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CUT divulga nota em defesa da paz após massacre que deixa dez mortos em escola na Grande São Paulo

13 março, quarta-feira, 2019 às 10:36 pm

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Massacre

Massacre

Dois ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil, de Suzano, na Grande São Paulo, Guilherme Taucci Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25,  invadiram o antigo colégio na manhã desta quarta-feira (13) e atiraram a esmo com um revólver calibre 38 e uma arma medieval semelhante a um arco e flecha. Até agora, pelo menos 10 pessoas morreram no ataque. Entre os mortos estão os atiradores que, segundo a polícia, se suicidaram.

Antes de entrar na escola pelo portão da frente, as 9h30 da manhã, horário de intervalo, os atiradores encapuzados balearam o proprietário de um lava-jato localizado próximo à escola, segundo informações do  comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcelo Vieira Salles. A vítima, Jorge Antonio Morais, 51 anos, comerciante, foi socorrida pela polícia e levada de helicóptero para o hospital, mas não resistiu. 

Segundo a PM, os atiradores escolheram o horário do intervalo das aulas para fazer o maior número possível de vítimas.

As primeiras baleadas foram a coordenadora pedagógica e uma funcionária, que morreram na hora. Depois, os assassinos balearam mais quatro estudantes, que também morreram no local. Outro baleado morreu depois de ser atendido no hospital.

De acordo com o comandante Salles, os atiradores se suicidaram em um dos corredores da escola, depois de tentarem atirar em mais um grupo de alunos e não conseguir. Esses alunos se trancaram em uma sala com a professora.

Vítimas

No total, 23 pessoas foram encaminhadas a unidades de saúde: Hospital Santa Maria (9), Santa Casa (3), Hospital Luzia de Pinho Mello (2), Hospital Santana (2), Hospital Santa Marcelina (5), Hospital das Clínicas (2).

Os mortos no massacre

A polícia divulgou agora a pouco os nomes dos dez mortos no massacre. Entre as vítimas estão cinco alunos da escola, dois funcionários e um comerciante. Os dois atiradores teriam cometido suicídio.

Estudantes

Pablo Henrique Rodrigues

Cleiton Antônio Ribeiro

Caio Oliveira

Samuel Melquíades Silva de Oliveira

Douglas Murilo Celestino (chegou a ser levado pelo Samu, mas morreu a caminho do hospital).

Funcionárias da escola

Marilena Ferreira Vieira Umezo, coordenadora pedagógica

Eliana Regina de Oliveira Xavier, agente de organização escolar.

Comerciante

Jorge Antônio Morais, dono do lava jato

Atiradores

Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos

Luiz Henrique de Castro, 25 anos.

De acordo com o Censo Escolar de 2017, a Escola Estadual Raul Brasil, que fica no bairro Parque Suzano, tem 105 funcionários e 1.067 alunos. Os estudantes são do 5º ano ao ensino médio, sendo a maioria alunos de ensino médio.

CUT em defesa da paz

A CUT vem manifestar sua solidariedade à comunidade escolar e aos familiares das vítimas do massacre ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (13), que vitimou oito pessoas: cinco estudantes, duas funcionárias e um comerciante.

É preciso que a investigação do crime avance para contribuir na compreensão do caso e, assim, evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer. Contudo, mesmo sem um parecer conclusivo, podemos afirmar desde já que o predomínio da cultura da violência sobre a cultura da paz tem sido um dos fatores responsáveis por diversos assassinatos no país.

Parte importante desta cultura da violência tem crescido recentemente, sendo estimulada inclusive por autoridades que defendem facilitar a posse e o porte de armas pela população como suposta solução para o problema da segurança. Consequentemente, o Estado se isentaria de sua responsabilidade, que assim seria transferida para o âmbito privado e individual.

Ao instituir um verdadeiro “salve-se quem puder”, a proposta enfraqueceria a segurança pública ao invés de aperfeiçoá-la. Sua aplicação significaria que o Estado estaria atestando sua própria incompetência no assunto, não sua eficiência. Além disso, ao invés de diminuir, a disseminação da posse e do porte de armas simplesmente aumentaria as chances de disparos e, portanto, de mais vítimas.

A CUT reafirma seu compromisso com a construção de uma política de segurança pública que promova a cidadania e a cultura da paz e reitera seu repúdio às iniciativas que incentivam o armamento da população e à cultura da violência nelas embutidas.

13 de março de 2019

Executiva da CUT

 

 

 

Fonte;CUT Nacional