CUT-RS promove debate sobre mudanças climáticas no FST

Sindicalistas brasileiros e estrangeiros discutiram maneiras de enfrentar as mudanças climáticas e a mercantilização da água

As mudanças climáticas e a mercantilização da água foram debatidos na oficina promovida pela CUT-RS, na manhã desta quinta-feira, 26, no auditório do Hotel Everest, no centro de Porto Alegre.

 O secretário de Meio Ambiente da CUT-RS, Marcos Todt, coordenou a mesa que contou com sindicalistas da argentina, Itália e uma representante da Palestina, além dos dirigentes brasileiros.

 Todt alertou para a necessidade de a classe trabalhadora fazer a conexão entre o tema do desenvolvimento sustentável com outras questões apontadas pelos dirigentes cutistas nos dias anteriores, como o trabalho decente e distribuição de renda. “Temos que fazer esse debate no âmbito da democracia”, afirmou.

 A seguir, o secretário nacional de Relações Internacionais da Central, João Felício, comentou que o movimento sindical internacional pretende transformar a Conferência da ONU Sobre Mudanças Climáticas (RIO+20) em um espaço de resistência e luta. “Nas conversas que tivemos com a Confederação Sindical das Américas e com Confederação Sindical Internacional estabelecemos como meta levar ao menos 400 sindicalistas de todo o mundo. Além disso, nós da CUT pretendemos fazer uma marcha com milhares de cutistas, semelhantes a manifestações que já promovemosem Brasília. Nossapresença não será apenas nos debates, mas também nas ruas”, diz.

 Ao avaliar a atual crise mundial, a secretária do Meio Ambiente da Central, Carmen Foro, entende que não se trata de um momento de retrocesso do capitalismo, mas sim de uma forma de reorganização. Algo que exige muita atenção dos trabalhadores. “O sistema capitalista vende a ideia de economia verde, pinta tudo de verde, distribui pacotinhos de mudas e diz que ali está a salvação do planeta, mas, volta-se para transformar bens comuns, como o ar e a água,em mercadorias. Só muda o produto”, disse.

Carmen acredita ainda que o documento enviado à ONU pelo país por conta da RIO+20 é tímido e exige da CUT e do movimento social uma ampla mobilização. “É preciso construir uma articulação forte para apresentarmos propostas claras e disputar a nossa visão”, acredita.

 Já o coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar Fetraf-Sul, Roberto Balen, alertou sobre a falta de um plano avançado para a agricultura familiar, fundamental para a produção de alimentos de maneira sustentável. “Os governos populares que foram eleitos, como o governo federal e o do Rio Grande do Sul até nos recebem, mas não atendem nossa pauta”, disse.

 “A agricultura familiar corresponde a 33% do PIB gaúcho, portanto é parte fundamental do desenvolvimento do Estado. É fundamental pensar um mercado direto entre o produtor e o consumidor, sem passar pelas grandes redes de hipermercados,” defendeu Balen.

O representante da CGIL, da Itália, Sérgio Bassoli, ressaltou que o papel dos sindicatos é buscar retomar a solidariedade e a luta comum contra um inimigo comum: o atual modelo econômico e social que afeta todo o planeta: “a RIO+20 será fundamental para estabelecer respostas que são improrrogáveis. Cabe ao movimento sindical ter uma proposta alternativa a esse sistema.”

 Os representantes da Central de Trabalhadores da Argentina, Luís Giannini e Júlio Cortejado, também defenderam a unidade dos trabalhadores. O primeiro destacou que o debate deve englobar a comunicação e o segundo foi outro a mostrar o momento favorável às discussões na América Latina. “Na primeira conferência no Rio, a ECO92, vivíamos um momento de ampla maioria de governos neoliberais. Em 2012, o panorama é muito diferente, mesmo com a crise internacional. Dessa forma, devemos pressionar os governos para que assumam a responsabilidade sobre os bens naturais.”

Por fim, Maren Mantiovani, da organização Stop The Wall, que luta pela liberdade da Palestina frente à Israel, comentou como os israelenses aplicam o que aprenderam com os EUA em aulas de saques de recursos naturais. “A expansão da fronteira por parte de Israel ocorre também pela água. Hoje, 10% do que temos na Cisjordânia é para utilização dos palestinos e os outros 90% para os israelenses.”

Ela afirmou ainda que o Brasil já procurou o país importar a tecnologia. Diante disso, a luta do movimento sindical deve ser global, alertou. “Já há contratos com São Paulo, com a Sabesp. E há um ano uma delegação de 20 gaúchos foi para Israel descobrir como utilizar essa estrutura”, contou.

 Por fim, ela disse ser de grande importância pensar na globalização das lutas dos movimentos sociais contra as multinacionais. “Espero que quando vier para o Fórum Mundial Palestina Livre, em novembro, aqui em Porto Alegre eu tome água produzida por Porto Alegre e não por um Estado que rouba os recursos de outro país”, finalizou. 

Por: Renata Machado com informações da CUT Nacional

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