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CUT-RS repudia direção da CEEE que puniu dirigente do Senergisul por criticar privatização na TVT

14 maio, quinta-feira, 2020 às 7:00 pm

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Foto CEEE

Foto CEEE

A CUT-RS repudia a suspensão de 30 dias e sem remuneração do diretor do Senergisul, Márcio Braga, aplicada no último dia 5 pela atual direção da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) nomeada pelo governo Eduardo Leite (PSDB), após ter sido entrevistado no Seu Jornal da TVT onde criticou a privatização e defendeu a manutenção da estatal como empresa pública. Outros dois eletricitários ouvidos na reportagem, sem opinarem sobre a venda da CEEE, foram advertidos.

Na matéria da TVT, que destacou o valor do trabalho dos funcionários da CEEE para garantir energia em tempos de isolamento social durante a pandemia, Márcio declarou que “o risco de perder o emprego é iminente com a privatização e neste momento é importante mostrar para a população que a empresa deve estar na mão de cada cidadão, que essa empresa é dele. Entregar essa empresa para um investidor, um grupo estrangeiro, é uma perda muito grande que às vezes a sociedade não percebe. Isso é inaceitável. Ninguém faria isso com o seu próprio patrimônio”.

No documento recebido por Márcio, assinado pelo diretor de Distribuição da CEEE, Giovani Francisco da Silva, consta que o dirigente sindical teria praticado “atividades de natureza política ou ideológica nas áreas e locais de trabalho da Companhia”. Ao final, o eletricitário sofre ainda ameaça. “Esperamos que o Senhor reavalie seu comportamento evitando, assim, o recebimento de novas punições disciplinares”.

Márcio

Intimidação à luta do Senergisul

“Trata-se de um ato de pura intimidação à luta do Senergisul e do movimento sindical contra a venda das empresas do povo gaúcho”, denuncia o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci. “O governo Leite segue a mesma política de Sartori e quer entregar as empresas de energia, o que empobrecerá o Estado, aumentará as tarifas cobradas dos consumidores e colocando em risco o atendimento da população, especialmente das localidades mais afastadas”, alerta.

“Estamos solidários à luta do Senergisul para reverter essa punição arbitrária e descabida. Não vamos nos calar e continuaremos brigando contra a privatização da CEEE, CRM e Sulgás, mesmo após a aprovação do projeto do governador pela base aliada na Assembleia Legislativa. Também estamos na luta para impedir que acabem com o plebiscito para a venda do Banrisul, da Corsan e da Procergs, que os deputados aliados do Leite querem aprovar”.

Amarildo e Farias (2)

Perseguição ao movimento sindical

Para a presidente do Senergisul, Ana Spadari, a suspensão de Márcio foi “um ato covarde de perseguição ao movimento sindical porque o dirigente se contrapôs na reportagem da TVT à proposta de venda da empresa, que está sendo tocada pelo atual presidente da CEEE, indicado pelo governador tucano, e que veio da direção da RGE, a principal empresa privada que está interessada na compra da estatal”.

Ela salienta que o Sindicato já denunciou o caso para a Assembleia Legislativa. “É inconcebível que a CEEE aplique uma punição injusta contra um funcionário, diretor do Senergisul, que se manifestou em defesa da empresa pública, onde trabalha com dedicação, e que é fundamental para levar energia ao povo gaúcho”, enfatiza Spadari.

Spadari

Censura

O deputado estadual Jeferson Fernandes (PT) afirmou que “é um caso gravíssimo de perseguição” e que “Márcio expressou o que os seus colegas gostariam de dizer”. O parlamentar classificou o ato da direção da CEEE como “censura e sinônimo de ditadura”.

Ele gravou um vídeo e adiantou que já encaminhou o caso para a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia e ao Ministério Público.

Assista ao vídeo do deputado

Jeferson também promove uma live nesta quinta-feira (14), às 20h, com a participação da presidente do Senergisul, para debater a situação da CEEE e denunciar a injusta punição.

A transmissão poderá ser assistida também na página da CUT-RS no Facebook.

Live de Jeferson

 

Fonte: CUT-RS com Senergisul