Central Única de Trabalhadores

CUT-RS rejeita aumento de 12% e defende redução da tarifa sem retirada das isenções nos ônibus de Porto Alegre

26 fevereiro, segunda-feira, 2018 às 7:23 pm

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A CUT-RS, que integra o Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu), rejeita o aumento de 12% na tarifa, protocolado no último dia 16 pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Os empresários querem reajustar a passagem de R$ 4,05 para R$ 4,54.

O valor proposto pelas empresas está acima de várias capitais de estados, como São Paulo (R$ 4,00), Rio de Janeiro (R$ 3,60) e Salvador (R$ 3,70).

“Não tem cabimento novo aumento na tarifa do transporte coletivo de Porto Alegre. Trata-se de uma concessão de serviço público, hoje sem controle social efetivo, onde as empresas definem os seus horários e circulam com frotas sucateadas, piorando a qualidade de atendimento aos usuários”, afirma o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. “É preciso reduzir a tarifa sem retirada das isenções previstas na legislação municipal”, defende.

Cadê a fiscalização e a transparência?

Para ele, “enquanto não houver fiscalização e transparência na gestão do sistema de transporte público, é inaceitável qualquer avaliação sobre aumento da tarifa”.

claudir

No Tribunal de Contas do Estado (TCE) existe um expediente de investigação sobre a planilha tarifária. O problema é que os dados lançados nas planilhas são repassados pelos próprios empresários. “São as raposas cuidando do galinheiro”, compara o funcionário da Carris e diretor da CUT-RS, Alceu Weber, criticando a ausência de fiscalização nas linhas junto às empresas privadas.

No governo Olívio Dutra (PT), houve intervenção no transporte público da Capital, que mostrou verdadeiros absurdos dos donos das empresas. “Hoje temos a omissão da gestão do prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB)”, denuncia Weber, que representa a CUT-RS nas reuniões do Comtu.

“É preciso ter controle público e desmascarar eventuais roubos, desvios e atos de corrupção nas empresas. Não se pode tapar o sol com a peneira. Os usuários e os trabalhadores não podem continuar pagando a conta da ganância dos empresários e da irresponsabilidade da Prefeitura no controle do transporte coletivo”, salienta Nespolo.

Rodoviários tiveram reajuste de 1,87%

Weber reforça a falta de sustentação das empresas para o pedido de aumento. “É ridículo que o empresariado, que está tão bem organizado no setor, venha descaradamente pedir 12% de aumento na tarifa de ônibus, justo num momento em que concede somente 1,87% de reajuste salarial para os empregados”, destaca.

alceu weber

A alegação dos empresários, de que a elevação do preço do diesel e as isenções previstas em legislação oneram muito o valor da passagem, também não procede, segundo Weber. Ele lembra que a atual tarifa é muita cara e existem hoje alternativas mais baratas, como o transporte por aplicativos como o Uber. Além disso, “as isenções, como a segunda passagem, são direitos conquistados pela cidadania e até hoje nenhuma empresa quebrou por causa disso e nenhum dono de ônibus mudou para outro ramo de negócio”.

“O grande problema, que não está sendo dito, é que o empresariado não faz força alguma para buscar mais passageiros pagantes, como, por exemplo, reduzir o valor da tarifa. Eles se esquecem de que, se querem crescer, têm que investir no negócio e oferecer serviços mais competitivos, qualificados e seguros”, alerta Weber.

Precarização

“Desde 2015, época do contrato de licitação, muitas linhas de ônibus operam com a tabela de verão além do período permitido e só isso já exigiria a quebra de contrato, mas o poder público nada faz. Na renovação da frota, também começaram a sacanear. O prazo era de 10 anos, mas não colocaram carros novos e passaram o prazo para 12 anos, piorando a situação e comprometendo a segurança e o conforto aos usuários. É preciso buscar formas de incidir sobre isso”, defende Weber.

Além da precarização dos serviços, o representante da CUT-RS no Comtu critica o fato de que “recursos públicos da Carris, que deveriam ser investidos na própria empresa, são redirecionados para empresas privados”.

“Os empresários só querem ganhar, ganhar e ganhar, sem se importar com quem vai pagar a conta. E contra isso é importante reagir e mobilizar a sociedade para mudar essa realidade”, finaliza Weber.

 

 

Fonte: CUT-RS