestar contra o sucateamento da Previdência, que provocou o caos no atendimento, prejudicando cerca de dois milhões de brasileiros que não conseguem se aposentar, receber benefícios como pensões, auxílio-doença e licença-maternidade”, frisou.

O presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, afirmou que a Central está junto aos empregados da Caixa. “Estamos vendo um governo que tenta, de todas as formas, desmoralizar o servidor público, o que não aceitaremos”, afirmou.

Assista à transmissão da CUT

 

Fonte: CUT-RS com SindBancários