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Brasil 247 – Ribamar Fonseca: Ameaça de morte a Lula é desespero dos golpistas

13 novembro, segunda-feira, 2017 às 3:38 pm

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Lula no meio do povo

Lula no meio do povo

Brasil 247 – Enquanto Michel Temer destrói todas as conquistas sociais do Brasil dos últimos anos e vende nossas reservas de petróleo a preços de banana, provocando em dois anos um retrocesso de pelo menos 50 anos, o juiz Sergio Moro, convencido talvez dos seus poderes de super-herói, vai atropelando as leis e fechando, ilegalmente, o cerco a Lula para impedi-lo de voltar à Presidência da República nas eleições de 2018. Os dois, contando com a cumplicidade de parte do Congresso, de parte do Judiciário (incluindo o Supremo Tribunal Federal) e da grande mídia, cumprem rigorosamente a missão que lhes foi destinada pelo Tio Sam.

É o consórcio golpista atuando descaradamente para levar o Brasil à humilhante condição de colônia dos Estados Unidos, inclusive permitindo a instalação de uma base militar norte-americana na Amazônia e viabilizando a materialização de um velho projeto daquele país de transformar as nossas Forças Forças Armadas em milícia. Ao mesmo tempo, buscam impedir a volta de Lula ao poder, conscientes de que ele é o único líder brasileiro hoje capaz de frustrar esse projeto extremamente prejudicial ao nosso país.

Os traidores da Pátria, infiltrados nos três poderes e entre os formadores de opinião, intensificaram sua ação contra o ex-presidente operário diante do seu acelerado crescimento na preferência do eleitorado, o que, segundo as pesquisas, já permite prever a sua eleição no primeiro turno. O desespero desses maus brasileiros com a possível volta do ex-torneiro mecânico ao Palácio do Planalto é tamanho que eles, enlouquecidos pela frustração de todas as suas tentativas para eliminá-lo politicamente, já pensam em eliminá-lo mesmo fisicamente: o articulista Mario Vitor Gonçalves, em artigo publicado na revista “IstoÉ”, pregou abertamente a morte dele.

“Pelo bem do país, Lula deve morrer. Eis uma verdade incontestável”, ele escreveu, acrescentando: “Digo, se Luiz Inácio ainda é encarado por boa parte da sociedade como o prócer a ser seguido, se continua sendo capaz de liderar pesquisas e inspirar militantes Brasil afora, então Lula precisa morrer”.

A que ponto chegou o ódio e a intolerância fomentados pela mídia e disseminados nas redes sociais por internautas fascistas! Essa ameaça de morte ao maior líder popular deste país, além de merecer rigorosa punição, deve servir de alerta para que a sua segurança seja reforçada.

Fácil perceber que ninguém mais se preocupa em disfarçar o ódio inexplicável e gratuito ao líder petista, considerado pelo povo, segundo as pesquisas, o melhor presidente deste país. Enquanto esse articulista prega, sem receio de represálias legais, a morte de Lula, uma afronta aos brasileiros de todo o território nacional que o querem de volta ao Planalto, o juiz Sergio Moro quer condená-lo de novo, de qualquer maneira, mesmo consciente da inexistência de qualquer prova contra ele.

Em despacho assinado à semana passada, sobre o processo relacionado com o sítio de Atibaia, o magistrado de Curitiba disse que não é preciso provar que o ex-presidente seja o proprietário daquele sítio, basta que tenha desfrutado das reformas ali realizadas pela construtora OAS. Moro disse, textualmente: “Para resolução do caso, não é absolutamente necessário determinar se Luiz Inácio Lula da Silva era o real proprietário do Sítio em Atibaia, bastando esclarecer se ele era ou não o real beneficiário das reformas”.

O despacho é tão cínico e absurdo que parece piada de mau gosto. Ora, se ele não é o dono do sítio, como o próprio juiz reconhece, como pode ser beneficiário das reformas? Moro repete o mesmo comportamento adotado no caso do tríplex do Guarujá, onde o condenou mesmo sabendo não ser ele o dono do apartamento.

E mais: os dois processos contra Lula, sobre o sitio e o apartamento, não são da competência do juiz de Curitiba, conforme demonstrou a defesa do ex-presidente. O próprio Moro disse em despacho que “este Juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobrás foram utilizados para pagamento da vantagem indevida para o ex-presidente”.

Então, os processos não estão subordinados à sua jurisdição, conforme já havia determinado o Supremo Tribunal Federal, segundo o qual para definir a competência da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba é necessária a demonstração clara de vínculos reais com desvios em contratos da Petrobrás, o que não se verifica neste caso, como admitido pelo próprio magistrado.

Para Moro, porém, nada disso interessa, pois o que importa mesmo é condenar Lula e impedi-lo de voltar a ser Presidente da República. Provavelmente convencido de que a sua decisão será confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, onde tem admiradores, Moro não parece preocupado com o Supremo Tribunal Federal que, se for sério e isento em seu julgamento, sem dúvida anulará a esdrúxula decisão.

O presidente do TRF-4, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, que, em declarações anteriores, elogiara a sentença “irrepreensível” do juiz Sergio Moro na condenação de Lula a nove anos e meio de prisão no caso do tríplex do Guarujá, disse recentemente que o recurso do ex-presidente contra a sua condenação, em tramitação naquela Corte, deve ser julgado até agosto do próximo ano, em tempo hábil para impedir a sua candidatura à Presidência da República. “Minha expectativa inicial é que até agosto do ano próximo o Tribunal já estaria em condições de julgar este processo. É um interesse da própria nação e dos réus envolvidos”, ele declarou em evento realizado em Curitiba.

Parece claro, pelas declarações do magistrado, que o TRF-4 confirmará a condenação do ex-torneiro mecânico, até porque o relator dos processos da Lava-Jato naquela Corte, desembargador João Gebran Neto, nunca escondeu a sua posição anti-petista, negando todos os recursos de Lula e de filiados do PT. É óbvio que a defesa do líder petista recorrerá ao Supremo, mas resta saber se o ministro Luiz Fux conseguirá convencer os seus colegas que Lula deve ser impedido de concorrer.

Fux, que durante uma entrevista confessou ter chorado quando o então ministro José Dirceu lhe comunicou ter sido o seu nome aprovado pelo então presidente Lula para ocupar uma cadeira no Supremo, é acusado de prejulgamento ao afirmar que “não faz muito sentido” um denunciado à Justiça ser candidato a Presidente. Isso não está previsto na Constituição ou em qualquer outra lei, mas como hoje ninguém mais se importa com a Carta Magna, nem mesmo a Suprema Corte, tudo pode acontecer.

Afinal, depois do golpe que destituiu do poder a presidenta Dilma Rousseff, com a aprovação silenciosa desse mesmo Supremo, a Constituição passou a ser solenemente ignorada até por juízes de primeira instância. E os magistrados, como Sergio Moro, passaram a fazer suas próprias leis, evidenciando a ditadura da toga. Justiça? Bem, isso é coisa do passado.

 

 

 

Ribamar Fonseca é jornalista e escritor

 

 

 

Fonte: Brasil 247