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Brasil 247 – Chico Vigilante: A caixa de maldades de Temer para os trabalhadores

2 maio, segunda-feira, 2016 às 9:32 am

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Temer e maldades

Temer e maldades

Em matéria de destaque do jornal O Globo, de 28 abril, Robert Brand fala de suas ideias – uma verdadeira caixa de maldades para o futuro do trabalhador brasileiro.

Para os que não se recordam, Roberto Brand foi ministro da Previdência do governo FHC, o mesmo que elaborou a reforma previdenciária daquele governo.

Com ela encerraram várias conquistas dos trabalhadores como a aposentadoria especial de todos os trabalhadores que tinham aposentadoria especial, inclusive dos vigilantes.

Foi ele que implementou o fator previdenciário – aquele cálculo que dificilmente permite que os aposentados recebam o valor do teto das aposentadorias mesmo depois de 30 anos de contribuição.

Cotado para ser o ministro da Previdência num eventual governo Temer, o grau de detalhamento aberto ao público por Brand um dia depois de Temer ter se reunido com sindicalistas e prometido que não mexeria em direitos trabalhistas, segundo o próprio O Globo denunciou um dia depois, “desagradou o círculo íntimo de Temer.”

Mas isso não importa. Brand é a cara de um governo neoliberal e qualquer outro a ser escolhido rezará na cartilha do documento Ponte para o Futuro, escrito por Brand e lançado por Temer com o intuito de se colocar como o grande pacificador da crise no país.

Desde então, abrimos o olho dos trabalhadores a respeito de todas as medidas lá colocadas, uma mais outros menos claras, mas todas retrógradas, ocasião quando qualificamos a proposta de A Ponte Para o Abismo.

Por que é preocupante ter esse gênero de homem ocupando a pasta da Previdência ? Porque eles, obviamente, vão de novo alterar as regras da Previdência contra os interesses do trabalhador.

Brand disse que vai implantar a aposentadoria com 65 anos de idade, tanto para homem como para mulher. Você pode ter contribuído com 40 anos para a previdência, mas só se aposentará com 65.

E as trabalhadoras rurais que hoje se aposentam aos 55? E os trabalhadores que começam a trabalhar muito cedo e que possivelmente terão 40 anos de contribuição bem antes dos 65 ? Como ficam estas pessoas ? Não poderão descansar ?

Brand disse mais: que vão fazer uma reforma previdenciária tirando quase todos os direitos; e uma reforma trabalhista, onde o negociado vai prevalecer sobre o legislado.

Ele explicou porque querem fazer isso: é para que o 13 º possa ser parcelado, as férias possam ser parceladas, a jornada de trabalho possa ser ampliada, o salário negociado possa ser diminuído, mesmo o que está na lei possa ser diminuído.

Estes são os absurdos que apontam o perfil de candidatos a ministro da Previdência de Temer. Esse é o pensamento do Temer, o pensamento da Fiesp, o pensamento e o desejo da direita brasileira.

Aí eu pergunto : o que vão fazer agora aqueles que foram para a rua defender o impeachment da Dilma e não quiseram ouvir quando os defensores dos trabalhadores, o PT e a esquerda brasileira unida dizia que era golpe ?

Aqueles trabalhadores que foram iludidos pela Fiesp, que os convenceu de ir pra rua se manifestar para dar suporte a sua campanha com o slogan Não vamos pagar o pato.

Os industriais da Fiesp, se pagassem todos os impostos que devem ao governo, estariam contribuindo efetivamente para que os trabalhadores, esses sim, que sempre pagam o pato, não pagassem o pato.

Antes mesmo de Temer tomar posse, estas pessoas já podem perceber que um futuro com Temer seria um futuro amargo.

Não dizíamos que era golpe pura e simplesmente. Sabíamos que era golpe e vínhamos avisando e explicando o que significava ter Temer e a turma de Eduardo Cunha no poder.

Vínhamos listando todas as medidas antissociais que eles por questões de interesse de classe e de visão política iriam tomar. Aí está, agora eles mesmo estão confirmando o que pretendem fazer, se não nos mobilizarmos contra de todas as formas possíveis.

E sabe porque eles estão fazendo isso? Porque eles não precisam de voto popular. Eles só precisam da quadrilha que tem dentro do Congresso Nacional para arremessar absurdamente contra a Constituição e as leis brasileiras.

O que cabe a nós trabalhadores brasileiros, agora ? resistir, ocupar as ruas, cada praça, cada espaço, e não arredarmos mais o pé, para que direitos conquistados não nos sejam retirados.

A maior parte deste Congresso que ai está não nos representa. Aquela parte do Congresso composta de latifundiários, corruptos, fundamentalistas e defensores da ditadura militar não defende os interesses do Brasil.

Não vamos permitir que a sociedade brasileira seja golpeada como um todo e que direitos dos trabalhadores, especificamente, sejam roubados por verdadeiros ladrões de direitos travestidos de salvadores da pátria.

Chico Vigilante é deputado distrital pelo PT-DF

 

Fonte: Brasil 247