Central Única dos Trabalhadores

Coletivo Nacional de Mulheres da CUT se reúne para garantir e defender a democracia

9 dezembro, quarta-feira, 2015 às 3:57 pm

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Mulheres CUT

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Integrantes do coletivo de mulheres da CUT nacional e convidadas estiveram reunidas nesta terça (8) em São Paulo para a oficina de ‘Políticas Públicas para fortalecer a autonomia das mulheres trabalhadoras’.

Organizado pela a Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, a Fundação Friedrich Ebert e o Centro de Estudos Sociais e o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/Unicamp), a atividade teve como objetivo debater as prioridades temáticas que deverão orientar a intervenção das trabalhadoras da CUT no processo preparatório da IV Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, prevista para acontecer em Março do próximo ano, e atualizar as participantes sobre as ações recentes da entidade e discutir as atividades previstas para 2016.

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Dirigentes nacionais da CUT no encontro de mulheres da CUT

Em sua análise de conjuntura política, a Secretária Nacional de Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, destacou o cenário de impeachment instalado contra a presidenta Dilma Rousseff e a importância do papel da central neste período.

“Nós, enquanto central, somos responsáveis pela permanência de Dilma no poder. Apesar de não concordar com este projeto econômico que a presidenta está apresentando, nós somos responsáveis pelo projeto popular que este governo representa”, destacou Juneia.

“Não tem como pensar o futuro sem falar do presente, nós precisamos sair às ruas para defender um projeto e a legitimidade da presidenta”, complementou a dirigente se referindo ao ato nacional que as Frentes estão chamando para o próximo dia 16.

A secretária nacional de Igualdade Racial da CUT, Maria Júlia Reis, contou como foi a experiência da organização e da participação na Marcha das Mulheres Negras, que aconteceu em novembro e provocou a mulherada para ajudar a organizar a próxima, que está prevista para acontecer em 2016.

Ela também citou a importância da oficina Nacional para consolidar a paridade de gênero na diretoria da CUT, implementada no 12º Congresso. “A gente precisa fortalecer as mulheres dentro da central e construir coletivamente as estratégias e ações que a gente deve fazer para envolver cada vez mais o movimento sindical cutista”.

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Mulheres da CUT discutindo políticas públicas e ações sindicais

A secretária de Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Silva, lembrou que é preciso pensar nas mulheres trabalhadoras do campo. “Precisamos pensar em como aumentar o atendimento para banir o uso de agrotóxico, que prejudica a vida das mulheres, maioria na agricultura familiar. Temos que pensar numa política que ofereça vida digna para mulher que escolha permanecer no campo, ou até mesmo sair”, justificou Madalena.

Na atividade foi apresentado um “Balanço das Políticas Públicas para o Mundo do Trabalho” pela diretora executiva do DIEESE, Patricia Pelatieri. O documento é uma análise feita no período de 2003 a 2014.

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Apresentação do estudo do DIEESE

Os dados apresentados mostraram que apesar das políticas públicas implementadas nos últimos anos para aumentar a igualdade, como a Política Nacional do Salário Mínimo, que beneficia na maioria as mulheres, entre outras, a desigualdade salarial e as ocupações mais precárias ainda são realidade delas.

Também foi destacado que as mulheres, na sua maioria, ainda assumem sozinhas a responsabilidade familiar, que segundo o documento prejudica a igualdade de oportunidades das mulheres.

Os números apresentados na pesquisa mostraram que as mulheres avançaram. Com a política do Governo federal do Micro Empreendedor Individual (MEI), num período de 6 anos, por exemplo, cresceu 800% a formalização das mulheres, que garantiu proteção social para elas, e o número da População Feminina Economicamente Ativa também cresceu: 5 milhões de mulheres entraram para o mundo do trabalho.

A diretora do DIEESE lembrou que a crise econômica pode atingir ainda mais as mulheres. “Ganhos do mercado de trabalho estão diminuindo e as mulheres e jovens são os primeiros a perderem. Os avanços não estão garantidos e é com políticas que conseguimos avançar”, disse Patricia.

As mulheres da CUT discutiram as demandas e os temas prioritários para levar para a 4º Conferência Nacional de Políticas para mulheres e várias propostas de ações para a CUT em 2016, como autonomia econômica para as trabalhadoras rurais, igualdade salarial, licença parental, creche, a ratificação da convenção 156 da OIT e a regulamentação e organização sindical da trabalhadora doméstica.

“Há muita luta pela frente para a classe trabalhadora. Temos que lutar para legitimar um governo, mas também temos a luta das mulheres trabalhadoras que ainda ganham menos, que ainda estão nos postos de trabalho mais inferiores e que ainda são responsáveis pelos trabalhos domésticos. A luta pela igualdade de oportunidades é bandeira da CUT”, justificou Juneia.

Sobre a organização da atividade

A atividade faz parte do Projeto do CESIT, que tem como objetivo aprofundar temas relativos a formulação de implementação de políticas públicas para mulheres e preparar as mulheres cutistas no processo de construção das Conferências Estaduais e Nacional.

“É um processo de integração! A gente contribui com a formulação mais geral sobre as dinâmicas do mundo do trabalho e conhece as experiências concretas das mulheres sindicalistas. E isso reflete nas nossas atividades”, explicou a Coordenadora do CESIT/UNICAMP e economista, Marilane Teixeira.

Para a diretora de Projetos Políticas Sociais, Relações de Trabalho, Gênero e Cooperação Sindical da FES, Waldeli Melleiro, é fundamental fortalecer o debate de políticas públicas com a participação das mulheres no movimento sindical.

Segundo ela, o número de mulheres inseridas no mundo do trabalho aumentou e elas precisam estar preparadas para enfrentar a desigualdade.

“A gente fala o tempo todo que a classe trabalhadora tem dois sexos, mas precisa de políticas específicas para enfrentar a desigualdade e a discriminação. Não tem como ter uma democracia real se houver desigualdade e diferenças de participação na sociedade”, finalizou Waldeli.

 

Fonte: CUT Nacional