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Deputado Villaverde anuncia que não será candidato e reafirma democracia, soberania e combate às desigualdades

15 maio, terça-feira, 2018 às 5:12 pm

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Villa na tribuna

Villa na tribuna

O deputado estadual Adão Villaverde (PT) anunciou, no período do Grande Expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul desta terça-feira (15), que não será candidato nas eleições de outubro. Ele revelou que deverá retomar suas atividades profissionais na universidade e no escritório de Engenharia e concluir seu doutorado acadêmico. “Volto para minha profissão, porque entendo que a delegação de representação é sempre transitória, com dia e hora para começar e terminar”, justificou.

Villaverde afirmou ainda que a decisão de não disputar as eleições não implica no afastamento da política. “É evidente que vou continuar fazendo política, pois a faço há mais de 45 anos. Com cerca de 30 anos de atividades políticas sem mandato e quase 15 anos com mandato. Portanto, com o dobro de tempo sem representação eletiva, eu sei muito bem como exercê-la nesta condição”, declarou.

Paralelamente, o petista deverá encaminhar sua aposentadoria pelo Regime Único da Previdência Social. “Sempre me debati, aqui na Casa, contra aposentadoria especial parlamentar e fiz parte das bancadas do nosso partido que ajudaram a extinguir as verbas de assistência, diminuíram os períodos de recessos legislativos e acabaram com o Fundo Estadual de Aposentadoria Parlamentar (o FEPPA)”, rememorou.

Villa falando

Obsessões obscurantistas

Ao abordar o tema do Grande Expediente “Em tempos de obsessões obscurantistas e embrutecimentos conservadores, impõe-se reafirmar a democracia, a soberania e o combate às desigualdades”, Villaverde defendeu a tese de que a existência de divergências e diferenças na sociedade nunca foram problemas, mas saber como tratá-las são.

“A tolerância, igualdade e generosidade, fundamental herança iluminista que produziu e reproduziu nossas grandes utopias, perderam espaço para o arbítrio, para o veto ao direito de expressão, para atitudes e atos hostis frente a opiniões divergentes”, apontou.

O petista buscou o pensamento da filósofa Hannah Arendt, autora de “Origens do Totalitarismo”, que mostra como a Europa permitiu o holocausto, para explicar o avanço da intolerância e do conservadorismo na atualidade. “O excessivo autoapreço das novas gerações não as faz enxergar a sociedade para além de suas próprias relações, encerradas permanentemente em uma certa histeria conservadora e obsessões obscurantistas, agravadas pela disseminação virtual que Arendt sequer imaginou”, frisou.

Plenário

Villaverde argumentou que a ideia da filósofa alemã “do inimigo político como sendo o outro” produz ritos corriqueiros de escracho, ódio e agressões nas ruas, na mídia e no ciberespaço. “Assim agem os que não sabem conviver com as diferenças, que deveriam ser entendidas como algo tão natural como o ato de respirar. Preferem a regressividade e o embrutecimento, naturalizando o espírito conservador que domina nosso tempo. Cedem, assim, ao coro dos que não admitem o humanismo, pois este sempre implica o processo da razão”, sustentou.

Conforme o deputado, as sociedades modernas convivem num ambiente de “frágil equilíbrio entre a regressão e o progressismo e de tensionamento entre o processo da razão e da emoção”. “No singular momento que nos foi dado viver, de fato, efetivou-se uma ruptura nesse equilíbrio: um dos pratos da balança desceu sob o peso maior da irracionalidade, da barbárie e do ódio, em detrimento das determinações da razão e da emoção, por excelência humanas”, acredita.

Deputados

Entreguismo e subordinação

O Brasil, na opinião de Villaverde, vive um período de “entreguismo e subordinação, quando se fala em tudo que é tipo de reforma, menos na tributária, que é pai e mãe da igualdade”. “É pura rendição à banca e ao rentismo e austericídio para o povo”, sintetizou.

Para ele, a recente prisão do ex-presidente Lula fez o Brasil e o mundo assistirem a um dos mais dramáticos e inaceitáveis episódios da História. “O maior líder político do país pós-redemocratização, reconhecido mundialmente por políticas inclusivas para os mais necessitados, hoje é um preso político. Vítima de perseguição implacável por parte de inimigos políticos e através de um lawfare nunca antes visto. Padecendo de deploráveis métodos nazifascistas para calá-lo, humilhá-lo e apagar sua história generosa, honrada e humana”, declarou.

O petista lembrou ainda que o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff foi “golpe sim, configurando um terceiro turno sem urnas, de ataque aos direitos e conquistas e de entreguismo, vertebrado por uma aliança parlamentar, jurídica, midiática e empresarial”. “Nada como um dia após o outro. Engana-se quem pensa que um Estado Totalitário Seletivo depois que avança pode ter seus limites de atrocidade interditados facilmente. Isto não começou com Lula e seguramente não terminará com ele”, alertou.

Segundo Villaverde, na medida em que a sociedade fica indiferente, aceita ou aplaude o ilegalismo de um juiz que condena com base numa delação sem provas, acelera julgamento nas instâncias judiciais e expede mandado de prisão antes de todos recursos se esgotarem, configura-se o Estado de Exceção.

Villa na galeria novo

O deputado considera que a corrupção deva ser investigada e os responsáveis punidos. No entanto, condena a manipulação deleis para destruir reputações. “Quando isso acontece, não tem outra caracterização senão a pura violência da vertente para o fascismo, que chegou ao limite na pressão do comandante do Exército sobre o Supremo Tribunal Federal, que, numa democracia verdadeira, jamais poderia ser constrangido, nem por tanques, nem por palavras”, criticou.

Villaverde encerrou seu pronunciamento conclamando as “forças progressistas” a constituírem uma frente ampla e ativa para retomar o Estado de Direito Constitucional.

As deputadas Stela Farias (PT) e Manuela d Ávila (PCdoB) se manifestaram por meio de apartes.

A mesa do plenário da Assembleia contou com a presença de várias representações, como o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, e a presidenta do CPERS Sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

Uma das galerias foi tomada por dirigentes de entidades sindicais e representantes de movimentos sociais, que aplaudiram o pronunciamento de Villaverde, que foi diretor da CUT-RS na década de 1980, e gritaram “Lula livre”.

 

 

Fonte: CUT-RS com Olga Arnt – Assembleia Legislativa