Central Única dos Trabalhadores

Deputado Villaverde ressalta retrocesso do mínimo regional proposto pelo governo Sartori

15 fevereiro, segunda-feira, 2016 às 9:54 pm

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O deputado estadual Adão Villaverde (PT-RS) destacou a “enorme frustração” dos trabalhadores com o projeto de lei do governo que prevê reajuste de apenas 9,612% no salário mínimo regional em 2016. Ele ressaltou que o índice proposto pelo governador fica abaixo da inflação do período, que foi 11,31%, e não atende a reivindicação das centrais sindicais, que é de 11,68%, o mesmo percentual de reajuste concedido pela presidenta Dilma Rousseff (PT) para o salário mínimo nacional em janeiro.

O secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, disse que “a proposta de Sartori, que não concedeu nenhuma audiência para ouvir as centrais sindicais, é um retrocesso e representa arrocho salarial para cerca de 1,5 milhão de trabalhadores gaúchos, que recebem o chamado piso regional, o que é totalmente inaceitável”. Não repor a inflação nos salários de quem menos ganha empobrece os trabalhadores e trará impactos negativos na economia, com a redução do consumo e da produção, o que aumentará o desemprego e dificultará o crescimento do RS”, aponta.

Ademir destaca que o índice do governo desconsidera a realidade das negociações salariais no último período no Estado. Segundo o Dieese, quase todos os acordos foram fechados com a reposição da inflação e vários com aumento real. “O governador só levou em conta a velha choradeira dos empresários”, critica.

Mobilização na Assembleia

Com o encaminhamento do projeto, a CUT-RS e as demais centrais sindicais se reúnem amanhã, terça-feira (16), para organizar a mobilização na Assembleia Legislativa. O objetivo é procurar dialogar com a nova presidenta do parlamento gaúcho, deputada Silvana Covatti (PP), e o conjunto dos deputados estaduais, a fim de construir uma emenda que garanta o reajuste de 11,68% para o mínimo regional.

“Vamos mostrar aos parlamentares que é preciso repor a inflação e aplicar o mesmo índice do mínimo nacional. Os trabalhadores mais vulneráveis, os que possuem menor organização sindical e os que mais precisam da ação do Estado, não podem ser penalizados”, explica o dirigente da CUT-RS.

Ele frisa ainda que “ao propor um índice abaixo da inflação, o governo Sartori dá um mau exemplo para as próximas negociações entre trabalhadores e empresários no Estado”. Para Ademir, “arrochar salários é ruim para o trabalhador e péssimo para o aquecimento da economia gaúcha”.

Dieese 

Já o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que haveria uma diferença de R$ 300 milhões na massa salarial se o índice aplicado no piso regional fosse igual ao do salário mínimo nacional (reajuste de 11,68%) em vez da proposta feita pelo governo considerando o valor a ser recebido ao longo de 2016.

A simulação buscou confrontar o que tem sido uma bandeira das centrais sindicais, de manter a relação de 1,28 salário mínimo regional frente ao valor nacional. Caso a proposta do Palácio Piratini se mantenha na Assembleia Legislativa, a relação cairá a 1,25, alertou o coordenador técnico regional do Dieese, Ricardo Franzói.

A projeção indicou que a receita anual com o percentual maior de reajuste seria de R$ 1,71 bilhão para 1,1 milhão de beneficiados. Com o índice inferior, seriam R$ 1,4 bilhão no bolso dos trabalhadores, aplicando as taxas para todas as cinco faixas e o setor público. O Dieese apurou que a primeira faixa, se houvesse a correção maior, ficaria em R$ 1.124,48. O valor com 9,6% é de R$ 1.103,66. Uma diferença de R$ 20,82 por mês.

 

Fonte: Assembleia Legislativa