Central Única de Trabalhadores

Deputados e senadores lançam frente em defesa do livro e contra a censura

11 setembro, quarta-feira, 2019 às 6:25 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Bené (3)

Bené (3)

Sul21 – Sob gritos de "censura nunca mais’" o Congresso Nacional instalou nesta terça-feira (10) a Frente Parlamentar Mista do Livro, da Leitura e da Escrita. Proposta pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN), a iniciativa conta com o apoio de mais de 200 parlamentares.

O objetivo da Frente é propor, acompanhar e cobrar a implantação de leis já existentes que visam o fomento da leitura, a democratização do acesso à informação, a valorização dos profissionais bibliotecários e das bibliotecas públicas, escolares e comunitárias.

Contudo, o lançamento foi marcado por pronunciamentos de condenação da censura imposta a um livro com temática LGBT na Bienal do Rio de Janeiro na última semana.

No evento, também foi realizada a leitura de um manifesto em defesa da liberdade de expressão nas artes, na escrita e na leitura e contra a censura, em que parlamentares repudiaram oficialmente os fatos recentes. “É mais um movimento no sentido de tornar o Brasil refém de um pensamento político difuso, reacionário, ultrapassado”, diz um trecho do documento.

 

 

 

 

 

 

 

 

Presidente da Frente Parlamentar, Fernanda afirmou que o movimento ocorre em um momento em que se faz necessário reafirmar a luta contra a ameaça à liberdade de expressão e pelo respeito à diversidade e à pluralidade na literatura e nas artes no país. “Vivemos um tempo histórico em que a censura ameaça voltar. Não é um raio em céu azul”.

Ela destacou que a tentativa de cercear a liberdade de expressão vem se repetindo sistematicamente, com o recolhimento de livros didáticos pelo governo paulista e encerramento de uma exposição de charges críticas à Bolsonaro em Porto Alegre. “Este é um projeto autoritário que sabe que precisa acabar com pensamento crítico, precisa atacar a arte, a literatura e fazer como em outros momentos: queimar livros”.

Como a primeira bibliotecária deputada federal, Fernanda também lamentou a estatística de que quase metade da população se considera não-leitora. “A desigualdade social se reflete no nosso país na desigualdade informacional, na dificuldade de acesso à informação, ao livro, à educação às bibliotecas. Nós precisamos reverter esse quadro. Para o melhor exercício da cidadania, a luta pela democratização do acesso aos livros é fundamental, afinal eles abrem as portas para o mundo.

 

Fonte: Sul21