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Brasil registra recorde de covid-19 em 24 horas e passa de 90 mil mortos

29 julho, quarta-feira, 2020 às 11:03 pm

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Coveiros2

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RBA – A pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, segue cada vez mais letal no Brasil. Nas últimas 24 horas foram registradas 1.664 mortes, número mais alto desde o início do surto, em março. Já são 90.134 vidas perdidas. As informações são do Conass, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde e foram divulgadas no início da noite desta quarta (29).

O número de casos também tem um novo pico. No último período, foram registrados 72.377 novos doentes. Com o acréscimo, o país tem 2.553.265 infectados. A curva epidemiológica no Brasil segue em crescimento.


Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)

A curva de contágio da covid-19 nunca deixou de subir. Uma estabilidade – em números elevados – registrada no início do mês de julho, chamado de platô, foi utilizado pelo poder público como justificativa para suspender as já leves medidas de proteção e isolamento social. O resultado vai aparecendo nos dados atuais.

O Brasil tem oficialmente mais de mil mortos por dia há mais de um mês. Neste período, o país segue como epicentro da pandemia no mundo. Diferentemente de alguns países, que tiveram medidas intensivas de isolamento social e viram descer os números de infectados e mortos, o Brasil nunca adotou essa postura e, portanto, não teve a redução.

Outro aspecto importante é a subnotificação da covid-19. O Brasil é um dos países que menos testa no mundo, em proporção per capta. Essa tendência tende a se intensificar, à medida que o vírus segue um trajeto para o interior. Longe dos grandes centros urbanos, a capacidade de medicina diagnóstica é ainda mais deficiente.

Sem expectativa

O Brasil é o segundo país mais afetado pelo vírus, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, enquanto os norte-americanos realizam cerca de 120 testes para cada positivo, este índice não chega a quatro testes para cada positivo no Brasil.

Já no cenário latino-americano, o Brasil desponta como o mais problemático. Enquanto 11 países somam pouco mais de 45 mil mortos, aqui são 90 mil, duas vezes mais.

Enquanto o governo Bolsonaro despreza a ciência, o Brasil está desde o dia 15 de maio sem ministro da Saúde. A pasta é comandada interinamente por um militar sem experiência na área.

Já os governadores e prefeitos que, inicialmente, adotaram um discurso de mais responsabilidade, já o abandonaram. Enquanto a pandemia de covid-19 segue cada vez mais letal, as fracas medidas de isolamento social seguem sendo suspensas. Governadores como João Doria (PSDB), do estado mais afetado pelo vírus, São Paulo, seguem com a intenção de forças a suspensão das medidas, até para o retorno dos professores e alunos às salas de aula.

Rio Grande do Sul

Sul21 – Assim como ontem, o Rio Grande do Sul voltou a registrar número recorde de óbitos por coronavírus nesta quarta-feira. Foram 70 mortes relacionadas à doença notificadas nas últimas 24 horas – e que ocorreram entre os dias 6 e 29 de julho -, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde. O RS tem agora 1.750 mortes em decorrência da covid-19. Também foram registrados 2.200 novos casos da doença, que já infectou 64.496 pessoas no RS.

Os novos óbitos são de moradores dos municípios de Porto Alegre (13), Canoas (5), São Leopoldo (4), Igrejinha (4), Gravataí (3), Alvorada (3), Rio Grande (3), Sapiranga (3), Passo Fundo (2), Bento Gonçalves (2), Viamão (2), Ibiraiaras (2), Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Santa Maria, Campo Bom, Esteio, Serafina Corrêa, Ijuí, Tapejara, Estância Velha, Alegrete, Triunfo, São Borja, Canela, Eldorado do Sul, Rosário do Sul, Imbé, São Jerônimo, Barra do Ribeiro, Antônio Prado, Sertão, Charrua, Santo Antônio das Missões, Dezesseis de Novembro, e Barra do Quaraí.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI no Estado na tarde de hoje estava em 76,4%. Já em Porto Alegre, voltou a ultrapassar 90%, mesmo depois da ampliação nos leitos, que vinha garantindo índices mais baixos nos últimos dias. De acordo com banco de dados disponibilizado pelo Município, 90,27% dos leitos de UTI da Capital estão ocupados, com 354 pacientes entre diagnosticados e com suspeita de contaminação pelo novo coronavírus. Cerca de 50% dos leitos de unidades de terapia intensiva da Capital estão, neste momento ocupados por pacientes de covid-19.

 

Foto: Alex Pazuello / Semcom

 

Fonte: Rede Brasil Atual (RBA)