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CUT-RS rejeita aumento da passagem de ônibus de Porto Alegre para R$ 5,20

27 janeiro, segunda-feira, 2020 às 5:10 pm

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ônibus

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A CUT-RS se opõe ao pedido de reajuste da passagem de ônibus de R$ 4,70 para R$ 5,20 a partir de 1º de fevereiro, feito pelo Sindicato de Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) para o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). O acréscimo de 50 centavos representa um aumento de 10,64%, mais que o dobro da inflação (4,53%) estimada para os últimos 12 meses.

Conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 1994 a 2019, o valor da tarifa de ônibus subiu 1.170,27%, mais que o dobro da inflação do período, que foi de 455,23% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE. No mesmo período, os salários do trabalhadores do transporte coletivo nem de perto acompanharam o ritmo de aumento das tarifas. O reajuste acumulado do piso dos motoristas foi de 515,13%.

Gráfico - ônibus

“Mais uma vez, os gananciosos empresários de ônibus querem levar vantagem para aumentar os seus lucros, onerando ainda mais os usuários que já são conseguem pagar a tarifa de R$ 4,70, que é uma das mais caras do país”, afirma o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci. Ele lembra que a passagem em São Paulo, também governada pelo PSDB, subiu em janeiro para R$ 4,40. “É uma vergonha pedir um aumento para R$ 5,20 em Porto Alegre”, critica o dirigente sindical.

Os empresários alegam redução no número de passageiros, aumento do combustível, reajuste dos rodoviários e diminuição de 4,11% no número de passageiros no último ano.

“O problema é que o encarecimento da tarifa e a queda na qualidade dos ônibus, muitos ainda sem ar condicionado, está levando usuários a utilizar aplicativos de transporte. Aumentar a tarifa é dar um tiro no pé”, ressalta Amarildo.

Amarildo no Centro (2)

Desde 2017, quando assumiu Marchezan, os empresários foram beneficiados com a retirada de várias isenções de usuários, como a gratuidade na segunda passagem do trabalhador e o acesso liberado para idosos de baixa renda entre 60 e 64 anos. “Essas vantagens, aprovadas pelos vereadores aliados de Marchezan, não melhoraram a qualidade dos serviços nem reduziram o valor da tarifa, apenas favoreceram os lucros dos empresários”, salienta o presidente da CUT-RS.

Além disso, vale destacar que sistematicamente as empresas de ônibus, alegam que, para manter o valor da tarifa e das isenções, precisaria haver subsídios da Prefeitura. Assim, de acordo com a Lei de Orçamento Anual de Porto Alegre, para 2020, foi aprovado R$ 20,5 milhões em isenção de ISSQN para o transporte público. “Isso significa que a população vai ajudar as empresas, que vivem chorando dificuldades, mas nenhuma quebrou nos últimos anos”, observa Amarildo.

Cabe lembrar ainda que, se não fosse a mobilização dos rodoviários no final do ano passado, os vereadores aliados do prefeito tucano teriam aprovado o projeto que extingue os cobradores de ônibus, cortando milhares de empregos e tornando o trabalho do motorista ainda mais extenuante e perigoso.

Cobradores marcham

O pedido de reajuste ainda não foi encaminhado pela  Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para a votação no Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu), integrado pela CUT-RS. “Temos que aprofundar o debate na cidade sobre a mobilidade urbana com transparência e participação popular”, conclui Amarildo.

Clique aqui para acessar o estudo do Dieese

 

Fonte: CUT-RS com Dieese