Central Única de Trabalhadores

Democracia e jornalismo de resistência perdem com morte de Paulo Henrique Amorim

10 julho, quarta-feira, 2019 às 10:12 pm

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Paulo Henrique

Paulo Henrique

A democracia brasileira perdeu, nesta terça-feira (9), uma de suas principais vozes. Paulo Henrique Amorim, conhecido também como PHA, foi vítima de um enfarte fulminante aos 77 anos, em sua casa, após jantar com amigos, no Rio de Janeiro.

Paulo Henrique começou sua carreira em 1961 no jornal “A Noite” e passou pelos diversos veículos de comunicação do Brasil. Também trabalhou no exterior como correspondente em algumas ocasiões.

Defensor da democratização da comunicação, Amorim foi um dos principais nomes da blogosfera progressista. Em seu site “Conversa Afiada”, sua  preocupação era mostrar o lado da notícia que a imprensa conservadora não mostra – a defesa da democracia. O Conversa Afiada se notabilizou pela defesa de uma mídia democrática e com críticas frequentes à Lava Jato e a  Jair Bolsonaro.

E foi por este motivo que Paulo Henrique incomodou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu ministro da Justiça, Sérgio Moro. Crítico do atual governo, ele foi afastado do programa Domingo Espetacular, após a Record ser pressionada por apoiadores de Moro e Bolsonaro para que fosse demitido da emissora.

Para o secretário nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, a luta em defesa de uma comunicação plural e democrática no Brasil, assim como a luta pela soberania e democracia brasileira, em si, perde um grande “soldado”.

“Paulo Henrique era destemido, audacioso. No ‘Conversa Afiada’, ele sempre enfrentou os donos do ‘quarto poder’ no país – os meios de comunicação apelidados por ele de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Ele usou sua experiência e credibilidade para levar um jornalismo crítico e indispensável ao país nesses tempos de golpe, desde Temer até Bolsonaro”, afirma Roni.

O dirigente lembra também que o jornalista foi fundamental na luta contra o golpe de 2016, que derrubou Dilma Rousseff da Presidência da República e pela verdade sobre a prisão política do ex-presidente Lula.

E que Paulo Henrique Amorim deu exemplo ao jornalismo sindical: “ele sempre era chamado pelos sindicatos pelo Brasil afora para falar sobre sua experiência e sabedoria”.

Trajetória

O jornalista que popularizou o termo “PIG”, o Partido da Imprensa Golpista, usado para criticar os meios de comunicação que apoiaram o golpe contra os governos de Lula e Dilma.

Trabalhou na extinta rede Manchete, na TV Globo, na rede Bandeirantes e na TV Cultura, onde permaneceu até 2002. Na emissora, PHA desenvolveu o projeto Conversa Afiada, um talk-show que recebia convidados para falar sobre política e economia.

O jornalista chegou à Rede Record em 2003 e apresentava, todos os domingos, o programa Domingo Espetacular.

Boa noite e boa sorte, Paulo Henrique Amorim.

 

Fonte: André Accarini – CUT Nacional