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Com governo Leite, RS fecha 11,2 mil empregos formais em maio, pior saldo do país

28 junho, sexta-feira, 2019 às 9:22 pm

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DRT RS

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Focado em privatizar as empresas públicas de energia, a exemplo do que tentou o seu antecessor, o governo Eduardo Leite (PSDB) colheu o pior desempenho nacional no mercado de trabalho formal em maio.

O Rio Grande do Sul fechou 11,2 mil empregos com carteira assinada. Uma tragédia para os trabalhadores, aumentando a fila de desempregados! O resultado foi o mais baixo para o período desde 2017, quando houve o encerramento de 12,3 mil vagas.

Os dados são da pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgada pelo Ministério da Economia na tarde desta quinta-feira (27).

No mês passado teve a abertura de 84,9 mil postos de trabalho e a extinção de outros 96,1 mil. O desempenho foi influenciado, principalmente, pela agropecuária que fechou 4,2 mil empregos.

Entre os setores, a indústria da transformação apresentou o segundo maior saldo negativo em maio. Conforme o Caged, as fábricas gaúchas fecharam 3,9 mil vagas. Comércio (-2,6 mil), serviços (-260) e construção (-223) também ficaram no vermelho.

Houve geração de alguns empregos na indústria extrativa mineral (52), administração pública (16) e serviços industriais de utilidade pública (10).

Enquanto isso, O Brasil abriu 32,1 mil empregos em maio, porém o pior resultado para o mês desde 2016. O saldo decorre de 1,347 milhão de admissões e 1,315 milhão de demissões. 

Dieese aponta mais um ano sem crescimento econômico

Para o  supervisor técnico do Dieese no Rio Grande do Sul, Ricardo Franzoi, “a geração de vagas com carteira assinada voltou a decepcionar em maio, reforçando a percepção de que o desempenho negativo da atividade em abril teve continuidade no mês seguinte. O resultado reforça o temor de uma nova queda do PIB no segundo trimestre”.

Franzoi

“Mas, afinal, o Brasil saiu da crise? Embora em 2017 e 2018, a gente possa ter saído do vermelho em termos de crescimento do PIB, para os trabalhadores essa recuperação da crise não ocorreu. Continuamos com níveis de desemprego muito altos e percebemos pela qualidade de vida das pessoas que a crise não acabou”, salienta.

Segundo o economista do Dieese, “o crescimento no Brasil de novas empresas são de aplicativos de entrega, com empregos na maioria das vezes de péssima qualidade e que não geram arrecadação. A exceção tem sido as empresas de commodities, que apresentam uma série de riscos embutidos, como clima, cotação do dólar e preços internacionais, além de promoverem uma concentração da renda e receberem um enorme incentivo fiscal”.

“Desde 2015, o Brasil foi se enredando na armadilha da austeridade. Tivemos, primeiro, a Emenda Constitucional (EC) 95, que condiciona, por 20 anos, os investimentos públicos ao reajuste da inflação, ou seja, a constitucionalização da austeridade. Depois veio a reforma trabalhista, que na época, se falava que ia gerar seis milhões de empregos formais. Essa onda de cortar gastos está nos colocando em um buraco sem fundo. O resultado que estamos vendo é mais um ano sem crescimento”, alerta Franzoi.

 

 

Fonte: CUT-RS com Dieese