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CUT-RS reúne lideranças comunitárias, reforça ações solidárias e projeta 2022

6 dezembro, segunda-feira, 2021 às 5:41 pm

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Roda de conversa (2)

Roda de conversa

A CUT-RS promoveu, no último sábado (4), um encontro com lideranças de várias comunidades de Porto Alegre, no Assentamento Filhos de Sepé, no município de Viamão, na região metropolitana. A sombra debaixo de uma figueira foi terreno fértil para compartilhar experiências e sonhos, fortalecendo o projeto CUT Comunidade, reforçando as ações solidárias na pandemia e projetando 2022.

Sob o nome “Lideranças comunitárias, organizando a esperança e lutando pela vida”, os participantes trocavam olhares em que se reconheciam como velhos amigos e companheiros e contavam pela primeira vez suas histórias de vida e resistência. Teve sorrisos, lágrimas, afetos e relatos de parceria e solidariedade.

Unificados numa mesma identidade, eles partilharam suas experiências. Estiveram presentes representantes da Lomba do Pinheiro, Morro da Cruz, Cruzeiro, Cristal, Farrapos, Humaitá, Mário Quintana, Francisco do Prado, São Gabriel, Mulheres de Anita, Barracão, Planalto, Glória, Pedreira, Timbaúva, Sarandi e Restinga.

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A gente pode fazer luta junto

Foi um dia de celebração no assentamento, onde também funciona o Instituto de Educação Josué de Castro, ambos coordenados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que ajudou a organizar a atividade. 

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“Durante a pandemia, encontrar tanta gente disposta a se ajudar e descobrir que a gente pode fazer luta junto, entre quem tem carteira assinada e quem não tem, me marcou demais. Acima de tudo, nós temos muita esperança e não aceitamos o que está aí”, afirmou o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci. 

Entre relatos emocionados, os trabalhadores e as trabalhadoras se enxergavam. “Nosso povo, das nossas comunidades, é um povo que depende muito da gente. Eles não tem hora para chegar na nossa casa, com fome, com sede, buscando um ombro para chorar”, disse Dona Lúcia, liderança comunitária do bairro Mário Quintana. 

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Pobre ajudando pobre

“Faz um ano e seis meses que faço marmita. Já estou fazendo mais de 200 e a comida nunca dá. O que mais me marcou foi, na semana passada, as famílias na chuva. Ninguém fica numa fila, com uma panelinha na mão, se não tiver precisando de alimento em casa”, disse Lianes Santos, mais conhecida como Morena, liderança da Timbaúva.

As histórias só reafirmaram que o verdadeiro companheirismo sempre é encontrado nas periferias. “Ontem eu não tinha óleo para cozinhar. A minha vizinha têm sete filhos. Ela tinha dois óleos e levou um para mim. Quem é que sempre ajuda? Pobre ajudando pobre”, completou Morena. 

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Essas cenas foram corriqueiras desde o início da pandemia. Foi através da solidariedade dos sindicatos, dos movimentos sociais e dos próprios moradores que as famílias em situação de vulnerabilidade tiveram alguma assistência diante do abandono dos governos de plantão.

Para Bia, moradora da comunidade Mulheres de Anita, ser lembrada para ajudar a deixa comovida. “Isso que a gente quer. A gente quer somar. A gente quer estar junto com as pessoas para diminuir a nossa dor, a nossa necessidade, as nossas dificuldades”, comentou. 

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“Nesse período, o que me marcou foi a solidariedade. Percebi que a solução dos nossos problemas estava ali entre nós mesmos. As pessoas ajudam quando tu procura elas para ajudar, mais do que quando é para ser ajudado. A solução estava ali, não estava fora”, apontou Ronaldo Souza, morador da Grande Cruzeiro. 

“Temos que criar as condições, dar organicidade para a solidariedade. Sozinho ninguém cria consciência, ninguém muda o mundo”, reforçou. 

 Fazer a diferença na sociedade da indiferença

Felicidade é poder fazer mudanças, através de ações solidárias, e a partir disso se tornar referência e mostrar que é possível. “Saber que eu sou inspiração para outras me marca muito. Recebo relatos disso, que elas querem se juntar a nós e fazer a diferença na nossa comunidade”, contou Natiele Araújo, moradora e integrante do núcleo Cristal. 

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Para Jorge Teixeira, morador do Morro da Cruz e diretor do Sintae-RS, a união dessas iniciativas mostra a capacidade de construir um novo mundo. “O que mais me marcou é fazer a diferença na sociedade da indiferença. Juntos somos mais do que fortes. Somos alternativa de mudança para um país melhor”, apontou. 

