Central Única dos Trabalhadores

Bolsonaro repete mentira e comete machismo e insinuação sexual contra jornalista

18 fevereiro, terça-feira, 2020 às 4:15 pm

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Bolsonaro ataca jornalista (2)

Bolsonaro ataca jornalista (2)

RBA – O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar jornalistas nesta terça-feira (18), ao insultar com insinuação sexual a repórter Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo, dizendo que “ela (repórter) queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”.

A declaração, em frente ao Palácio da Alvorada, repete o ataque inverídico e misógino ao trabalho da profissional que denunciou, durante as eleições em 2018, a contratação de empresas para efetuar o disparo de mensagens em massa pelo WhatsApp na campanha pró-Bolsonaro.

Na semana passada, durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, que apura a disseminação de notícias falsas e ilegalidades cometidas por candidatos no último pleito, Patrícia foi ofendida por um ex-funcionário de uma das agências de disparos. Hans River do Rio Nascimento acusou a jornalista de forçá-lo a dar a entrevista, insinuando uma troca de favores sexuais. 

As afirmações discriminatórias foram logo desmentidas pela repórter, que comprovou com áudios, registros e prints das mensagens trocadas, que Hans não só mentiu e fez um ataque misógino, como denunciou de fato o uso fraudulento de nome e CPF de pessoas idosas para registrar chips de celular e garantir disparos em lotes de mensagens.

Em entrevista à Agência Pública, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), que preside a CPMI das Fake News, garantiu que o ex-funcionário fez um depoimento mentiroso. Além disso, parlamentares, incluindo a relatora da comissão, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) anunciaram que entrarão na Justiça contra Hans, que cometeu crime ao falsificar seu depoimento. Organizações de mulheres, jornalistas e em defesa da liberdade de expressão e imprensa e dos direitos humanos, repudiaram também o ataque à Patrícia e exigiram resposta do Congresso, como aponta nota da Marcha Mundial das Mulheres (MMM)

Ainda assim, Bolsonaro, em referência ao depoimento calunioso, repetiu o ataque como um “típico machão”, como ironiza a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP). “Covarde, inseguro e consciente de sua incompetência, tem na misoginia e na violência as válvulas de escape para seus ódios profundos. É um sub-homem que fracassou como militar, como político e como pai. É infeliz”, acrescentou Sâmia pelo Twitter.

Machismo e misoginia

A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) aponta quebra de decoro por parte do presidente. “Temos um presidente machista. Querer desqualificar uma profissional, com insinuações sexuais é uma forma clássica de misoginia”, destacou em suas redes sociais.

Também pelo Twitter, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) declarou “todo o repúdio a quem não honra o ser cargo” e cobrou das instituições brasileiras solidariedade à Patrícia. “Ela é atacada porque é competente e denunciou aspectos fundamentais, erros, crimes nas eleições de 2018”, disse.

“Até quando as autoridades públicas, o Congresso Nacional, o Ministério Público, o Judiciário aceitarão que alguém que não tem as condições morais de ocupar qualquer função pública, muito menos a presidência da República, permaneça utilizando esse espaço para atacar a cidadãs e cidadãos brasileiros, principalmente as mulheres?”, questionou.

A Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) também protestou, por meio de nota, contra as “lamentáveis declarações”, avaliam as entidades. “As insinuações do presidente buscam desqualificar o livre exercício do jornalismo e confundir a opinião pública. Como infelizmente tem acontecido reiteradas vezes, o presidente se aproveita da presença de uma claque para atacar jornalistas, cujo trabalho é essencial para a sociedade e a preservação da democracia”.

Entidades em defesa da liberdade de expressão e da imprensa irão, no dia 6 de março, denunciar as violações cometidas pelo presidente na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).

A Comissão Nacional de Mulheres da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nota oficial, manifestando "repúdio ao teor do pronunciamento do presidente" e solidariedade às mulheres jornalistas.  "Que nosso grito de repúdio sirva para frear tais comportamentos, vindos de quem quer que seja, sobretudo do mandatário da Nação, que deveria defender toda a população e, sobretudo, as maiorias silenciadas de direitos."

Leia a íntegra da nota oficial da Fenaj!

"Em defesa das mulheres jornalistas e contra o machismo

Num cenário em que o jornalismo profissional tem assumido um ingrato protagonismo nas disputas políticas que ocorrem no Brasil, mais uma vez, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, protagoniza grave episódio de machismo, sexismo e misoginia. Nesta terça-feira (18/02), o mandatário decidiu atacar a repórter Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, em pronunciamento com falas de conotação sexual, gravadas em vídeos transmitidos ao vivo.

A jornalista vem sendo alvo de pesados ataques virtuais dos seguidores do presidente e do próprio clã bolsonarista por seu trabalho de jornalismo investigativo, que denunciou o pagamento, por um grupo de empresários apoiadores de Bolsonaro, para envio em massa de mensagens falsas por meio de aplicativo, na campanha presidencial de 2018.

Na semana passada, a premiada repórter foi novamente atacada nas redes sociais, após mentiras declaradas por um depoente na CPMI das Fake News. Na ocasião, Hans River Nascimento, ex-empregado de uma agência de disparo de mensagens digitais mentiu em depoimento, com declarações de cunho sexista, injuriando a repórter e pondo em xeque seu rigoroso trabalho jornalístico.

O filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro, repercutiu as declarações mentirosas sobre a produção da matéria jornalística em sua conta no Twitter e no plenário da Câmara, inflamando os seguidores a alimentarem a rede de ódio contra Patrícia na internet.

A partir deste episódio, as mulheres jornalistas desse país também foram vítimas de viralização de vídeo, imagens e “memes” que relacionam a apuração de matérias jornalísticas e a produção de notícias a troca por sexo. Assim, a pouco mais de duas semanas do 8 de Março, data emblemática da luta feminista, toda uma categoria profissional é atingida pela violência de gênero.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), mais uma vez, manifesta repúdio ao teor do pronunciamento do presidente e, junto com sua Comissão Nacional de Mulheres, coloca-se como incansável na tarefa de denunciar, tão sistemático quanto forem, os absurdos declarados por Jair Bolsonaro.

Dedicamos nossa solidariedade e atuação sindical, seja no campo político ou no jurídico (em fase de encaminhamento), às mulheres desse país, às mulheres jornalistas, às mulheres trabalhadores, na pessoa de Patrícia Campos Mello, na certeza de que não passarão os insultos e ofensas de cunho machista, sexista e misógino. Que nosso grito de repúdio sirva para frear tais comportamentos, vindos de quem quer que seja, sobretudo do mandatário da Nação, que deveria defender toda a população e, sobretudo, as maiorias silenciadas de direitos."

 

Foto: Reprodução

 

Fonte: Rede Brasil Atual (RBA) com Fenaj