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Dilma anuncia correção do IR e aumento em programas sociais no 1º de maio da CUT em São Paulo

1 maio, domingo, 2016 às 4:51 pm

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Dilma no 1º de maio

Dilma no 1º de maio

Diante de 100 mil pessoas que participaram do ato de 1º de Maio da CUT, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a elevação de recursos para programas sociais e garantiu que novas conquistas virão se os golpistas não tomarem o poder.

O pacote da presidenta inclui o reajuste do programa Bolsa Família que deve elevar o benefício em média de 9% e lembrou que a proposta já estava prevista no orçamento da União desde agosto de 2015.

Dilma anunciou também a correção da tabela do Imposto de Renda para pessoa física em 5%, a partir do ano que vem, uma história reivindicação da CUT, de outras centrais e movimentos sociais.

A presidenta também divulgou a contratação de mais 25 mil moradias para o programa Minha Casa Minha Vida – Entidades, a criação de um conselho nacional tripartite do trabalho, que incluirá organizações sindicais, e a ampliação da licença-paternidade, de cinco para 20 dias, aos servidores públicos federais.

“Essa é uma forma de incentivar os homens a ajudarem as mulheres no cuidado com os filhos”, disse ao explicar a medida.

Dilma afirmou ainda que na próxima terça-feira (3) lançará o 3º Plano Safra da Agricultura Familiar, que garante o financiamento à produção e à aquisição de alimentos.

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Quem julga Dilma?

Com um “meus queridos e minhas queridas”, a presidenta explicou porque o impeachment é golpe e tratou de se diferenciar de grande parte dos parlamentares que julgam seu mandato ao lembrar que não cometeu crime de responsabilidade.

“Como eu não tenho conta no exterior, como eu jamais utilizei recurso público em causa própria, nunca embolsei dinheiro do povo brasileiro, não recebi propina e nunca fui acusada de corrupção, eles tiveram que inventar um crime. Como estava muito difícil achar um crime, eles começaram dizendo que eram os seis decretos”, referindo-se às chamadas pedaladas fiscais, para logo em seguida lembrar que foram 101, em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Segundo Dilma, o golpe não fere apenas seu mandato, mas atinge a democracia e o próprio processo eleitoral. “Eles tiram os meus 54 milhões de votos. Mas não é só isso. Naquela eleição, em 2014, votaram 110 milhões de brasileiros e brasileiras. Não são apenas os meus votos que eles praticamente roubam. São os votos daqueles que não votaram em mim, mas que acreditam na democracia e no processo eleitoral.”

Ao lembrar a reação dos perdedores das últimas eleições, Dilma destacou que antes mesmo do impeachment, tentaram levar no tapetão ao pedir (e perder) a recontagem dos votos, auditoria das urnas e pedir que não fosse empossada sob a alegação de problemas nas contas da campanha que foram aprovadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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Donos da crise

Dilma lembrou que, após o PT negar-se a votar contra a cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RS), o governo virou vítima da política do quanto pior, melhor.

“Não aprovavam nenhuma das reformas que nós propúnhamos. Não aprovavam os necessários aumentos de receita para que a gente pudesse continuar impedindo que a crise se aprofundasse. Apostaram sempre contra o povo brasileiro. São responsáveis pelo fato de a economia brasileira estar passando por uma grave crise e são responsáveis pelo aumento do desemprego. O próprio autor do processo de impeachment, ex-ministro do Fernando Henrique Cardoso, chamou a fala do Eduardo Cunha de chantagem explícita. É mais do que chantagem, é usar o seu cargo para garantir impunidade”, criticou.

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Trabalhador é o próximo

A agenda perdedora das últimas eleições, lembrou Dilma, quer o fim da política de valorização do salário mínimo, do vínculo das aposentadorias com essas medidas e a transformação da CLT em letra morta.

“Eles propõem que o negociado possa viger sobre a lei, que o negociado possa ser menos que a lei. Nós acreditamos, porém, que o negociado pode prevalecer desde que ele seja mais do que a lei. Eles querem menos, nós, mais.”

Além disso, a proposta de Michel Temer (atual vice-presidente e um dos articuladores do golpe) inclui uma ampla esfera de privatizações.

“Eles estão falando em reolhar, rever, revisitar o Pronatec, o Minha Casa, Minha Vida. Nós temos uma situação que os programas sociais são olhados como responsáveis pelo desequilíbrio do país. É mentira. O desequilíbrio do país é a necessária reforma tributária.”

Mesmo diante dos ataques, a presidenta alertou que não fugirá ao compromisso com a população e seus eleitores.

“Eu quero dizer para vocês que eu vou resistir e lutar até o fim. O 1º de Maio é historicamente um dia de luta em defesa dos direitos e a favor das conquistas sociais e hoje também é dia de defesa da democracia e de muito mais conquistas. O que querem impor hoje não é o projeto vencedor. Se quiserem esse projeto, vão às urnas em 2018 e se coloquem sob o crivo do povo brasileiro.”

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Fonte: Vanessa Ramos e Luiz Carvalho – CUT Nacional