Central Única dos Trabalhadores

Congresso do Povo de Porto Alegre terá assembleias populares e conferências temáticas de janeiro a junho

24 janeiro, sexta-feira, 2020 às 8:02 pm

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Congresso do Povo1 (3)

Congresso do Povo1 (3)

Representantes de partidos, entidades sindicais, movimentos sociais e coletivos culturais aprovaram nesta sexta-feira (24) a Carta de Princípios do Congresso do Povo de Porto Alegre, em um ato realizado no auditório do Sindicato dos Municipários (Simpa), dentro da programação do Fórum Social das Resistências.

O Congresso do Povo de Porto Alegre se apresenta como “um espaço aberto de construção coletiva e dialogada, composto por pessoas e organizações” para debater propostas, junto com a população da cidade, que orientem um programa capaz de derrotar “as políticas de morte executadas pelo governo Bolsonaro e seus representantes locais, como é o caso do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB).

Para tanto, o Congresso se reunirá em uma série de encontros temáticos entre janeiro e junho de 2020, na capital gaúcha. Ao longo dos próximos meses serão realizadas assembleias populares, conferências livres (que poderão ser organizadas inclusive de modo autogestionário), conferências temáticas (março-maio) e uma grande sessão plenária do Congresso do Povo, no mês de junho.

Segundo a Carta de Princípios aprovada, a adesão ao Congresso do Povo implica também um “compromisso com a construção da unidade política da esquerda no processo eleitoral de 2020, seja para o primeiro ou para o segundo turno”.

O documento detalha o significado da expressão “unidade política da esquerda” a partir das seguintes condições: i) cumplicidade tática, ii) respeito pelas posições alheias; iii) solidariedade ativa nos espaços de disputa contra a direita bolsonarista, amiga ou conivente com o bolsonarismo. Os desafios colocados para a construção desta unidade foram um dos principais pontos do encontro realizado nos marcos da programação do Fórum das Resistências.

Derrotar o fascismo e recuperar Porto Alegre, o RS e o Brasil

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Everton Gimenis: "Governo neofascista quer acabar não só com os direitos dos trabalhadores."

O vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, ressaltou que "vivemos hoje num estado de exceção, com um governo neofascista que quer acabar não só com os direitos dos trabalhadores, mas também com a democracia, a liberdade do povo, a Amazônia".

Gimenis, que é também presidente do SindBancários, salientou a importância do Fórum das Resistências "para discutir um mundo melhor com os movimentos sociais" e do Congresso do Povo "como uma iniciativa que devemos transformar em permanente para construir uma frente de esquerda para enfrentar o fascismo e recuperar Porto Alegre, o Rio Grande do Sul e o Brasil".

Ele observou que essa frente não deve ser somente eleitoral com os partidos de esquerda. "A aliança maior que temos que fazer é com o povo, através de suas representações do campo e da cidade", defendeu. "Vamos derrotar o fascismo", apontou. 

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Francisco Marshall: “Reivindicações de partidos são legítimas, mas menores do que a exigência da unidade”. (Foto: Giulia Cassol/Sul21)

Professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante do Coletivo Prosperarte, Francisco Marshall, destacou que há um verdadeiro clamor em Porto Alegre em torno da necessidade de construção de uma frente de esquerda.

Para ele, a importância da formação dessa frente não está ligada tanto a uma estratégia eleitoral, mas sim ao fato de ela ser um símbolo de resistência para enfrentar o fascismo e as diversas formas de violações de direito que se espalharam pelo país.

“Ninguém aqui é ingênuo para desconhecer as diferenças e divergências existentes entre as forças políticas de esquerda, em especial entre o PT e o PSOL, e tampouco negamos a legitimidade das aspirações de cada partido. Essas reivindicações são legítimas, mas menores do que a exigência da unidade”, ressaltou.

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Marianna Rodrigues, do PCB, defendeu necessidade de construção de um programa radicalizado em Porto Alegre. (Foto: Giulia Cassol/Sul21)

Marianna Rodrigues, militante do Partido Comunista Brasileiro, defendeu que o debate colocado pela atual conjuntura política, perpassa o tema da unidade no campo da esquerda, mas vai muito além. “Mais do que somar letras de siglas de partidos a essa frente e debater quem será o vice, é preciso discutir e construir um programa para Porto Alegre”.

A representante do PCB defendeu a necessidade de elaboração de um programa radicalizado para enfrentar o processo de desmonte e violação de direitos ao qual a população da cidade vem sendo submetida nos últimos anos, de forma progressiva.

Vice-presidenta do PCdoB no Rio Grande do Sul, Abigail Pereira afirmou que o principal objetivo do Congresso do Povo é constituir um espaço de mediação, de pactuação e de construção de propostas para enfrentar a “avalanche de retirada de direitos e construir uma cidade livre do fascismo”. Todos os nossos partidos, acrescentou Abigail, querem o campo de esquerda unido.

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Abigail Pereira: “Todos os nossos partidos querem o campo de esquerda unido”. (Foto: Giulia Cassol/Sul21)

“É legítimo que partidos como o PDT queiram ter candidatura própria. Mas sabemos que, se a Juliana (Brizola) estiver no segundo turno, nós estaremos com ela, assim como ela estará conosco se nós estivermos no segundo turno. O que não pode ocorrer é que o nosso campo não vá para o segundo turno. Temos todas as condições de tornar Porto Alegre um polo avançado de resistência ao fascismo”.

O ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont (PT), lembrou as razões que levaram a capital gaúcha a sediar o Fórum Social Mundial. “Essa luta internacional de resistência nasceu para se contrapor ao centro de formulação de pensamento da burguesia mundial, reunido em Davos. E o Fórum veio para Porto Alegre por causa da decisão que tomamos de incentivar a soberania popular, fazendo com que a população passasse a decidir os rumos da cidade”.

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Raul Pont: “a pior coisa que pode acontecer é gerarmos uma frustração nas pessoas que acreditam na gente”. (Foto: Giulia Cassol/Sul21)

Ao falar sobre os desafios colocados para a constituição de uma frente de partidos de esquerda visando a eleição municipal de 2020, Raul Pont disse que “a pior coisa que pode acontecer é gerarmos uma frustração nas pessoas que acreditam na gente”.

Para que isso não ocorra, concluiu, é preciso que os partidos sentem juntos em torno de uma mesa para debater um programa para a cidade. Até agora, PT, PCdoB e PSOL não tiveram nenhuma reunião formal para debater esse tema.

Assista à transmissão da Rede Soberania

 

Fonte: CUT-RS com Marco Weissheimer – Sul21