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CUT-RS e centrais pressionam deputados, mas votação do mínimo regional é adiada

15 maio, quarta-feira, 2019 às 4:56 pm

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Piso regional na AL

Piso regional na AL

Apesar da pressão da CUT-RS e centrais sindicais, a votação do projeto de reajuste do salário mínimo regional para 2019 não entrou na pauta de votação da sessão desta terça-feira (14) do plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, ficando o assunto para ser apreciado na próxima semana. A data-base do chamado piso regional é 1º de fevereiro.

Na segunda-feira (13), dirigentes das centrais foram recebidos em audiência pela presidenta em exercício da Assembleia, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), uma vez que o presidente da Casa, deputado Luiz Augusto Lara (PTB) integra a comitiva do governador Eduardo Leite (PSDB) na viagem a Nova York e Londres. O encontro, requerido pelas centrais, teve como finalidade solicitar que a mesa diretora do Legislativo incluisse o piso regional na pauta de votação.

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, reafirmou que a demora na aprovação do reajuste “é uma pouca vergonha”, deixando com salários defasados cerca de 1,5 milhão de trabalhadores gaúchos do campo e da cidade, justamente os que menos recebem no Estado. “Não dá para esperar mais. A paciência de quem precisa do reajuste esgotou”, protestou.

Centrais pedem reajuste igual ao mínimo nacional

Enviado aos deputados com atraso e sem regime de urgência no dia 1º de abril pelo governador, o projeto estabelece um reajuste de 3,4%, que repõe somente a inflação de 2018. As centrais defendem a aprovação da emenda apresentada pela bancada do PT, em 5 de abril, que prevê o reajuste igual ao salário mínimo nacional, que foi de 4,61%.

Nespolo lembrou que a reivindicação inicial das centrais era um reajuste de 8,43%, como forma de resgatar a diferença de 30% acima do mínimo nacional vigente entre 2002 e 2004, conforme estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O piso regional sofreu uma perda de 3,65% no governo Sartori, apontou. “Temos que evitar o achatamento do mínimo regional”, salientou.

Parte da base aliada de Leite impede acordo para votação do projeto

Nesta terça-feira, parte da base alidado de Leite não deu acordo na reunião de líderes das bancadas para colocar o projeto na pauta de votação do plenário, adiando a possibilidade de sua aprovação juntamente com a emenda defendida pelas centrais. 

Os deputados do PT questionaram na tribuna a incoerência dos parlamentares que não aceitaram o acordo, afirmando que é um contrassenso, uma vez que a mesma base aliada do governo quer votar o decreto que reajusta para R$ 123 mil o salário do futuro presidente do Banrisul e de R$ 90 mil para os demais diretores indicados. O decreto não chegou a ser votado devido à falta de quórum.

O deputado Pepe Vargas reconheceu que, além dos partidos da oposição (PT, PDT e PSOL), quatro partidos da base do governo (MDB, PP, PTB e PSDB) concordaram em colocar o projeto na pauta, mas outros sete partidos alidados do governador não quiseram fazer a votação.

Pepe comparou o esforço feito pelo governo para mobilizar a sua base para votar a proposta de emenda constitucional, que retirou o direito do povo gaúcho votar se quer ou não vender as empresas gaúchas. Mas quando é para votar o reajuste do mínimo regional, o governo não consegue articular os seus deputados.

“É lamentável, pois o piso regional é um fator que garante distribuição de renda, é um fator importantíssimo para a economia regional, na medida em que aumenta o poder de compra e, consequentemente, irrigando o comércio e, se tem que pagar um salário maior, também aumenta o seu faturamento e a indústria vai poder produzir mais, aumentando consumo e produção”.

Deputados de oposição criticam aumento para diretores indicados ao Banrisul

O deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) defendeu a emenda de reajuste de 4,6%, igual ao índice do mínimo nacional. Ele advertiu, no entanto, que há um movimento para acabar com o piso regional. "A importância de se ter um piso para o trabalhador para a movimentação da economia, quanto isso significa na vida das pessoas ter um salário melhor, como que se viveu momentos de crescimento se não foi a partir da distribuição de renda e como se faz a distribuição se não é com salários?”, indagou.

Mainardi criticou também o governador que quer trazer para a direção do Banrisul um especialista em privatização e ainda quer ganhar 88 vezes o que ganha um professor que trabalha 40 horas semanais.

Após a aprovação dos deputados, quando ocorrer, o projeto ainda precisará da sanção do governador para entrar em vigor.

 

 

Fonte: CUT-RS com Brasil de Fato