“Enquanto pobre, mulher e negra, eu já nasci militante. Eu só fui apresentada depois ao movimento. E aprendi muita coisa. Tem uma coisa que sempre escuto: tem que construir os núcleos nas comunidades. Não é só cesta básica, não é só quentinha. Tem que ensinar as pessoas a ter consciência, a ter voz”, frisou Adriana Pedroso, liderança da Vila Pedreira. 

 Unidade para derrotar o bolsonarismo

A pandemia já tirou a vida de mais de 616 mil pessoas no Brasil, dentre elas mais de 36 mil no Rio Grande do Sul. Além disso, a fome e a miséria cresceram, assim como o trabalho precário e os moradores em situação de rua.

Diante desse cenário, os sindicatos e os movimentos sociais organizaram ações de solidariedade. “Quando chegou a pandemia, a gente viu que a fome tinha voltado com muita força no Brasil. Resolvemos fazer uma campanha solidária. No ano passado distribuímos muitas cestas básicas. Sempre buscando as lideranças comunitárias que sabiam quem estava precisando”, destacou Everton Gimenis, vice-presidente da CUT-RS.

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A unidade é a saída para derrotar o bolsonarismo. “Estão querendo acabar com os sindicatos. Estão atacando direitos. Mas nós resistimos e resistimos lutando junto com os movimentos sociais. Essa unidade aqui é fundamental. É essa unidade que vai derrotar o Bolsonaro e vamos construir um país para todos nós, não só para a elite”, disse Gimenis.

 Resultado da eleição faz diferença na vida das pessoas

Para Claudir Nespolo, secretário de Organização e Política Sindical da CUT-RS, a chegada da Covid-19 mexeu com os dirigentes sindicais. “A resposta dos sindicatos foi a solidariedade. Várias ações foram empreendidas, desde ceder espaço para fazer a marmita até a doação dos alimentos. Nosso lado não é de bonança. Nós estamos enfrentando o ódio do Bolsonaro querendo tirar direitos e, ao mesmo tempo, tentando ajudar quem mais precisa através do projeto CUT Comunidade”, enfatizou. 

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Ele chamou a atenção para a diferença que o resultado das eleições faz na vida das pessoas. “É preciso compreender que o voto tem consequência para melhorar ou piorar a vida. Depois da eleição do Bolsonaro, nós só tivemos tristeza, só tivemos aumento da fome, de pobre na sinaleira. Podíamos ter outro governo”, salientou.

MST devolve solidariedade

Simone Rezende, integrante do MST, contou que o movimento sempre recebeu muita solidariedade e agora foi momento de devolver. “Sou filha de assentados, morei debaixo de lona preta, precisei de muita comida, de doação. O que tem nos motivado enquanto MST é poder, coletivamente, devolver a solidariedade que a gente recebeu há muitos anos. Nós sabemos o que é o pobre que ajuda pobre”.

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“Sou filho de um mãe que teve 10 filhos e foi com sete para o acampamento do MST. Nós sempre precisamos de solidariedade das pessoas. Me marcou poder ajudar, através da solidariedade, das doações. Não estamos sozinhos. Dividimos o que temos e o que não temos”, ressaltou Gerônimo Pereira, integrante da Direção Estadual do MST. 

Também estiveram presentes representantes do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do RS (Consea-RS), do Levante Popular da Juventude, da campanha Fome Tem Pressa, do Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD), do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais e Matriz Africana (Fosanpotma-RS) e da Adufrgs Sindical. 

Natal Solidário e próximos passos

Durante o encontro, além das trocas de experiências, foram definidos os próximos passos. O primeiro é a campanha do Natal Solidário, que todas as comunidades se comprometeram em organizar. Uma data em comum é o dia 18 de dezembro, quando irão ocorrer atividades de distribuição de marmitas, cestas básicas e brinquedos nos territórios. 

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Houve também debate sobre a importância das eleições de 2022, sendo que é preciso intensificar desde agora a organização popular para eleger candidaturas que representem de fato as demandas das comunidades. Um próximo encontro foi projetado para o mês de março do ano que vem. 

“As eleições serão uma guerra. E só vamos mudar as coisas se estivermos organizados. Não tem nenhum salvador da pátria que vai trazer as coisas prontas para nós. Já vimos que a disputa é feita no cotidiano. O nosso voto faz muita diferença na vida das pessoas”, enfatizou Amarildo. 

Ao final do encontro, os participantes plantaram uma árvore como símbolo de esperança na luta pela vida. 

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Fotos: Carolina Lima / CUT-RS

 

Fonte: CUT-RS