Central Única dos Trabalhadores

CUT-RS reforça mobilização contra proposta da Fenaban e defende Banrisul público

25 setembro, sexta-feira, 2015 às 4:55 pm

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Claudir falando 1

Apesar da garoa que não deu trégua durante toda a manhã desta sexta-feira, 25, dezenas de banrisulenses, colegas de outros bancos, sindicalistas e populares se aglomeraram em frente ao prédio do edifício-sede do Banrisul, na Praça da Alfândega, Centro de Porto Alegre, por volta das 12h, para o Ato de Mobilização para a Campanha Salarial 2015. A atividade, coordenada pelo SindBancários com distribuição do tradicional “salchipão”,  também teve caráter de defesa do Banrisul público. E ganhou mais apoio a partir do resultado da negociação do Comando Nacional dos Bancários com a Fenaban, em São Paulo, nesta mesma manhã: a proposta dos banqueiros, de reajuste de salários de 5,5%, não chega sequer a repor a inflação de 9,88%.

“O sentimento da categoria é de indignação, e nossa resposta será a greve já a partir do dia 6 de outubro”, afirmou o diretor do Sindicato Mauro Salles. “O quadro atual é muito grave, lembrando o auge do neoliberalismo nos anos 90. Por isso, só a greve não vai bastar – vamos ter que ter muita mobilização de todos os bancários e da sociedade”, alertou. “Vamos incomodar os banqueiros todos os dias, já a partir da semana que vem”, acrescentou o dirigente.

Mauro falando

Greve forte

“Nada poderia ser pior que a proposta apresentada hoje pelos banqueiros”, disse Carlos Augusto Rocha, diretor da Fetraf-RS. “Os banqueiros estão querendo reeditar políticas de abonos, que nos fazem perder todas as conquistas dos últimos 12 anos. É fundamental fazermos uma greve muito forte desde o primeiro dia”, recomendou.

Ele também reforçou que, além da campanha salarial, a movimentação tem que incluir a defesa do Banrisul e de outras empresas estatais gaúchas, sob ameaça de privatização do governo neoliberal de José Ivo Sartori (PMDB). “Quem faz o Banrisul forte não é direção, mas os funcionários. É a categoria que sofre com assédio moral constante, metas abusivas e outros problemas que causam adoecimento”, recordou Rocha.

Rocha falando

Luta diária

“A proposta dos banqueiros é ruim e aqui na praça está chovendo na nossa cabeça – mas tudo isso só nos fortalece”, disse o diretor do Sindicato, Gerson Reis. “Temos que nos unir e convencer os colegas a se mobilizarem. A nossa luta precisa ser diária”, reforçou. O diretor da Fetraf-RS  Sérgio Hoff disse que a proposta dos banqueiros “não é um abono, é um abano, pois o dinheiro logo vai embora”. Sobre a defesa do Banrisul público, ele recordou: “O sócio majoritário do banco é o Estado, quer dizer, é a população gaúcha. Vamos nos unir para deter esta onda privatista”, concluiu.

Sônia Solange Viana, diretora do Cpers/Sindicato, garantiu que a mobilização faz a diferença. “No último dia 22, o Sartori só conseguiu fazer sua pedalada fiscal e aumentar o ICMS por um só voto e assim mesmo precisou colocar dois secretários de Estado de volta na Assembleia Legislativa. Vale a pena lutar. Até a vitória, e contem conosco”, disse a professora.

CUT-RS quer avanços e defende Banrisul público

Ademir Wiederkehr, diretor do SindBancários e da CUT-RS, informou que os bancos – que fizeram uma proposta ridícula aos bancários – tiveram um lucro recorde de R$ 36 bilhões no primeiro semestre deste ano. “Não podemos retroceder, mas continuar a luta para seguir conquistando aumento real de salários como obtivemos nos últimos 11 anos”, frisou. Ele também defendeu avanços nas negociações específicas com o Banrisul. “Precisamos manter as conquistas do aditivo, mas agregar novas melhorias como mais contratações, plano de carreira e condições dignas de trabalho”, disse.

Ademir falando

Já para Claudir Nespolo, presidente da CUT-RS, o resultado da campanha salarial dos funcionários de bancos termina influenciando a negociação das outras categorias. “O Brasil só sai da crise se houver crescimento da economia, com mais consumo. E só vai ter consumo se tiver salário”, sintetizou. “O aumento real de salário distribuiu a renda e aquece o consumo e a economia”.

Claudir alertou para o risco da retomada das privatizações no Estado. “Aqui no Estado é preciso ficar com um olho no peixe e outro no gato. E o gato está no Piratini, louco pra acabar com o banco dos gaúchos”, finalizou.

Fechamento da SUREG e de agências de bancos privados

Antes do ato na Praça da Alfândega, os bancários paralisaram a Superintendência Regional do Banrisul (SUREG) no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A mobilização foi uma resposta à pressão que superintendentes do Banrisul estão fazendo sobre colegas para votarem contra a greve a partir do dia 6 de outubro na assembleia geral da categoria, marcada para a próxima quarta-feira, 30, às 18h, no auditório do Hotel Embaixador, no centro da Capital.

O SindBancários esclarece que os bancários têm uma Campanha Nacional, que as greves realizadas no Banrisul e em qualquer outro banco ocorrem por adesão espontânea e que não é admissível que o banco exerça coerção sobre os colegas.

Também as agências dos bancos privados, no centro da cidade, foram fechadas na manhã desta sexta-feira, advertindo os bancos para que apresentem uma proposta decente nas mesas de negociações para a categoria.

Bradesco na campanha

 

Fonte: CUT-RS com Sindicato dos Bancários de Porto Alegre