Central Única dos Trabalhadores

Bancos aceleram substituição de caixas eletrônicos próprios por máquinas 24 horas

28 janeiro, quinta-feira, 2016 às 12:54 pm

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Quem costuma sacar dinheiro, fazer pagamentos ou outras operações bancárias em caixas eletrônicos de lugares como supermercados, shopping centers e postos de gasolina já deve ter notado que muitas das máquinas de bandeiras específicas estão desaparecendo desses locais nos últimos meses. Na maioria dos casos, elas são substituídas por caixas do Banco24Horas – embora em alguns pontos tenha restado apenas espaços vazios.

A decisão de ampliar essa rede ampla de caixas eletrônicos compartilhados faz parte de um acordo assinado em 2014 pelos bancos do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Citibank, HSBC, Itaú Unibanco e Santander, que são os acionistas da TecBan, empresa que opera a rede Banco24Horas.

“Esse entendimento é resultado da evolução natural da indústria de autoatendimento bancário, que acompanha a tendência observada em diversos países desenvolvidos, onde o processo de racionalização da rede externa de caixas eletrônicos garante à população bancarizada acesso ampliado à oferta de serviços financeiros, com ganhos de capilaridade, de eficiência e oportunidades a toda a cadeia que sustenta o autoatendimento”, informou a TecBan em nota.

Não há informações precisas sobre quantos caixas eletrônicos próprios foram retirados pelas agências bancárias em 2015. Mas, nesse ano, somente no Rio Grande do Sul, houve um aumento de 9% no total de caixas Banco24Horas. Em todo o Brasil, o aumento foi de 11%, chegando a um total de 18,5 mil pontos. A expectativa é que, até 2020, o total de caixas 24 horas chegue a 30 mil em todo o País, o que resultaria em substituição quase integral dos pontos próprios de bancos envolvidos na operação.

O risco é que essa decisão acabe prejudicando os clientes, resultando em maiores filas em caixas compartilhados e na redução total de pontos. Além disso, por permitirem operações mais limitadas do que os caixas próprios, há a possibilidade de muitos usuários acabarem voltando para as agências bancárias, o que também pode vir a prejudicar o serviço e o atendimento dos bancários.

Na visão do presidente do SindBancários, Everton Gimenis, essa ampliação da rede de caixas eletrônicos compartilhados tem, como único objetivo, “aumentar os lucros”. “No fundo, é só uma tentativa dos bancos de aumentar os lucros, mas no fundo diminui o serviço. Piora o atendimento”, diz. “A nossa preocupação é que precarize o serviço e aumente as filas”. Gimenis descarta também a possibilidade dessa ação ser motivada por preocupações de segurança. “Não é por causa da segurança, porque estão fazendo inclusive em shoppings”, afirma.

Procurado pela reportagem, o Banrisul afirmou em nota que, apesar de também oferecer aos usuários a possibilidade de realizar operações financeiras nos caixas 24h, “não adotará a medida de substituir os caixas eletrônicos próprios que funcionam fora das agências bancárias pelos do Banco24Horas”. Atualmente, o banco possui 637 caixas eletrônicos instalados em 541 pontos de atendimento eletrônico, em locais como shoppings, postos de combustíveis, estações rodoviárias, supermercados, universidades, hospitais, entre outros.

Já a Caixa Econômica Federal confirmou que está aderindo à substituição de equipamentos próprios por terminais da rede 24h. O banco informou que possui 2.528 terminais de autoatendimento no RS em salas contíguas às suas agências e a postos de atendimento eletrônico. Também informou que está presente em 614 terminais do Banco24Horas, que permitem operações como saque e saldo, saque cash e troca de senha do cartão de crédito. “A ampliação do portfólio de produtos e serviços por meio da rede Banco24Horas está em desenvolvimento e será implantada ao longo deste ano”, informa a instituição.

 

Fonte: Sul 21