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Dinheiro da multa do Santander por fechamento do Queermuseu vai custear Parada LGBTI+ no RS

7 janeiro, quinta-feira, 2021 às 3:33 pm

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contra censura

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Parte da multa pelo fechamento da exposição Queermuseu em Porto Alegre, em 2017, vai custear a Parada do Orgulho LGBTI+ deste ano e das edições de 2022 e 2023 na capital gaúcha. O evento presencial foi cancelado no ano passado devido à pandemia do coronavírus, mas as entidades que o organizam já se preparam para a edição em 2021.

A data ainda não está definida. Segundo o vice-coordenador do grupo Nuances, Célio Golin, a ideia é realizar a parada entre o final de novembro e o começo de dezembro. A entidade, que é uma das organizadoras do evento, contudo, condiciona a realização à imunização contra o coronavírus. Caso a vacinação não esteja avançada, a parada pode não acontecer neste ano.

"Se a gente avaliar que o coronavírus ainda é um problema ou a depender dos protocolos dos órgãos estaduais sobre aglomerações, a gente não vai fazer", afirma Golin. Em dezembro do ano passado, o grupo já havia cancelado um passeio ciclístico por conta do risco de reunir muitas pessoas.

A organização da Parada LGBTI+ pretende se reunir em fevereiro para começar a planejar o evento. Inicialmente os encontros serão virtuais.

A mostra foi cancelada pelo Santander Cultural um mês depois da abertura, devido a protestos de grupos conservadores que consideraram o conteúdo imoral, ofensivo e incentivador da zoofilia e da pedofilia. A exposição acabou ocorrendo no Rio de Janeiro quase um ano depois.

(…) Ao todo serão destinados R$ 50 mil por edição da Parada, o que totaliza R$ 150 mil. O valor é parte da indenização estabelecida em acordo entre o Santander e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) de R$ 400 mil, que já foi paga pelo banco. O restante dos recursos será destinado a projetos na área dos direitos humanos.

O MPF atuou no caso porque a mostra tratava de uma minoria e consumiu verbas federais por meio da Lei Rouanet. Para o MPF, o encerramento da exposição trouxe impacto negativo “tanto em relação à liberdade artística, quanto em relação à diversidade”.

 

Fonte: CUT-RS com Diário ao Centro do Mundo (DCM) e UOL