Central Única dos Trabalhadores

CUT-RS volta a cobrar reajuste de 11,55% no mínimo regional na quarta audiência pública em Pelotas

15 dezembro, terça-feira, 2015 às 8:22 am

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Pelotas

 Pelotas
A CUT-RS voltou a cobrar o governador José Ivo Sartori (PMDB) para que envie o quanto antes um projeto de lei sobre o reajuste do salário mínimo regional a partir de janeiro de 2016, em regime de urgência, para a Assembleia Legislativa, durante a quarta audiência pública que discutiu o assunto na tarde desta segunda-feira (14) na Câmara de Vereadores de Pelotas. Os encontros anteriores foram realizados em Santa Maria, Novo Hamburgo e Caxias do Sul.

A reunião foi promovida pela Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, a partir de proposta apresentada pelo deputado Nelsinho Metalúrgico (PT). Quem presidiu os debates foi a deputada Miriam Marrone (PT).

“O ano está terminando e o recesso do parlamento está previsto para começar no próximo dia 22, mas o projeto ainda não está nas mãos dos deputados”, alertou o secretário de Relações de Trabalho da CUT-RS, Antônio Guntzel, durante a audiência, que reuniu dirigentes da Central Única dos Trabalhadores, (CUT) e da Nova Central Sindical dos Trabalhadores, bem como representantes do Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Pelotas.

Miriam considerou muito importante o debate sobre o mínimo regional, uma vez que se trata de poderoso mecanismo para valorizar os trabalhadores e fomentar o desenvolvimento econômico e social do Estado.

“A valorização do piso regional contribui para o crescimento econômico do Estado, pois faz os trabalhadores de baixa renda consumir uma maior proporção de produtos nacionais e regionais. As estatísticas demonstram que o emprego formal cresceu 53% e se alcançou uma queda de 7% no número de empregados sem carteira de trabalho assinada desde a criação do piso”, destacou a deputada.
Miriam

Reajuste de 11,55% já!

As centrais sindicais reivindicam 11,55% de aumento no chamado piso regional.  O índice significa a reposição da inflação projetada no período e ganho real. O INPC acumulado dos últimos 12 meses, entre 1º de dezembro de 2014 e 30 de novembro de 2015, foi de 10,97%.

“Com o aumento dos combustíveis e dos alimentos, o índice reivindicado representa praticamente a reposição da inflação do período, que deve ser reposta. O que está em negociação é o aumento real para melhorar o poder de compra dos salários e estimular o consumo e a produção para reaquecer a economia gaúcha”, destacou Antonio.

O dirigente da CUT-RS salienta que com o índice reivindicado, descontada a inflação do período, se conseguiria manter o piso regional no patamar de 1,30% acima do salário mínimo nacional, um dos objetivos quando da criação do instrumento no governo Olívio Dutra (PT), em 2002. “Esse dinheiro não vai ser aplicado em fundos nem na bolsa de valores, mas vai direto para o comércio local, estimula a indústria e toda a cadeia produtiva, assim como a criação de empregos”, acentuou.

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Desmontando falsos mitos dos empresários

Antonio aproveitou a presença de Airton Vinhas, do Sinduscon de Rio Grande, representante da Fiergs e de Fábio Franco, assessor da Secretaria Estadual do Trabalho e e Desenvolvimento Social, para desmontar os falsos mitos que as federações empresariais vivem espalhando na mídia. “Não é verdade que o mínimo regional gera desemprego, aumenta a informalidade e prejudica micro e pequenas empresas”, disse.

“Ao contrário, os números apurados pelo Dieese provam o efeito positivo que provoca na economia gaúcha”, disse Antonio, lembrando que SC, PR, SP e RJ também possuem pisos regionais. “São os estados que têm maior potencial econômico e, portanto, podem remunerar melhor os trabalhadores, avançando na distribuição de renda e na redução das desigualdades”.

Também participaram da audiência os diretores da CUT-RS Paulo Farias e Jorge Correa.

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A deputada enalteceu o alto nível de discussão do encontro. Miriam elogiou a presença de Airton Vinhas, que não só representou os empresários da região, mas também defendeu que, no mínimo, um reajuste proporcional à inflação deva ser aplicado. A parlamentar também mencionou em seu discurso de encerramento que a reivindicação dos trabalhadores é fundamental para que este salário possa gerar inclusão social, profissionalizar o trabalhador e combater a crise econômica.

Nova audiência será realizada na próxima segunda-feira (21), às 19h, na Câmara de Vereadores de Passo Fundo.

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Nova mediação do governo entre trabalhadores e empresários nesta quarta

Durante a audiência, os dirigentes das centrais informaram que uma nova mediação foi agendada para ocorrer nesta quarta-feira (16), às 8h, na Secretaria do Planejamento, Mobilidade e Desenvolvimento Regional, em Porto Alegre. Antes, os representantes dos trabalhadores se reúnem com o Dieese nesta terça-feira (15), às 15h, para preparar os debates com os secretários do governo Sartori e os dirigentes das federações empresariais.

Na última reunião tripartite, ocorrida na última quinta-feira (10), não houve acordo entre os representantes dos trabalhadores e dos empresários, porém os secretários Cristiano Tatsch (Planejamento) e Fábio Branco (Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia) e o secretário adjunto Juliano Paz (Trabalho e Desenvolvimento Social) disseram que o governador vai encaminhar um projeto de lei para a Assembleia Legislativa, a fim de que seja discutido e votado ainda este ano pelos deputados.

“Está passando a hora de acabar essa novela do governo para definir a proposta do mínimo regional. Estamos às vésperas do Natal e os trabalhadores merecem respeito, valorização e dignidade”, concluiu Antonio.

Marcha dos Sem

A CUT-RS também levou a luta pelo aumento do mínimo regional para a 20ª Marcha dos Sem, realizada na última sexta-feira (11), em Porto Alegre. Uma faixa foi carregada pelos manifestantes, fortalecendo a pressão das centrais sindicais sobre o governador Sartori.

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Fonte: CUT-RS