Central Única dos Trabalhadores

Caixa comemora 159 anos e bancários fortalecem resistência

13 janeiro, segunda-feira, 2020 às 5:24 pm

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Ato na Caixa2 (2)

Ato na Caixa2 (2)

O que seria apenas outra data festiva, para comemorar os 159 anos de existência da Caixa Econômica Federal, transformou-se nesta segunda-feira (13), em função das medidas privatizantes do governo Bolsonaro, em um dia de luta e debate nas capitais e principais cidades de todo o país.

Conscientes da importância da data como um marco de defesa do banco público, dezenas de bancários se reuniram em frente ao edifício-sede da Caixa, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre, ao meio-dia desta segunda-feira, lembrando a fundação da Caixa, em 12 de janeiro de 1861, e o seu papel social no desenvolvimento do país. 

O ato foi promovido pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Fetrafi-RS, com apoio da CUT-RS.

Consequências do voto

O presidente do SindBancários e vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, reforçou a necessidade da categoria ficar atenta e forte contra o desmonte da Caixa e a tentativa de dilapidação desse patrimônio do povo brasileiro.

“Mas também é fundamental lembrar que o voto tem consequências, e o voto em Bolsonaro na última eleição mostra isso – tudo o que vemos no Brasil hoje foi resultado dessa escolha. Mas a Caixa é pública e assim tem que continuar. Fora Bolsonaro!”, destacou.

Habitação popular

“A Caixa é responsável pelas principais linhas de financiamento da habitação popular, saneamento e outras políticas públicas”, lembrou o diretor do SindBancários e empregado da Caixa, Jaílson Prodes.

“Hoje, a maioria dos municípios brasileiros dependem, para existir e tocar seus projetos, dos recursos sociais geridos pela Caixa, pelo Banco do Brasil e – no caso do RS – pelo Banrisul e outros bancos públicos”, frisou Jaílson.

Também empregada da Caixa e diretora do Sindicato e da Fetrafi-RS, Caroline Heidner, foi didática, para ampliar a compreensão dos transeuntes que se acomodaram próximos da entrada da agência para ouvir as manifestações, curtir a apresentação dos artistas Lili Fernandes e Dudu Castilho e, ao final, degustar um bolo de aniversário acompanhado de refrigerante. Caroline destacou pontos importantes do processo de desmonte dos bancos e empresas públicas do Brasil sob o governo Bolsonaro.

Só bancos públicos investem em programas sociais

“Hoje, os bancos cobram juros de agiotagem, mas a Caixa consegue puxar para baixo essa política de exploração da população – e somente os bancos públicos podem investir em ações sociais, pois não têm o lucro como seu objetivo maior”, explicou a dirigente sindical. “Os bancos públicos oferecem todos os serviços que os privados têm, só que ainda mantêm políticas públicas, em que os outros não querem investir”, desenhou ela.

Segundo Carol, os bancos privados mostram duas características principais de atuação – cobram juros altos e atuam em projetos com prazo curto. Já os investimentos de infraestrutura, pesquisa e demais que necessitam de períodos maiores não interessam aos bancos privados.

Nas manifestações na praça, foi lembrado que a Caixa voltou a investir em política habitacional. “Isso é uma meia verdade”, disse Caroline. “Agora esse investimento visa apenas à classe méia, o que é bom, mas as faixas de menor renda ficaram de fora”, criticou.

Comida na mesa

Bia Garbelini, também diretora do Sindicato, trouxe à manifestação a solidariedade dos colegas do Banco do Brasil. “A gente está junto nesta luta e também não aceitamos a privatização dos bancos estatais. São esses bancos e as empresas públicas que conseguem colocar comida na mesa dos brasileiros e brasileiras”, enfatizou.

O diretor de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Mauro Salles, indagou: “Quem, em sã consciência, jogaria no lixo um patrimônio como a Caixa, que dá lucro e beneficia a toda a população?”. O próprio sindicalista respondeu: “Este governo e seus interesses iludiram a população da necessidade das reformas da Previdência e Trabalhista, que não geraram nem podem gerar qualquer benefício para o povo. Eles querem que a gente rasgue dinheiro e ache bom”, disse.

Defesa da democracia

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Correa, recordou que a Caixa, pelas características de banco público, ao longo dos anos financia a casa própria, saúde, saneamento, cultura e esporte dos brasileiros. “Entregar este patrimônio de todos à iniciativa privada faz mal ao Brasil. Faço um chamamento para que a Caixa tenha uma vida ainda mais longa, mas precisamos defender também a democracia, que hoje corre risco no Brasil”, pontuou.

Guaracy Padilla Gonçalves, empregado da Caixa, reforçou que o ato em todo o Brasil pelos 159 anos da Caixa é mais do que os festejos de aniversário: “Mais do que isso, precisamos deixar claro a resistência dos empregados e da sociedade ao desmanche do banco. Vejo este ato como um momento de reflexão para alimentar a nossa ação”, afirmou.

Bancarização do povo

Funcionária de carreira do Banrisul, a diretora do Sindicato Ana Guimaraens pediu a palavra para focar num ponto importante: “Os bancos privados dependem dos acionistas e de seus interesses. São os bancos públicos que bancarizam o pequeno vendedor, a doméstica, a população de baixa renda." 

"Se os bancos como a Caixa, o BB, o Banrisul e outros forem privatizados, assim como as empresas públicas, a vida vai ficar mais cara para todo mundo, pois não haverá mais subsídio à casa própria, ao saneamento e ao resto”, assinalou.

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Nos 159 anos da Caixa, a luta é contra o seu fatiamento – artigo de Caroline Heidner

 

Fotos: SindBancários

 

Fonte: CUT-RS com SindBancários