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Editorial do Sul21: Impeachment é golpismo irresponsável e ameaça à democracia

7 dezembro, segunda-feira, 2015 às 5:13 pm

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Dilma

Dilma

A jovem democracia brasileira vive assediada por movimentos autoritários que têm uma grande dificuldade em aceitar a soberania do voto popular. A própria ideia de democracia é desprezada por políticos retrógrados e setores da sociedade que, periodicamente, acenam com o fantasma da ruptura do estado democrático de direito, quando seus interesses são contrariados. Esse fantasma voltou a assombrar a democracia brasileira com a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de abrir um processo de impeachment contra a presidenta da República, Dilma Rousseff.

A motivação que levou o presidente da Câmara a abrir o processo é duplamente espúria e carente de legitimidade. Em primeiro lugar, trata-se de um gesto de vingança de Eduardo Cunha contra o PT, pelo fato de os parlamentares do partido terem votado a favor da continuidade do processo de cassação do presidente da Câmara, na Comissão de Ética da Casa. Em segundo, é uma tentativa desesperada de salvar a própria pele, mesmo que isso signifique a ruptura da ordem democrática e a paralisia do país.

Essa dupla ilegitimidade se transfere para o comportamento da oposição capitaneada pelo PSDB que, mais de um ano depois, se recusa a aceitar o resultado das eleições presidenciais de 2014. O interminável terceiro turno alimentado pelo candidato derrotado Aécio Neves se arrasta há mais de um ano, prejudicando não só a estabilidade política, mas também a economia do país. Essa oposição se aliou agora ao deputado Eduardo Cunha, sobre o qual pesam graves denúncias de corrupção, apostando em um vale tudo para derrubar a presidenta eleita pelo voto popular.

A irresponsabilidade desses setores é gritante. Além de prejudicar a economia do país, não hesitam em lançar o Brasil em um clima de instabilidade política e social de consequências imprevisíveis. É absolutamente lamentável que juristas emprestem seu nome para construir uma suposta justificativa legal para a abertura de um processo de impeachment. Para que tal processo fosse legítimo, a presidenta Dilma deveria ter cometido algum crime de responsabilidade, o que não é o caso. Os juristas que emprestaram seu nome para essa aventura golpista chegaram ao absurdo de incluir as  contas do governo de 2015 como uma das supostas razões para pedir o impedimento da presidenta. Não custa lembrar que o ano de 2015 sequer chegou ao fim e as contas deste ano só serão avaliadas a partir do ano que vem.

Mas, na verdade, pouco importa as justificativas legais. Os protagonistas desse movimento autoritário jogam com a lógica do quanto pior, melhor, mesmo que a consequência de suas ações seja uma convulsão social no país.

Desde o seu lançamento, o Sul21 vem se posicionando em momentos decisivos do Estado e do País, deixando claro ao seu público as ideias e valores que defende. Neste grave momento do país, onde a nossa frágil democracia está mais uma vez sob ameaça, manifestamos aqui o nosso repúdio ao movimento golpista e espúrio atualmente em curso que quer violar a soberania do voto popular expresso em 2014. A democracia é um valor em si mesmo e não uma questão tática, da qual podemos facilmente abrir mão quando a vontade da maioria contraria os nossos interesses. É lamentável que políticos e juristas que conheceram de perto os anos sombrios da ditadura se prestem a encenar essa farsa perigosa.

Não há espaço para ambiguidades aqui. Uma linha foi traçada na sociedade: de um lado estão os defensores da Constituição, da democracia e da soberania do voto popular. Do outro, estão aventureiros irresponsáveis que desprezam o voto popular e os princípios básicos da democracia. Nós estamos do lado dos primeiros e nos somamos, do alto da nossa responsabilidade como meio de comunicação, na defesa da democracia, da verdade e da justiça.

 

Fonte: Sul21