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Brasil 247 – Denise Assis: O Brasil em ritmo de Black Friday

23 janeiro, quinta-feira, 2020 às 9:39 am

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BNDES (2)

BNDES (2)

247 – O Brasil segue em ritmo de Black Friday. A liquidação dos seus bens, está sendo feita a toque de caixa, com o mesmo entusiasmo frenético com que as grandes lojas de departamento americanas abrem as portas para o grande público, em dias de queima de estoque.

Depois da Petrobras soltar pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um “fato relevante”, como manda o figurino, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colocou, hoje, à venda nos mercados interno e externo 9,86% das ações ordinárias da empresa de que dispunha. Em seu comunicado oficial, foi colocado um “até” antes do percentual, para atenuar a informação de que o que está sendo ofertado é todo o seu lote de ações. Porém, como são atraentes, quem duvida de que elas serão todas vendidas?

A venda da totalidade das ordinárias significa que o Banco abre mão de ter voto nas decisões da empresa, mantendo apenas as ações preferenciais. Neste caso, o BNDES terá prioridade sobre a venda das ações, se acontecer, por exemplo, a insolvência da Petrobras, e tem preferência no recebimento dos dividendos da empresa.

A “queima” –, que certamente provocará uma corrida semelhante à dos consumidores em busca de pechinchas, significa próximo de 10% das ações ordinárias daquela que foi a maior empresa brasileira, até ser desmantelada pelos escândalos produzidos pela Lava-Jato.

Em linha com o fato relevante divulgado ontem pela Petrobras, o BNDES veio hoje, a público, comunicar a realização de oferta pública global de suas ações. “A oferta pública global tem valor de até US$ 5,6 bilhões (R$ 23,5 bilhões) e envolverá a alienação de até 9,86% das ações ordinárias (ON) da Petrobras, entre oferta base e “hot issue” (o lote adicional pelo qual a companhia pode elevar o volume de venda em até 20%, a depender da demanda pelos papéis)”. 

Por serem colocadas à venda no Brasil e no exterior, o registro foi feito nos órgãos reguladores (CVM) e na Securities and Exchange Commission (SEC), dos Estados Unidos.

A justificativa dada pelo Banco, através de sua assessoria, foi de que “a operação decorre do programa de desinvestimento de participações acionárias em empresas maduras e listadas em bolsa de valores da carteira do Sistema BNDES, que vem em curso desde 2019”. Trocando em miúdos, o leilão de ativos que o Brasil vem perdendo desde que o ministro Guedes assumiu a pasta da Economia. 

E, o comunicado diz ainda que: “esse programa promove a redução do risco de mercado do Banco, ao mesmo tempo que permite realocar seu capital para investimentos de maior impacto para a sociedade, como saneamento, mobilidade urbana, educação e segurança.

Apenas nos últimos meses, esse processo incluiu a venda total de participações acionárias do BNDES nas empresas Marfrig Global Food S.A. e Light S.A. O BNDES possui em curso, ainda, potencial oferta pública de ações ordinárias da JBS”. 

Com relação a este destaque do BNDES, é bom informar que o índice de risco de inadimplência do banco, sempre esteve em torno de 1%, e a sua função principal é alavancar desenvolvimento do país, apoiando as empresas na expansão dos seus negócios e, também, financiando obras de infraestrutura. 

 

Denise Assis é jornalista há quatro décadas, trabalhou no O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e O Dia. Ex-assessora-pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe – 1962/1964" e "Imaculada", e integrante do coletivo Jornalistas pela Democracia 

 

Fonte: Brasil 247