Central Única de Trabalhadores

Conferência de Comunicação aponta unidade da esquerda e defesa da democracia e da liberdade de Lula

14 abril, sábado, 2018 às 6:41 pm

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Conferência Comunição

Conferência Comunição

A unidade e a emoção marcaram o ato político que abriu  a “Conferência Lula Livre – vencer a batalha da comunicação” na noite desta sexta-feira (13), em São Paulo.

João Manuel Oliveira e Vanilda de Anunciaçao silenciaram a plateia lotada ao declamarem a poesia de autoria de Pedro Tierra que simboliza a indignação e a injustiça com resistência para a liberdade de Lula.

Logo depois, a intervenção artística do  Lucas Islan foi aplaudida ao criticar a imparcialidade da mídia, o golpe, a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro e o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes.

A simbologia da representação política das pessoas que participaram do debate mostra a unidade da esquerda em defesa da democracia, da liberdade para Lula e na crítica à mídia comercial, que fez parte do golpe e contribuiu para o momento político que o país está passando.

Democratização da comunicação não pode esperar

O secretário nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, lembrou que Lula estaria na Conferência, caso não fosse um preso político porque foi ele o maior provocador do debate. Falou da maior audiência histórica que a TVT teve durante a resistência em São Bernardo do Campo. no último sábado (7) , dos projetos da CUT e sobre o potencial que a esquerda tem para os desafios da comunicação.

“Segundo pesquisa CUT/VOX populi, cerca de 30% da população é petista, de esquerda e simpatizante. Nosso desafio é chegar neste número. Não dá para esperar a democratização da comunicação, temos que fazer já”, disse Roni, que encerrou sua fala com a palavra de ordem “Lula Livre”.

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula, jornalista Franklin Martins, lembrou que havia entregue um projeto à presidenta Dilma para a regulação dos meios de comunicação e defendeu que o tema precisa ser enfrentado para democratizar o acesso à mídia, a exemplo de outros países.

A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), senadora  Gleisi Hoffmann, do Paraná, falou da participação da Globo no processo do golpe, com a ajuda da Justiça e do Parlamento e frisou: a esperança que o povo tem é “em Lula Livre para ser presidente outra vez e tirar o País dessa crise”.

“A Rede Globo foi condutora de tudo isso, se comportando como um partido político e é essa narrativa que temos que contrapor”, disse a senadora.

Tudo isso, disse Gleisi,  deve ser feito com respeito a candidaturas, como a da Manuela D’Ávilla (PCdoB) e a de Guilherme Boulos (PSOL) e de outros partidos, como PDT e PSD, que compõem a frente democrática.

Segundo ela, o ex-presidente Lula, mesmo com o processo de desconstrução contínua, surge diante dessa crise como uma esperança de que podemos sair dessa e fazer o Brasil voltar a crescer.

Disputa da narrativa

Durante o ato, foi apresentada mensagem que Lula deixou para os brasileiros e as brasileiras antes de cumprir ordens judiciais em Curitiba e um vídeo com a fala do ex-presidente Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que emocionou e fez a plateia se levantar e aplaudir.

Gleisi Hoffmann agradeceu a presença dos comunicadores e jornalistas das mídias alternativas presentes na atividade e destacou a importância de uma outra narrativa que esclareça a população de que existe um outro lado da história que a mídia comercial não mostra.

“Nunca foi tão importante termos uma comunicação  tão eficiente para fazer a disputa da narrativa e levar para o povo brasileiro o esclarecimento que a gente tem feito sobre a prisão injusta do ex-presidente e o golpe de 2016, que teve como objetivo acabar com os direitos do povo e com a democracia”, destacou Gleisi.

Com apoio da CUT, da TV dos Trabalhadores (TVT), Rede Brasil Atual (RBA), Revista do Brasil, Fundação Perseu Abramo (FPA) e do Brasil de Fato, a “Conferência Lula Livre – vencer a batalha da comunicação” foi uma deliberação do 6º Congresso Nacional do PT, que aconteceu em 2017.

O principal objetivo foi “compreender o papel da luta e chegar a uma conclusão que dê mais força e unidade para que a comunicação democrática e popular, liberte Lula e contribua para a liberdade do povo”, explicou o secretário nacional de Comunicação do PT, Carlos Henrique Árabe.

A noite foi cheia de debates sobre o oligopólio da mídia, das críticas e das conquistas do governo Lula no tema, como a TV pública e o marco civil da internet. Também foram discutidos projetos de lei em trâmite  na Câmara e no Senado, que colocam a democracia em xeque e propostas para uma comunicação mais plural e democrática.

A Conferência termina neste sábado com um painel da filósofa Marilena Chaui, com oficinas de redes sociais, audiovisual, jornal e rádio. Também será construído um documento da conclusão da discussão, que terá um peso importante para as ações do PT no próximo período.

Além da coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, participaram da abertura da Conferência a coordenadora do Intervozes, Bia Barbosa, a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres e representante da Frente Brasil Popular, Nalu Farias, o presidente do PCO, Antonio Carlos, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros e o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino.

 

 

Fonte: Érica Aragão – CUT Nacional