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CUT-RS reforça ato em Porto Alegre contra desmatamento da Amazônia neste sábado

23 agosto, sexta-feira, 2019 às 5:27 pm

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A CUT-RS se une aos movimentos sociais do Brasil e do mundo e reforça o ato em defesa da Amazônia, que será realizado neste sábado (23), às 15h, no Parque da Redenção, em Porto Alegre.  A mobilização ocorre dias após imagens aterrorizantes de desmatamento na região da Floresta Amazônica se espalharem, gerando comoção internacional e críticas de ambientalistas e de autoridades de outros países e contra a política ambiental desastrosa do governo Bolsonaro.

Haverá também ato neste sábado, às 16h, na Praça Dante Alighieri, em Caxias do Sul, e neste domingo (25), às 16h, na Praça Saldanha Marinho, em Santa Maria.

Também estão previstas manifestações em várias cidades brasileiras e de outros países neste fim de semana. As embaixadas do Brasil em Londres (Reino Unido), Madri (Espanha) e Berlim (Alemanha), dentre outras, já foram tomadas nesta sexta-feira (23) por manifestantes, exigindo atitudes do governo para salvar a Amazônia.

Protesto em Londres

Proteger o meio ambiente e os povos da Amazônia

“Temos que nos indignar e reagir contra a destruição da Amazônia, a maior floresta do mundo, o pulmão do planeta, que desde o golpe de 2016 vem sendo atacada pela ganância do agronegócio e pelos saqueadores dos recursos naturais para aumentar os seus lucros”, afirma o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

“Vamos levantar a nossa voz junto com manifestantes de outras cidades em todo o mundo para cobrar medidas do governo Bolsonaro para barrar o desmatamento e as queimadas criminosas, a fim de proteger o meio ambiente e os povos da Amazônia”, destaca.

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 Aumento de 83% das queimadas

Entre janeiro e o último dia 19 de agosto, houve no Brasil um aumento de 83% de queimadas em relação ao mesmo período de 2018, com 72.843 focos de incêndio até aquela data. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável por monitorar o desmatamento com imagens de satélite e que chegou a ter os dados questionados por Bolsonaro.

O fogo se alastra, inclusive, sobre áreas de proteção ambiental e terras indígenas, e ganhou repercussão mundial após a fumaça vinda da Amazônia chegar a São Paulo nesta semana.

Pelo twitter, o presidente da França, Emmanuel Macron, denunciou nesta quinta- feira (22) a onda de queimadas e convocou uma reunião com países do G7 para debater a questão. “Nossa casa está pegando fogo. Literalmente. A Amazônia, pulmão do nosso planeta, que produz 20% do nosso oxigênio, está em chamas. É uma crise internacional”, disse Macron.

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Brasil pode sofrer boicotes e sanções internacionais

Para o secretário de Meio-ambiente da CUT-RS, Paulo Farias, o aumento do desmatamento acontece depois de uma série de comentários de Bolsonaro nos últimos meses contra práticas ecológicas.

“Bolsonaro acabou com as equipes de fiscalização ambiental. Diariamente toneladas de madeira ilegal são extraídas da Amazônia e ele não faz nada. Cerca de 60% da biodiversidade amazônica está em território brasileiro e quem está tomando atitudes concretas para combater o fogo é um indígena”, afirma Farias, referindo-se a Evo Morales, presidente da Bolívia, que recentemente contratou um avião supertanque para tentar conter as chamas.   

Para Farias, a escolha de um anti-ambientalista para a pasta do Meio Ambiente revela o descaso do governo para com as normas internacionais de proteção ambiental. “Colocar o Ricardo Salles como ministro não ajuda em nada. Ele é próximo da bancada ruralista, o grupo mais interessado no desmatamento, pois deseja ocupar as terras para intensificar a produção agropecuária. Só que o tiro vai sair pela culatra. Se as queimadas não forem contidas, sofreremos boicotes e sanções internacionais”, alerta.

A Finlândia já anunciou que pretende levar a discussão sobre o banimento da carne brasileira à União Europeia, caso as queimadas ilegais continuem.  O impacto econômico dessa medida ainda não pode ser calculado, mas, para Farias, o impacto social e político é ainda mais grave.

“A democracia está cada vez mais ameaçada. Não estamos propriamente em um estado fascista, mas no momento em que o presidente da República ataca ONGs, culpando-as pelo desmatamento, e persegue sindicatos, fica claro que é isso o que ele deseja”, analisa o dirigente da CUT-RS.

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Card - Amazônia (3)

 

Fonte: CUT-RS