Central Única de Trabalhadores

Embargo à exportação de frango pode causar a demissão de 40 mil trabalhadores

20 abril, sexta-feira, 2018 às 5:01 pm

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Frangos abatidos

Frangos abatidos

Para traçar estratégias de combate ao desmonte da produção nacional provocada pela desastrosa administração do atual governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), a Contac-CUT vai reunir, na próxima terça-feira (24), em Porto Alegre, na sede da entidade, todas as federações do setor no país e a União Internacional dos Trabalhadores na Alimentação.

Nesta quinta-feira (19), a União Europeia (UE) proibiu 20 frigoríficos brasileiros de exportar carne de frango, sendo 12 da BRF das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O embargo por suposta contaminação de salmonella, que começa em 15 dias, pode deixar 40 mil trabalhadores e trabalhadoras do setor desempregados. Os frigoríficos estão lotados de frango e o mercado interno não absorve toda a produção.

Após o anúncio da medida da UE, a BRF anunciou férias coletivas de dois mil funcionários da unidade de Toledo (PR). Devem entrar em férias coletivas também os trabalhadores e trabalhadoras dos frigoríficos de Capinzal (SC), Rio Verde (GO) e Carambeí (PR). Dona das marcas Sadia e Perdigão, a BRF é também a maior exportadora de carne de frango do mundo, com vendas em cerca de 150 países – são 50 fábricas em oito países e cerca de 100 mil trabalhadores.

Para Siderlei Silva Oliveira, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação da CUT (Contac/CUT), a decisão da UE é resultado das medidas desastrosas tomadas pelo latifundiário e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP-RS), desde o início do ano passado.

O dirigente se refere à ação da Polícia Federal, que, em março de 2017, colocou nas ruas a Operação Carne Fraca, envolvendo 1.100 homens, na maior operação da história para vistoriar apenas 21 dos 4.800 estabelecimentos que processam carne no país.

A operação midiática misturou corrupção com problemas sanitários e o ministro se apressou em dar uma resposta, suspendendo as exportações de 21 frigoríficos, sendo três interditados: o frigorífico de aves da BRF, em Mineiros (GO), e dois frigoríficos do Peccin, em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba (PR).

Depois, teve ainda a Operação Trapaça, desdobramento da Carne Fraca, com a BRF como principal alvo, com a desculpa de investigar suspeitas de que laboratórios fraudavam resultados de exames para detectar a presença da bactéria salmonella nos produtos.

Na ocasião, lembra Siderlei, assim como ocorre em todas as áreas, a gestão do golpista Temer resolveu fazer uma “gambiarra” e, ao invés de apresentar estudos e provas da qualidade da carne brasileira, fez um corte para, aparentemente, demonstrar a seriedade com que o país trata a exportação do alimento.

O tamanho do prejuízo se sente agora e as consequências negativas, como a decisão desta semana da UE, continuam prejudicando o país e a classe trabalhadora, diz Siderlei, que está discutindo estratégias para defender os trabalhadores e as trabalhadoras.

“Além da reunião na próxima terça-feira, iremos nos reunir também com sindicalistas europeus para denunciar os prejuízos que a lambança dos golpistas e da própria atuação da PF estão causando aos trabalhadores brasileiros”, diz.

“Estamos falando de 40 mil chefes de família que podem perder o emprego se os desmandos desse ministro despreparado continuarem”.

Siderlei explica, ainda, que o embargo afetará também os produtores de aves, já que não poderão fazer o abate, gerando uma crise financeira sem precedentes no setor. “Está impedindo a exportação de 36% da carne de frango brasileira”.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, também acredita que a decisão da UE vai gerar demissões no setor. “Vai haver uma adequação das empresas que não vão produzir se não tiverem mercado”, diz.

Ele ressalta que o frango não oferece riscos à saúde e os brasileiros podem comprá-lo sem preocupação. “O frango é a carne mais consumida no Brasil e a mais barata. Não há nenhum risco nesse caso, trata-se de um problema comercial”.

Segundo Santin, as salmonellas presentes na carne “são aquelas que morrem com cozimento, em temperatura acima de 70° graus. A água ferve a 100° graus, ou seja, qualquer processo de cozimento já inativa a bactéria. Ela [a bactéria] está presente em todo o mundo”.

Estados mais atingidos

O estado do Paraná, com oito unidades proibidas de exportar, é mais atingido pelo embargo da carne brasileira. Em seguida está Santa Catarina, com três; e Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Goiás com duas unidades afetadas cada. São Paulo teve um frigorífico vetado.

Lista das unidades proibidas de exportar para a UE:

- BRF S.A.

- Ponta Grossa (Paraná)

- Concórdia (Santa Catarina)

- Dourados (Mato Grosso do Sul)

- Serafina Correa (Rio Grande do Sul)

- Chapecó (Santa Catarina)

- Capinzal (Santa Catarina)

- Rio Verde (Goiás)

- Marau (Rio Grande do Sul)

- Toledo (Paraná)

- Várzea Grande (Mato Grosso)

- Francisco Beltrão (Paraná) – unidade da SHB, subsidiária da BRF

- Nova Matum (Mato Grosso) – unidade da SHB

- Copacol – Cooperativa Agroindustrial Consolata

- Unidade de Cafelândia (Paraná)

- Copagril – Cooperativa Agroindustrial

- Marechal Cândido Rondon (Paraná)

- Zanchetta Alimentos Ltda

- Boituva (São Paulo)

- São Salvador Alimentos S/A

- Itaberaí (Goiás)

- Bello Alimentos Ltda

- Itaquirai (Mato Grosso do Sul)

- Coopavel – Cooperativa Agroindustrial

- Cascavel (Paraná)

- Avenorte Avicola Cianorte Ltda

- Cianorte (Paraná)

- LAR Cooperativa Agroindustrial

- Matelândia (Paraná)

 

 

Fonte: Rosely Rocha, especial para Portal CUT Nacional