Central Única de Trabalhadores

Deputados condenam golpe do impeachment na Assembleia Legislativa do RS

11 maio, quarta-feira, 2016 às 8:10 am

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O cenário do impeachment foi o tema abordado pelo deputado Juliano Roso (PCdoB) durante o período do Grande Expediente, na sessão plenária desta quarta-feira (11), na Assembleia Legislativa do RS. A mesa foi integrada por representantes de entidades e movimentos sociais, como o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

“Dedico esta manifestação à luta pela democracia e contra o golpe em curso no país para derrubar a presidenta Dilma”, iniciou o parlamentar, questionando a seguir: “Qual o crime cometido por ela? A rigor, cometeu o crime de ter vencido as eleições presidenciais, dando vitória às forças populares pela quarta vez consecutiva”, sublinhou.

Para ele, caso o afastamento da presidenta Dilma Rousseff se consolide, “será a substituição de um projeto de desenvolvimento nacional, centrado no Estado, por um alicerçado na iniciativa privada que, como se sabe, tem como objetivo único obter lucro. Não há lugar para justiça social e mitigação das desigualdades em um país controlado pelo mercado, pois este buscará sempre assegurar seus interesses”, resumiu o parlamentar.

Conforme analisou Roso, as elites do país, mais uma vez, quando são derrotadas nas eleições usam de artimanhas, manobras e golpes, como sempre fizeram ao longo da história, promovendo a instabilidade política e econômica e a derrubada de governos populares. “É um consórcio de oposição muito forte, que se organiza e se soma, e que levou a um processo viciado, pois foi iniciado por alguém que não tinha condições políticas e morais de presidir a Câmara e dar início ao processo de afastamento, Eduardo Cunha, hoje tardiamente afastado pelo STF”, frisou.

Prosseguiu citando que este consórcio poderoso é formado por uma maioria parlamentar conservadora, pelos grandes oligopólios da mídia (tendo à frente a rede Globo, condutora midiática do golpe), pelo sistema financeiro brasileiro e por forças internacionais, especialmente “os Estados Unidos, interessados única e exclusivamente na riqueza do pré-sal brasileiro. O Brasil é único país do mundo que ainda detém reserva significativa de petróleo em mãos estatais, e esta é a causa principal do processo golpista”, ressaltou.

Lembrou que é a primeira vez que forças conservadoras se utilizam de subterfúgios para afastar presidentes, destacando a queda de Getúlio Vargas, “pai do trabalhismo, homem que ergueu o estado nacional”. A presidenta Dilma, opinou, começou a ser impedida de governar o país desde o primeiro dia da sua segunda vitória, por conta da instabilidade criada pelas forças conservadoras”. Deve ficar a lição, advertiu o parlamentar, de que nunca “devemos menosprezar a força dos setores conservadores e a força do capital internacional. Devemos estar vigilantes no fortalecimento da democracia brasileira e do papel do povo brasileiro no controle social das políticas dos país. Não há outra definição, é sim, um golpe político midiático contra Dilma”, sentenciou.

Segundo Juliano Roso, caso se confirme o afastamento de Dilma, “virá um governo ilegítimo, sem representação da sociedade. Um governante que não recebeu voto para administrar o país e que, como vice-presidente, foi quem tramou o golpe e agora quer sentar numa cadeira ilegítima. Temer vai entrar para a história do Brasil, isso sim, como traidor, como Joaquim Silvério dos Reis, que, à sua época, traiu Tiradentes e o Brasil”.

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Túnel do terror

De acordo com Juliano Roso, junto com Temer vem um programa chamado Ponte para o Futuro, “que deveria se chamar túnel do terror”, pelos malefícios que trará e que, conforme destacou, terá cinco pontos principais: elevação dos juros, desmonte das leis trabalhistas, redução drásticas das políticas sociais em vigência no Brasil (e sob a desculpa de combater a corrupção, de passar a limpo do país, virá desmonte da Petrobras), a entrega da reserva do pré-sal e a entrega das últimas instituições financeiras do país, a Caixa Federal e Banco do Brasil, pontos contestados por lideranças do próprio PMDB. “Devemos unir amplos setores da nação para combater o desmonte nacional”, alertou.

Por fim, informou que o seu partido, o PCdoB, apresenta, “neste momento de crise e apreensão”, dois projetos para a Nação. “Um mais de fôlego, que é o projeto nacional de desenvolvimento, e outro, mais imediato, chamando o povo brasileiro a um plebiscito, para que possa opinar sobre realização ou não de eleições presidenciais mais imediatas”.

Dia histórico que envergonha democratas e gerações futuras

Para o deputado Adão Villaverde (PT-RS), que se manifestou nos apartes, o ataque que se consolida hoje no Senado com o golpe à democracia seguramente registrará para a história um daqueles dias que causará vergonha aos democratas, aos progressistas, aos verdadeiros liberais e aos movimentos sociais para o resto da vida e para as gerações que seguirão.

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“A mando de interesses internacionais contrariados com o nosso projeto de nação, partidos que abandonaram a ordem se submetem junto com empresários, a grande mídia e setores do Judiciário a jogarem a Constituição no ralo e as urnas às trevas. Abandonando a ordem democrática e chancelando a via golpista”, criticou ele.

O parlamentar destacou ainda a manobra que “envergonha mais ainda o nosso país e também o exterior, que é comandado pelo corrupto Cunha e seus comparsas, que levam ao poder o ilegítimo, o conspirador Temer, do PMDB. Partido este que se especializou em chegar ao governo não pela via das urnas (foi assim com Sarney, com Itamar e agora com o Temer).”

“Nós resistiremos porque a história será implacável com os golpistas e com quem desonra a Constituição e o Estado de Direito, como foi impiedosa com os aliados do golpe de 64 e com todos os traidores ao longo dos tempos, de Judas aos dias de hoje”, finalizou.

Em apartes, manifestaram-se ainda os deputados Pedro Ruas (Psol), Enio Bacci (PDT) e Manuela d Àvila (PCdoB). Dirigentes e lideranças ligados a movimentos sociais ocuparam as galerias para acompanhar o pronunciamento do deputado Roso.

 

Fonte: CUT-RS com Agência de notícias da AL/RS